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Fátima Baroni Tonezer

Princípios básicos do relacionamento saudável

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Pesquisas como as da Universidade de Harvard, documentários como o “Blue Zone”, da Netflix, entre outros, apontam que a qualidade de vida passa por um estilo de vida que contempla alimentação, sono, exercícios físicos e a cereja do bolo: relacionamentos saudáveis.

Relacionamentos entendidos como todos aqueles que desenvolvemos ao longo da vida: de trabalho, social, familiar e afetivo. O vínculo com pessoas se mostra o ponto central da longevidade e felicidade humana.

COMO DESENVOLVER BONS RELACIONAMENTOS

A qualidade dos relacionamentos que desenvolvemos com os outros é diretamente proporcional ao relacionamento que temos conosco. Vamos olhar os relacionamentos pelo lado de dentro, isto é, como eu preciso me desenvolver e amadurecer para ter bons relacionamentos. Aqui entra o autoconhecimento, assunto tão banalizado quanto difícil de praticar. Isto porque o autoconhecimento pede calma, silêncio, acolhimento. Aprender a se observar e escutar as próprias necessidades.

Silenciar a balburdia do mundo externo com demandas e regras do que ter para ser feliz e bem-sucedido passa por entender os próprios valores, necessidades, o clássico quem eu sou, o que gosto, o que faço bem. Ultimamente entrou na moda ter um propósito. Só que este nunca é algo banal. Tem que ser estrondoso e voltado para o externo, para ganhar holofotes. Raramente algo para aquietar e aquecer o próprio coração.

Outro ponto essencial, que vem com o autoconhecimento, é colocar limites claros, no outro e em mim. E para ter clareza quais são meus limites, preciso desenvolver a capacidade de tolerar frustrações. Aumentar a janela de tolerância, entender que não vou conseguir tudo, não vou agradar todos, que vou errar já que não sou perfeita (e ninguém é).

Adquirir a capacidade de aceitar e aprender com os erros, buscando sempre novas estratégias para lidar com a situação. Isso acaba com a repetição. Para encerrar o ciclo das repetições, é preciso olhar para dentro e encontrar as minhas feridas. E cuidar delas. Uma coisa difícil e necessária é entender que aquilo aconteceu comigo (qualquer “aquilo”). E não, eu não merecia. Mas não merecer aquele sofrimento não apaga o fato de que ele ocorreu. Ao aceitar e me acolher, isto é, tirar a culpa que ficou colocada ali no sofrimento ou a negação do evento, posso finalmente lidar com ele e agir de forma diferente a partir de agora.

Outra demanda para ter bons relacionamentos é aprender a ter as ditas “conversas difíceis”, falar daquilo que me incomoda, que ultrapassa meus limites e fere meus valores. Aqui vale uma ressalva: na busca de manter uma “conversa não violenta” ou uma “conversa assertiva” com o outro, eu acabo me calando ou concordando com coisas que me ferem e tendo uma conversa violenta comigo mesma. Isto quer dizer que se não para brigar ou frustrar o outro eu me calo ou consinto com alguma coisa para ser agradável, evitar brigas e conflitos ou não ser vista como “a reclamona”, eu sou abusiva comigo mesma. E vivo insatisfeita e em conflito.

Poder falar abertamente de qualquer assunto, ser autêntica(o) na relação, sem a necessidade de esconder ou filtrar para evitar aborrecimentos ou retaliações. É sobre sentir segurança ao se expressar, falar do que incomoda, buscar alternativas saudáveis. Não é sobre assumir culpas, é ser responsável pela relação. Isto pede maturidade de ambos os lados. Para essas conversas difíceis acontecerem é preciso a clareza de que o que vamos falar e acertar não é sobre o outro, é sobre comportamentos e atitudes. Não é “você é horrível…”, e sim “quando você age (….), eu me sinto… “.

Na próxima semana vamos continuar conversando sobre relacionamentos, olhando desta vez o que acontece fora, na troca entre duas pessoas, que leva à intimidade. Fica comigo. Se você ainda não me segue, é fácil: @psicofatimabaroni.

Até a próxima.

Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755

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