O Presente
Fátima Baroni Tonezer

E se você não estiver fracassando, só estiver exausta?

calendar_month 21 de julho de 2025
4 min de leitura

Vamos ter uma conversa difícil? Dessas que tem como objetivo desconstruir mitos e padrões? E quero começar logo com um ponto muito questionado na sociedade de alta performance atual.

Você sabia que nem todo cansaço é preguiça? Que nem todas as vezes que dizem que você está procrastinando é verdade? Que nem toda pausa é fraqueza? Talvez o que você, e a nossa sociedade, chama de fracasso seja apenas o peso que te exige demais.

Você já se olhou no espelho com um nó na garganta e pensou: “Por que eu não dou conta?”. Já se sentiu culpada por não ter energia para tudo, por querer parar quando o mundo exige que você siga, por estar mais sensível do que gostaria?

Talvez você esteja apenas… exausta. E o problema não está em você. Está na ideia distorcida de que dar conta de tudo é o mínimo esperado, mesmo quando seu corpo e sua alma estão pedindo socorro.

O APLICATIVO DA F.O.M.O.

A ideia do FOMO (Fear of Missing Out) ou o sentimento de apreensão de que alguém não está a par ou está perdendo informações, eventos, experiências ou decisões que poderiam melhorar sua vida. E essa divulgação extenuante de que precisamos saber de tudo, fazer tudo, gera culpa. E a culpa vem acompanhada do cansaço. Quando você se sente cansada, há uma voz que sussurra: “Você está falhando”.

Essa voz vem de anos tentando provar valor, de se anular para agradar, de viver em função das necessidades alheias. Mas estar cansada não significa ser fraca.
Você pode estar carregando pesos invisíveis: dores antigas, culpas que não são suas, responsabilidades demais, tudo isso sem espaço para respirar. Esse cansaço não é só físico. É emocional, é existencial. É o cansaço de sorrir quando queria chorar.

De acordar e já estar no limite. De cuidar de tudo e de todos, menos de si.
De manter uma aparência de força enquanto por dentro há rachaduras.
Esse cansaço não se resolve com uma noite de sono. Ele pede silêncio, acolhimento e coragem para olhar para dentro e admitir: eu estou além do meu limite. Sofremos com uma distorção cognitiva: confundir pausa com derrota.

Vivemos sob uma lógica que idolatra a produtividade (alta performance) e despreza o descanso. Parar virou sinônimo de fracassar. E muitas mulheres sentem vergonha por precisarem de cuidado. Mas pausa não é derrota. É respeito. É maturidade emocional. Às vezes, o ato mais revolucionário que uma mulher pode fazer é parar, respirar, se ouvir. E então dizer: eu não aguento mais desse jeito.

Fracassar, ao contrário, é seguir fingindo que está tudo bem. Você não está fracassando por se sentir perdida. Está se humanizando. Fracassar seria continuar ignorando os próprios limites, forçando-se a sorrir enquanto o corpo grita, aceitando migalhas enquanto o coração sangra. O verdadeiro fracasso é se abandonar para manter uma aparência. E você não precisa mais viver assim.

A PERMISSÃO PARA DESCANSAR NÃO É O FIM,  É UM RECOMEÇO!

Entender que você não precisa ser forte o tempo todo. Você pode estar cansada, e tudo bem. Você pode parar, repensar, se refazer. Você pode escolher a si mesma sem culpa. Talvez você não esteja falhando. Talvez esteja apenas esgotada, exausta de dar tanto, de se cobrar tanto, de sobreviver tanto.

E talvez, só talvez, seja hora de mudar a pergunta: e se você estiver exatamente no momento de se reencontrar? De viver sua vida, atendendo suas necessidades e prioridades?

E se este texto tocou você, compartilhe com outras mulheres que também precisam desse alerta. Juntas podemos nos cuidar melhor.

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Até a próxima.

Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755

 
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