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Capi desafia dragões chineses

calendar_month 6 de junho de 2026
10 min de leitura

Cascavelenses enfrentam a batalha das batalhas: concorrer com Mercado Livre, Shein, Amazon e Shopee no bilionário mercado do ecommerce, plataformas que faturam quase um bilhão aqui

Capi, mascote da Vizin, interagindo com a escultura de Dirceu Rosa no Calçadão: dedo indicador que clica nos aplicativos de ecommerce anuncia dura batalha com gigantes chineses, argentinos e norte-americanos

O dono da Havan, Luciano Hang, reagiu irado ao fim da “taxa das blusinhas” para compras de até 50 dólares, anunciada neste mês pelo presidente Lula. “Será um tsunami, a destruição do varejo nacional por sufocar as empresas brasileiras em benefício de plataformas estrangeiras”, alegou o “Véio da Havan”.

Provocada a pôr números nesse embate a partir do desempenho das grandes plataformas de e-commerce na microrregião de Cascavel, a Gemini, IA do Google, estimou que Mercado Livre, Shein, Amazon, Shopee e Magalu entregam entre 16 mil e 20 mil pacotes na Capital do Oeste e entorno, região que abriga 24 municípios e 600 mil habitantes.

Por esse cálculo, levando em conta o ticket médio da pacoteira, as gigantes levam da região entre R$ 50 milhões e R$ 65 milhões/mês. No ano, já agregando datas especiais, como Dia das Mães, Natal etc, as chinesas, americanas e argentinos do Mercado Livre podem obter um faturamento bruto de quase R$ 1 bilhão ano aqui. Quem perde em cada clique no aplicativo amarelo do Mercado Livre? Fácil: o comércio local.

CAPIVARAS x DRAGÕES

Foi olhando esse cenário que um grupo de empreendedores cascavelenses acionou a fronteira do conhecimento humano em software de ecommerce para lançar a plataforma Vizin.market. O nome fantasia escolhido é autoexplicativo, remete para vizinho, proximidade.

A plataforma de marketplace cascavelense traz meta ambiciosas: enfrentar as gigantes pela força da proximidade, dinamismo e diversidade do mercado local. A lógica é relativamente simples. Não faz sentido cada supermercado, loja de materiais de construção, farmácia ou qualquer outro segmento criar um aplicativo próprio. O consumidor não vai baixar APP de todo mundo na tela já saturada do celular. Mas e se colocar todo mundo na tela da Vizin? O aplicativo se apresenta como um Mercado Livre com alma de Ifood, onde entregadores e lojistas estão cadastrados e interagindo. Sofisticadas ferramentas de IA estão a disposição da turma do CNPJ e também do CPF, promovendo sinergias entre as partes.

Em um ramo em que o prazo de entrega pode ser determinante, o Vizin quer promover dentro de um território delimitado (Cascavel) o encontro entre três elos da cadeia: consumidor, entregador e vendedor. O cadastro dos produtos à venda fica por conta da IA. Ela põe a foto e a descrição detalhada do produto automaticamente, aplicando ferramentas de marketing, tudo intuitivo, na velocidade da inteligência artificial.

PITACO DO PITOCO

Vai dar certo? A capivara, mascote da Vizin, poderá enfrentar o dragão chinês da Shopee ou a águia americana da Amazon? É uma boa aposta. A julgar pela recepção inicial da ideia, a Capi poderá beliscar um naco desse mercado bilionário para o comércio local.

Aberto nesta semana, o cadastro digital da Vizin já somava quase 100 lojistas cascavelenses na data de fechamento dessa edição, na última quarta-feira (27).

Está aberto o duelo entre capivaras e dragões. Se a Capi abocanhar somente 10% do montante que hoje vai para fora da cidade e até para o exterior, serão quase R$ 100 milhões/ano injetados na veia da economia local.

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Avenida Leonaldo Paranhos

Desistência de Giacobo desobriga Renato Silva e sua trupe de pagar dívida eleitoral e libera a máquina para o “Pangaré” nadar de braçada

O ex-prefeito Leonaldo Paranhos e o cavalo encilhado mais uma vez: ventania minuano a favor

Em meio a chuvas, relampejos e trovoadas, lá vem entre densas camadas de “cerração” o “Pangaré”, pilchado para mais uma peleia ‘bruta e feia”.

A exemplo do bom goleiro “catador” de pênalti, a quem não basta elasticidade e golpe de vista sem a sorte, Leonaldo Paranhos da Silva vem disputar uma cadeira no Congresso Nacional bafejado outra vez pela fortuna.

