E isso começa a te esgotar!
Nem sempre o problema em um relacionamento é a falta de sentimento. Muitas vezes, é o desequilíbrio. Um investe mais. Um tenta mais. Um sustenta mais. E, aos poucos, isso deixa de ser apenas uma diferença e passa a ser um peso. Porque o esforço não é dividido.
Existem relações em que a manutenção do vínculo recai, majoritariamente, sobre uma pessoa. É ela quem inicia conversas difíceis. Quem busca resolver conflitos. Quem tenta melhorar a dinâmica. Enquanto o outro responde, quando responde. E isso cria uma sensação difícil de nomear: a de estar carregando algo que deveria ser compartilhado.
QUANDO TENTAR MAIS VIRA UM CICLO
Diante da falta de retorno, muitas mulheres fazem o que aprenderam: tentam mais. Falam de outro jeito. Esperam o momento certo. Controlam o tom da voz.
Reformulam pedidos. Mas, sem mudança do outro lado, o resultado se repete. E isso gera um ciclo desgastante: quanto menos retorno, mais esforço.
Quanto mais esforço, mais cansaço. Até que chega um ponto em que nada parece suficiente.
Aqui o relacionamento corre risco. Porque começa a aparecer o perigo de “normalizar” o desequilíbrio. Com o tempo, esse funcionamento pode começar a parecer “natural”. “Ele é mais fechado”. “Eu sou muito sensível”. “Cada um tem seu jeito”. “A família dele não é muito de conversar”. “Ele não aprendeu a falar sobre sentimentos”…
E, sim, diferenças existem. Mas quando a relação depende constantemente de um lado para se manter, isso deixa de ser uma característica e passa a ser uma sobrecarga. Isto pode estar escondendo uma negação, a tentativa de, ao não nomear o que acontece, deixar de olhar para a realidade da relação.
O QUE VOCÊ TEM SUSTENTADO SOZINHA?
Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes dentro de um relacionamento: o que está sendo mantido apenas pelo seu esforço? Porque vínculos não se constroem nas tentativas de um só. Eles precisam de presença, disponibilidade e movimento dos dois lados.
Existe um ponto que exige atenção. Não é sobre parar de tentar de forma abrupta. Mas é sobre perceber até que ponto tentar tem sido uma construção
ou uma forma de se desgastar. Porque insistir, quando não há reciprocidade, muitas vezes deixa de ser cuidado e passa a ser autoabandono.
Se o esforço não é equilibrado, por que tantas mulheres continuam sustentando a relação?
Na próxima semana vamos falar sobre o hábito de se adaptar e como ele pode afastar você de si mesma. Se este artigo tocou você, guarde e releia quando o cansaço bater forte. E compartilhe com outra mulher que também precisa saber. E siga @psicofatimabaroni para mais conteúdos sobre autoestima e relacionamentos.
Até a próxima.

Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755