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Elio Migliorança

Presente de grego

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Presente de grego é o que se diz do presente que traz prejuízo para quem o recebeu, ao contrário do que era esperado. Na Guerra de Troia, um cavalo de madeira foi deixado na porta da cidade, pelos gregos, supostamente um presente. Os troianos acolheram o cavalo como um presente, mas dentro do cavalo se encontravam vários gregos que, na madrugada, após os troianos terem se embebedado, abriram os portões para que o seu exército entrasse e destruísse a cidade.

Neste momento os brasileiros estão sendo brindados com um presente de grego, chamado “privatização da Eletrobras”, um suposto presente que no futuro vai se revelar um monstro a devorar parte de nossas economias.

No embalo da economia de mercado e da livre concorrência, o governo está vendendo um dos pilares da economia nacional: o setor energético. Uma das mais estratégicas empresas públicas da União, junto com a Petrobras, a Eletrobras tem o controle do setor energético nacional, fornecendo um dos mais importantes produtos que move a economia: a energia elétrica.

A energia elétrica e os combustíveis estão presentes em 100% das atividades econômicas e de produção do Brasil, e quando seus preços são alterados, afetam toda a cadeia produtiva e de consumo dos brasileiros. Construído ao longo de décadas, este monopólio serviu, muitas vezes, para que os governos, de forma malandra, aumentassem a arrecadação, pois um imposto lançado sobre energia ou combustíveis atinge a todos os brasileiros que são consumidores.

Agora, num gesto discutível, acena com a privatização, criando uma expectativa de solucionar o alto custo da energia para consumidores e setores produtivos. Está se vendendo para a população a ilusão de que a privatização vai baratear a conta de luz. Um monopólio pelo qual todos pagamos, com o investimento de bilhões de reais, está sendo entregue a particulares que vão querer lucro cada vez maior e isso significa energia mais cara.

É um setor estratégico e precisa ser administrado pelo Poder Público com eficiência e responsabilidade. A União possui cerca de 655 mil imóveis em todo o território nacional, e destes, cerca de 55 mil estão aptos para a venda. Estes, sim, deveriam ser vendidos, pois alguns valem milhões e não produzem nada. Além destes, o governo também possui 130 empresas, algumas das quais só dão prejuízo. Segundo dados do governo, por ano são gastos em torno de R$ 20 bilhões na manutenção de estatais que dão prejuízo. Por que não se começa por ali a privatização?

Combustíveis e energia elétrica são produtos estratégicos para a sobrevivência da indústria e do setor produtivo, bem como para garantir uma vida digna aos consumidores. Portanto, o que se está fazendo é um verdadeiro presente de grego, embrulhado num papel brilhante como se a privatização fizesse o milagre da redução de custos.

Como os políticos em geral não estão preocupados com a população e, sim, com os seus interesses, é provável que o golpe seja concretizado.

Quanto a nós, é bom estar preparado, pois nada está tão ruim que não possa ficar um pouco pior.

Por outro lado, as eleições vêm aí e será o momento de confrontar os candidatos com suas promessas e o que foi realmente cumprido. E não perder a esperança, pois ninguém consegue enganar a todos durante todo o tempo.

 

O autor é empresário rural, professor aposentado e ex-prefeito de Nova Santa Rosa

miglioranza@opcaonet.com.br

 

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