O Presente
Fátima Baroni Tonezer

Maio é mesmo o mês dedicado às mulheres?

calendar_month 5 de maio de 2025
4 min de leitura

Chegamos em maio, o mês mais lindo, conhecido por ser o mês das mães, das noivas… E é sobre isso que quero me debruçar neste mês para conversar, buscando trazer questões que reflitam o que acontece nos bastidores, isto é, por baixo dos panos de tantos mimos e pretensa felicidade e reconhecimento feminino.

Especialmente nestes dias que antecedem o Dia das Mães, quando tantas mulheres que já estão sobrecarregadas por toda a rotina, recebem uma carga simbólica imensa, muitas vezes acompanhada de cobranças, culpa e solidão. Quero falar com você, mulher (e você também homem, na condição de quem repete o movimento), que se sente sobrecarregada mental e emocionalmente com o peso de ser mulher e mãe em uma sociedade que romantiza o sacrifício materno.

SER MÃE NÃO É PADECER NO PARAÍSO!

A mensagem por trás de toda essa romantização, inclusive que nós mulheres também cobramos umas das outras, é o fato inequívoco e inquestionável que para ser a mãe perfeita, que não traumatiza, que é presente, amorosa, disponível (livre demanda), acolhedora, tem que desistir de ser gente, de sentir cansaço, tristeza, de lidar com suas dores…

Em tantos anos de escuta ativa no consultório, escutando as dores que mulheres, mães ou não, trazem nesse espaço seguro, percebi que a sensação é a mesma: a obrigação de jogar para debaixo do tapete as próprias feridas, emoções não nomeadas e se colocar inteira para dar conta desse bebê.

E é doloroso perceber o momento em que as mulheres/mães percebem que não vão dar conta de tudo. Isto porque nossa sociedade prega a cultura da supermulher. Aquela que dá conta de tudo, de salto alto, unhas pintadas e cabelo impecável. Como isso adoece a mulher, porque a primeira coisa que se instala é a culpa.

VAMOS FALAR DE PUERPÉRIO?

A culpa de não se apaixonar por aquele bebê no exato momento em que ele é colocado nos braços dela, depois de horas de dor, ansiedade, medo, que é o parto. E quando ela se dá conta de que, por mais que ame aquele ser, tem momentos que tudo que ela queria era tomar um banho com tranquilidade, silêncio e paz. Quem é mãe há mais tempo, como eu, me conta se nunca sentiu isso?

Sabe, a maioria de nós sonha com o momento em que a nossa criança vai dizer pela primeira vez “mamãe”. Mas, o que eu quero pontuar aqui, é a questão de, às vezes, tudo que a gente quer é que a criança não fale mais mamãe, tudo que a gente quer, é silêncio, porque a palavra mamãe é repetida à exaustão para todas as situações da rotina daquela criança. E, calma, não estou pregando o abandono da criança, nem dizendo que sou ou você é uma péssima mãe.

É preciso coragem para apontar quando o amor vem como culpa, as dores silenciosas da maternidade. Está na hora, aliás, já passou do tempo, de acolher as mães (as mulheres) que se sentem em conflito por não conseguirem sentir alegria o tempo todo ou por sentirem raiva, tristeza, cansaço.

É sobre isso que quero falar esse mês, que você, mulher/mãe, não está sozinha, que existem tantas mulheres que vivem e sentem as mesmas coisas e é preciso reconhecer e validar esse sofrimento de quem vive a solidão acompanhada.

Eu sonho com o dia em que essa homenagem será também descanso, escuta e cuidado. Para algumas poucas mulheres talvez já seja, mas não é para a maioria de nós. E para esse dia chegar, é preciso reconhecer as cobranças que vêm de fora, assim como as que vêm de dentro. Sim, porque nós, mulheres, nos cobramos demais por padrões que foram introjetados, colocados em nós pela educação e modelos culturais (padrões), durante a nossa vida.

Você está cansada de ser forte?

Saiba: você tem o direito de desabar, porque é muito injusto essa cobrança de que a mulher seja sempre resiliente, forte e tranquila, quando tudo o que ela precisa é ser acolhida.

Na próxima semana vamos refletir como essa romantização está nos adoecendo.

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Até a próxima.

Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755

 
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