O Presente
Fátima Baroni Tonezer

O peso de dizer “não” e voltar atrás

calendar_month 29 de junho de 2026
4 min de leitura

Por que tantas mulheres têm dificuldade de sustentar limites?

Há mulheres que conseguem perceber claramente quando algo as machuca. Elas sabem quando foram desrespeitadas, quando estão cansadas, quando estão sendo exigidas além do justo. Muitas vezes, inclusive, conseguem verbalizar isso. Dizem que não aceitam mais certas atitudes, que precisam mudar a forma como vêm sendo tratadas, que desta vez será diferente.

Mas pouco tempo depois voltam atrás. Cedem novamente. Reabrem portas que haviam fechado. Aceitam comportamentos que prometeram não tolerar. Cancelam decisões importantes para evitar conflitos. E então, além do sofrimento inicial, enfrentam outro mais silencioso: a frustração consigo mesmas.

POR QUE É DIFÍCIL SUSTENTAR LIMITES?

Essa experiência é mais comum do que parece e, quase sempre, é interpretada de forma injusta. Muitas mulheres se acusam de “fracas”, “indecisas” ou falta de amor-próprio. No entanto, a dificuldade de sustentar limites raramente nasce de falta de caráter. Ela costuma nascer de histórias emocionais profundas.

Muitas aprenderam cedo que desagradar custava caro. Que impor vontades gerava afastamento, críticas ou punições emocionais. Cresceram tentando manter a harmonia da casa, antecipando necessidades alheias, evitando conflitos e ocupando o lugar de quem cede para preservar vínculos. Quando essa lógica se instala, dizer “não” pode provocar uma culpa intensa, mesmo quando o limite é saudável e necessário.

Outras mulheres associaram amor à tolerância ilimitada. Aprenderam que amar era compreender tudo, suportar tudo, esperar tudo. Assim, quando finalmente tentam estabelecer limites, sentem como se estivessem sendo egoístas, duras ou ingratas. Confundem proteção emocional com frieza.

Há também o medo da rejeição. Para quem viveu abandonos, instabilidades afetivas ou relações marcadas por insegurança, colocar limites pode acionar um temor antigo: o de perder o outro. Nessas situações, recuar parece menos doloroso do que sustentar a possibilidade de rompimento, crítica ou distanciamento.

Por isso, muitas vezes o problema não está em saber qual limite precisa ser colocado. Está em suportar emocionalmente o que acontece depois dele.

PORQUE LIMITES PRODUZEM EFEITOS

Algumas pessoas se irritam, outras manipulam. Algumas se afastam quando deixam de ser beneficiadas. Há quem tente fazer a mulher se sentir culpada por mudar. E, sem preparo interno, ela interpreta a reação do outro como prova de que errou quando, muitas vezes, é apenas a consequência natural de sair de um lugar antigo.

Sustentar limites exige tolerar desconfortos temporários para proteger algo maior: a própria dignidade emocional. Isso não significa agir com agressividade ou romper relações a cada frustração. Significa aprender que o incômodo do outro nem sempre é sinal de injustiça. Às vezes, é apenas o desconforto de quem se acostumou com a sua disponibilidade excessiva.

Mulheres que passam a se posicionar costumam enfrentar um período delicado. Sentem culpa, dúvida e vontade de voltar ao padrão anterior. É justamente nesse momento que precisam de consciência: o desconforto inicial não indica erro. Muitas vezes, indica crescimento.

APRENDER A SUSTENTAR LIMITES É UM PROCESSO.

Começa em pequenas escolhas: não explicar demais, não ceder imediatamente, não resolver tudo por todos, não abandonar o que sente para preservar aparências. Aos poucos, a mulher percebe que pode continuar sendo amorosa sem ser anulada, gentil sem ser permissiva, presente sem se sacrificar continuamente.

Há uma maturidade importante quando se entende que dizer “não” para o que fere é também dizer “sim” para si mesma. E talvez uma das maiores mudanças na vida adulta aconteça quando a mulher deixa de medir seu valor pela capacidade de agradar e passa a medi-lo pela capacidade de se respeitar.

Na próxima semana vamos conversar sobre o vazio que assusta mais do que a relação ruim ou o medo de ficar sozinha. Se este artigo tocou você, guarde e releia quando o medo bater forte. E compartilhe com outra mulher que também precisa saber. E siga @psicofatimabaroni para mais conteúdos sobre autoestima e relacionamentos.

Até a próxima.

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Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755

 
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