Quando foi vice de Edgar Bueno, na alvorada da primeira década dos anos 2000, Paranhos era desdenhado no círculo mais íntimo do prefeito como “Pangaré”.

O epíteto pode representar um cavalo paraguaio, aquele que larga na frente e termina atrás. Não parece ser esse o cenário que se desenha para Paranhos.

Após as trovoadas geradas pelas pesadas denúncias do desafeto Evandro Roman, o exprefeito celebrou aparentemente sereno os 60 anos de idade completados no último dia 25. A nova marca não apenas o habilita a pôr um adesivo no carro indicando que está habilitado a usar as vagas reservadas para idosos no estacionamento, como lhe permite imaginar uma votação histórica para deputado federal.

ABERTA A AVENIDA

As movimentações inesperadas abriram uma avenida eleitoral para o ex-prefeito, ainda mais promissora que aquela que leva o nome do Barão do Rio Branco. É que as estrelas se alinharam para o “pangaré”. Um dos últimos obstáculos acaba de cair: Renato Silva estava comprometido até a medula com mais uma reeleição de Fernando Giacobo. Foi o preço amargo para receber o apoio do PL em 2024.

Giacobo saiu da cancha reta, não irá disputar a eleição deste ano e Renato viu-se liberto para pôr toda a imensa máquina da Prefeitura na campanha de Paranhos.

Outro fator aleatório: desencantado com Brasília, Nelsinho Padovani deletou a foto da urna eletrônica e também está fora do páreo.

VENTO MINUANO

Não se trata exatamente de um pampa descampado, desprovido de quero-queros. No maior colégio eleitoral do Oeste também garimpam votos para federal o vice Henrique Mecabô, deputado Márcio Pacheco e o eterno Hermes Frangão Parcianello, entre outros menos votados.

Mas que o minuano vem soprando a favor do “Pangaré”, não há dúvida. Fontes do “mercado eleitoral” estimam que está entre Paranhos e o ex-secretário Beto Preto a condição de deputado federal mais votado do Paraná.

“Vamos trazer 50 mil votos de fora do Oeste do Paraná”, disse um entusiasmado assessor de Paranhos. Uma vez confirmado o ativo eleitoral que ele construiu quando secretário de Estado de Turismo, acrescentando aí a votação aguardada em Cascavel e região, será possível dizer que uma larga estrada eleitoral abriu-se para o ex-prefeito, a Avenida Leonaldo Paranhos da Silva.

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“Alemães” pragmáticos

Segmento político que dá as cartas em Marechal Rondon escolhe um oestino de Cascavel para representá-los no Legislativo estadual; Gugu Bueno é o “filho adotivo” do grupo

Grupo político de Elio Rusch, com vereadores e o ex-prefeito Rauber: pragmatismo e olhar adiante

Pelo menos desde a redemocratização, em meados da década de 1980, a política em Marechal Cândido Rondon se dá por uma espécie de Grenal. De um lado a turma que se alinhava ao regime militar, abrigados na Arena, que depois virou PDS, PFL, DEM e hoje está dispersa em várias siglas.

Na ponta oposta, os rondonenses que simpatizavam com a oposição consentida a ditadura, f iliados ao MDB e seus “puxadinhos”. Os grupos se revezaram no poder por décadas.

Os nomes mais divulgados do “Grenal” eram Werner Wanderer, deputado federal, e Elio Rusch, estadual, ambos enfileirando vários mandatos. O nome mais conhecido do MDB por muitos anos foi Ademir Bier, que ocupou a chefia do Executivo Municipal e colecionou mandatos de deputado estadual. Com o passar dos anos, os votos do município se mostraram insuficientes para manter a “bancada de Rondon” na Assembleia Legislativa (AL).

E o município ficou, pela primeira vez em décadas, sem representação de um filho legítimo seu no Congresso Nacional e no Legislativo estadual. Que tal então um “filho adotivo” para preencher esse vazio existencial?

É o que propõe o ex-deputado Rusch, acompanhado do ex-prefeito Marcio Rauber e do presidente da Câmara Municipal, Valdir Sachser. Eles acabam de “batizar” o oestino de Cascavel, Gugu Bueno, para a condição de representante do grupo na AL.

Como se percebe, todos os sobrenomes são germânicos. São os alemães pragmáticos da “Alemanha do Oeste”, como a cidade é conhecida. A “adoção” foi anunciada no último dia 14, e reuniu também outros expoentes do grupo, entre eles três vereadores.

