O Presente
Fátima Baroni Tonezer

365 dias para você

calendar_month 12 de janeiro de 2026
4 min de leitura

Por que este ano pode ser diferente?

Você acordou no primeiro dia do ano com aquele peso familiar no peito? Aquela sensação de que, apesar do calendário novo, você continua a mesma pessoa cansada, sobrecarregada, carregando as mesmas dores que já não sabe mais como nomear?

Se a resposta é sim, este texto é para você. E antes de qualquer coisa, preciso que saiba: o seu cansaço é real. A sua exaustão não é frescura, preguiça ou falta de gratidão. É o resultado de anos, talvez décadas, carregando pesos que nunca foram seus para carregar.

O CANSAÇO QUE VEM DE LONGE

Existe um tipo de cansaço que o sono não resolve. Que as férias não curam. Que nenhuma quantidade de autocuidado superficial consegue alcançar. É o cansaço de quem aprendeu, muito cedo, que precisava ser forte demais, grande demais, responsável demais.

Talvez você tenha crescido sendo a “mãe” da sua própria mãe. Ou tentando ser invisível para não despertar a raiva de um pai instável. Talvez tenha aprendido que seu valor dependia de quanto você conseguia dar, nunca de quanto você merecia receber. Ou que expressar necessidades era sinônimo de ser rejeitada. Essas experiências moldaram não apenas quem você foi, mas quem você acredita que precisa ser. E é exaustivo viver assim.

PORQUE “APENAS SEGUIR EM FRENTE” NUNCA FUNCIONOU?

Quantas vezes você já tentou simplesmente “virar a página”? Quantos inícios de ano prometeram que desta vez seria diferente? E quantas vezes você se viu, semanas depois, nos mesmos padrões, nos mesmos relacionamentos que drenam, nas mesmas dinâmicas que machucam?

Não é preguiça nem procrastinação. Não é porque você não tenta. Não é porque você não quer. É porque mudança real NÃO acontece ignorando as raízes. Você não consegue construir uma vida nova sobre uma fundação rachada sem antes olhar para as rachaduras. E olhar para essas rachaduras dói. É reconhecer que você não teve o que merecia. Que adultos que deveriam protegê-la falharam. Que você desenvolveu mecanismos de sobrevivência que hoje a mantêm presa.

O QUE TORNA ESTE ANO DIFERENTE?

Este ano não precisa ser sobre resoluções grandiosas ou transformações milagrosas. Não precisa ser sobre se tornar uma pessoa completamente diferente em 12 meses. Na verdade, talvez seja justamente o oposto. Este ano pode ser diferente porque você está disposta a fazer algo que nunca fez antes: parar de fugir de si mesma.

365 dias não são apenas um número. São 365 oportunidades de fazer escolhas diferentes. De reconhecer um padrão a mais. De colocar um limite onde antes você se anulava. De escolher você mesma, mesmo que seja desconfortável, mesmo que seja assustador. São 365 dias para aprender que: você não precisa estar “curada” para merecer amor e respeito. Mudança não é linear e tropeços fazem parte do caminho. Você pode honrar sua história sem permanecer prisioneira dela. Recomeçar não significa apagar quem você foi, mas integrar quem você está se tornando.

O PRIMEIRO PASSO: RECONHECER

Antes de qualquer mudança externa, existe um movimento interno essencial: reconhecer a verdade da sua experiência. Não minimizar. Não justificar. Não proteger quem te machucou. Apenas reconhecer: o que eu vivi não foi amor. O que eu aprendi sobre mim mesma não é verdade. A forma como me trato hoje reflete feridas antigas, não meu valor real.

Este reconhecimento não é sobre dramatizar ou ficar presa no papel de vítima. É sobre honestidade radical. É sobre parar de gastar energia fingindo que está tudo bem quando não está. É sobre permitir que a ferida respire para que possa, finalmente, começar a cicatrizar.

Na próxima semana vou continuar falando sobre este tema, apontando caminhos para sair dele. Se este artigo tocou você, guarde e releia quando o cansaço bater forte. E compartilhe com outra mulher que também precisa saber. E siga @psicofatimabaroni para mais conteúdos sobre autoestima e relacionamentos.

Até a próxima.

Clique aqui e acesse todos os artigos desta coluna.

Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psi

 
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