O Presente
Fátima Baroni Tonezer

Quando a infância cobra um preço: o cansaço da mulher de hoje

calendar_month 15 de setembro de 2025
4 min de leitura

Você já se perguntou por que sente tanto peso sobre os ombros, mesmo quando ninguém está exigindo nada de você? Por que a culpa vem tão rápido quando decide descansar? Ou por que parece que não importa o quanto faça, nunca é o bastante?

Essas perguntas atravessam a vida de muitas mulheres que hoje se reconhecem exaustas, desconectadas de si mesmas e sem espaço para suas próprias necessidades. E a resposta, muitas vezes, está numa história antiga: a adultização infantil. Quando ser criança não foi permitido.

A CRIANÇA INTERROMPIDA!

Adultização não é só trabalhar cedo ou assumir tarefas domésticas ou ser exposta à erotização precoce. Ela acontece de formas silenciosas, como quando você teve que “entender” problemas que não eram seus; foi colocada no papel de conselheira ou confidente dos pais, sabe a “melhor amiga” da mamãe. Ou quando precisou cuidar de irmãos, como se fosse mãe.

E mesmo quando recebeu elogios por ser “forte”, “responsável” ou “madura para a idade”, enquanto por dentro sentia vontade de chorar, brincar ou apenas ser cuidada. Esse tipo de experiência faz com que a criança aprenda cedo que suas necessidades não importam. E esse padrão, infelizmente, se cristaliza. A menina que cresceu rápido demais vira a mulher que nunca descansa. Que se não estiver ocupada fazendo alguma coisa útil e produtiva, sente-se culpada e inútil.

O aprendizado que fica para aquela menina que não pôde ser criança o suficiente é que ela se transforma na mulher que aguenta calada, porque sempre aprendeu a ser forte. Se sente culpada quando pensa em si mesma, porque isso é egoísmo. Não consegue pedir ajuda, porque cresceu acreditando que seu papel era ajudar os outros. E que pedir ajuda, era fraqueza e preguiça.

E pior, vive em alerta constante, como se o mundo fosse desmoronar se ela baixasse a guarda. Já que ela é a responsável pelo bem-estar e felicidade alheia. Que se mantem ocupada mesmo com o corpo desfalecendo, porque é isso que se espera dela, inclusive ela mesma. Que se mantem num relacionamento falido ou abusivo porque é o que aprendeu: você escolheu, então aguenta. E separação é desistir, é não dar conta. A mãe que se sente responsável pela felicidade dos filhos, assumindo lugares e tarefas que não são suas, porque seus filhos não vão passar o que ela passou.

O RESULTADO?

Um cansaço que não é só físico. É a alma pedindo pausa, é o corpo carregando décadas de sobrecarga, é a mente implorando por um espaço de acolhimento.

Anos de pesquisa na Psicologia nos mostram que a adultização precoce fragiliza a autoestima e o amor-próprio, porque interrompe o desenvolvimento natural da criança de aprender a confiar, depender e ser cuidada. Na vida adulta, isso gera uma dificuldade enorme em estabelecer limites saudáveis, em se reconhecer como alguém que merece amor sem precisar provar valor através da entrega constante.

A boa notícia é que você pode se libertar desse ciclo. Olhar para essa história não é sobre culpar o passado, mas sobre se dar o direito de escrever um presente diferente. Você não precisa mais carregar tudo sozinha. Você não precisa ser a forte o tempo inteiro. Você pode descansar sem sentir culpa. Você pode se escolher, mesmo que isso pareça estranho no começo.

Porque a mulher exausta de hoje carrega, muitas vezes, a criança que foi forçada a ser adulta cedo demais. E curar essa criança é abrir espaço para uma vida onde o amor-próprio não seja luxo, mas base. E se este texto tocou você, compartilhe com outras mulheres que também precisam desse alerta. Juntas podemos nos cuidar melhor.

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Até a próxima.

Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755

 
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