“Nós precisávamos de um deputado com confiança e posicionamento firme na Assembleia Legislativa. E o Gugu Bueno assumiu esse compromisso conosco”, afirmou o ex-prefeito Rauber.

“O Gugu é primeiro-secretário da Assembleia Legislativa, tem acesso ao governo do Estado e condições de representar Marechal e buscar investimentos para a nossa região”, afirmou Elio Rusch.

“Receber um convite para vir a Marechal e representar um grupo político tão importante como esse é de grande responsabilidade”, disse Gugu, apontado como puxador de votos do PSD para eleição de uma expressiva bancada na AL, a ponto de cacifá–lo para um salto ainda maior: a presidência do Legislativo.

Não é menos disso que os “alemães pragmáticos” estão enxergando ali na frente.

Em tempo: um dia antes da adesão germânica, Gugu havia recebido o apoio de 9, dos 21 vereadores de Cascavel.

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PR poderá renovar 100% da bancada

Octogenário, Oriovisto jogou a toalha; Moro tentará mudar de Brasília para Curitiba; e Arns enfrenta “congestionamento” e descuido na base

O trio paranaense no Senado, Moro, Oriovisto e Arns: renovação de dois terços pode se transformar em 100%

As eleições para renovar dois terços do Senado neste ano poderão resultar na renovação de 100% da bancada paranaense.

O senador Oriovisto Guimarães declarou ao jornal “Folha de São Paulo”, no último fim de semana, que não irá disputar a reeleição. Ele está com 80 anos de idade e caso reeleito fosse, terminaria o mandato com 88. Também consultado pelo jornalão, o senador Flávio Arns disse que não definiu ainda se enfrenta as urnas em outubro.

Caso venha para o embate, Arns terá dificuldades de renovar o mandato. O campo político de centro-esquerda em que ele navega está ocupado pela deputada Gleisi Hoffmann e pelo presidente de Itaipu, Enio Verri, pré-candidatos ao Senado. Já o terceiro integrante da bancada, eleito em 2022, e que tem mais quatro anos de mandato, Sergio Moro, disputa o governo do Paraná. Se eleito, passa o mandato para o suplente Luis Felipe Cunha, jovem advogado curitibano.

OS CANDIDATOS

De olho na Câmara Alta do Congresso, surgem medalhões da política paranaense e os dois polos ideológicos. Alvaro Dias indica que irá disputar uma das duas cadeiras ofertadas.

No grupo de Moro os candidatos são Deltan Dallagnol (cuja candidatura ainda enfrentará o crivo da Justiça Eleitoral) e Filipe Barros. Caso o registro de Dallagnol bata na trave, o candidato será Paulo Martins.

No grupo de Ratinho Junior o candidato sacramentado é Alexandre Curi (presidente da Assembleia). Correm por fora para também obter a chancela do Palácio Iguaçu os pré-candidatos Alvaro Dias, Guto Silva e Cristina Graeml.

Na chapa majoritária de Requião Filho (PDT), os candidatos ao Senado mais prováveis são os já citados Gleisi e Verri.

QUEM É O SUPLENTE?

E se Moro for eleito governador do Paraná, quem assume a cadeira dele no Senado? O mandato vai para o 1º suplente, no caso, o jovem advogado Luis Felipe Cunha, natural de São Paulo, morando em Curitiba desde 1994.

Formado em Direito pela PUC/PR, é mestre em Direito Econômico e Social pela mesma instituição. É sócio do escritório Vosgerau & Cunha Advogados Associados. Foi professor universitário e exerceu, por nove anos, a função de julgador do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/PR.

Entre os bens declarados por ele à Justiça Eleitoral em 2022, há aplicações e investimentos, além de R$ 200 mil de dinheiro em espécie. Também possui três apartamentos – um deles, valendo R$ 3,5 milhões.

PITACO DO PITOCO

Em rápida pesquisa nos sites de busca, encontramos registradas escassas três visitas dos senadores Oriovisto Guimarães e Flávio Arns a Cascavel nos intermináveis oito anos de mandato.

O distanciamento dos mandatários de seus eleitores é notório. Arns foi além: não abriu uma única hora de mandato para seu 1º suplente, o cascavelense Vilson Basso. Isso que Basso é um ativista abnegado da base eleitoral mais sólida do senador: as Apaes.

Arns pode até ter feito um mandato digno, longe dos escândalos que assombram Brasília, mas desgarrou do pastoreio de suas ovelhas.

Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente

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