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De estrela a constelação

calendar_month 18 de abril de 2026
9 min de leitura

Ao liderar um mercado com mais de 100 concorrentes de peso, família Borges inscreve o sobrenome no rol dos varejistas cascavelenses de repercussão nacional

A família na inauguração da 28ª loja; no detalhe, a supernova geração: os Borges fizeram de uma estrela solitária a constelação líder do mercado

Início dos anos 1980, município de Assis Chateaubriand, 73 quilômetros a noroeste de Cascavel. Um menino franzino e espigado pedala na pesada catraca 14 que movimenta os pneus da bicicleta cargueira. O trajeto cotidiano ligava a Farmácia São Lucas ao acanhado terminal rodoviário. Sergio Borges, então com 12 anos de idade, buscava caixas de medicamentos para o estoque da farmácia.

Ele era office boy, faxineiro, repositor, uma espécie de faz tudo. Aos 16 anos já gerenciava a farmácia em Nova Aurora e aos 18 – talvez guiado pela Estrela D´Alva, objeto mais brilhante do céu noturno depois da Lua – foi transferido para Cascavel.

Aos 21 anos de idade, Sergio convenceu o pai a vender um caminhão Mercedes 1516, e juntou a esse ativo caraminguás de um consórcio para montar a primeira farmácia Estrela, uma loja pequena, não mais que 50 metros quadrados, localizada na rua Paraná, entre a Sousa Naves e a Carlos de Carvalho. A distribuidora de medicamentos Santa Cruz, da tradicional família liderada por Gilberto Mayer, deu crédito ao projeto. “Era 24 de novembro de 1990. Fiquei 16 anos naquele balcão”, recorda-se Sergio.

Ali é que o jovem precisou pedalar mesmo. A vida não era fácil, enfrentou perrengues letais para muitas pequenas empresas, mas o jeito de lidar com as pessoas passaria a ser determinante. Desde muito cedo, ele entendeu que o principal ativo de qualquer CNPJ é o CPF. E tinha um tratamento distinguido para os funcionários.

Mesmo depois de consolidado no mercado, com várias lojas, Sergio Borges fazia questão de receber um a um os funcionários para o pagamento do salário. “Era um momento em que eu podia ouvir aquele colaborador, escutava sobre a vida dele, alinhava com nossos propósitos. Gostar de gente, empatia, faz toda a diferença”, destaca.

NOVAS ESTRELAS

Daquela estrelinha solitária da rua Paraná, fixada no firmamento pelo caminhão do pai, a família Borges produziu uma constelação. Já são 28 lojas e mais de 600 funcionários. Na inauguração mais recente, na última terça-feira (14) no Jardim Universitário, Sergio Borges e o mano Flavio, parceiro desde sempre, passaram longe do microfone.

Era momento de dar palco para as estrelas supernovas. No caso, a segunda geração dos Borges. Discursaram ali Gabriela e Junior, filhos do fundador, e Fabio Borges, sobrinho.

“Estou passando o bastão. Assim que concluir o processo de transição, vou me dedicar ao agro”, avisa Sergio Borges. Ele arrendou há 3 anos a fazenda que cultiva soja em Itiquira (MT), a cerca de mil quilômetros de Cascavel. E para lá pretende voltar.

PITACO DO PITOCO

A veia varejista cascavelense tem muitos sobrenomes de repercussão nacional: Muffato, Bigolin, Destro e Beal, entre outros. A essa lista se acrescenta a trajetória ímpar dos Borges.

Embora a atuação da rede Estrela esteja delimitada a região Oeste, é preciso reconhecer como façanha liderar um mercado com mais de 100 farmácias concorrentes, entre elas redes como a Raia, com mais de 3 mil lojas no Brasil.

Nunca foi fácil para o fundador Sergio Borges. Mas mesmo nos dias de escuras nuvens no céu, ele sempre acreditou que atrás daquele denso nevoeiro havia estrelas. E que não há moléstia corporativa para a qual não se possa prescrever um remédio eficaz.

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Prefeito de Cascavel é homem, branco e europeu

Às vésperas da maior Copa do Mundo, com 48 países classificados, continentes inteiros surgem sub representados na “seleção de prefeitos” da cidade

O português Renato com o italiano Muffato e o afro-brasileiro Lísias Tomé: seleção de prefeitos remete para um recorte étnico homogêneo da sociedade, fato que não se confirma mediante uma visita à populosa periferia da cidade

A Copa do Mundo está aí. Será a maior de todas, com 48 seleções inscritas. Se os atletas fossem recrutados por suas origens étnicas na galeria de ex-prefeitos de Cascavel, os italianos seriam mais numerosos. Dava até para formar uma equipe de futsal. A presença deles em campo é mais pronunciada nos primeiros 40 anos após a primeira eleição. Começando pelo prefeito 01, José Neves Formighieri. Ele governou a cidade entre 1952 e 1956. Na sequência formou-se uma alternância entre italianos e alemães. O germânico Schwartz foi o segundo prefeito, o italiano Mion o terceiro e o alemão Reinhardt o quarto.

Na virada para os anos 1970 e, de resto, a década de 80 também, os italianos comandaram o Paço Municipal com Mion em segundo mandato, Muffato, Scanagatta e Tolentino.

O segundo mandato de Tolentino, entre 1993 e 1996 encerrou o ciclo italiano. Era a vez da seleção portuguesa entrar em campo, com duas exceções: o espanhol Edgar Bueno, com três mandatos, e o afro-brasileiro Lísias de Araújo Tomé.

Afora esses, o domínio português se acentuou com o segundo mandato de Barreiros, eleição e reeleição de Paranhos da Silva e agora com o lusitano Renato Silva.

A mais simbólica das praças remete para os migrantes, muitos deles filhos e netos de imigrantes. E a cruz da Igreja de Roma ao fundo na foto de Nery Cardoso ajuda a explicar a força da “seleção” italiana no Paço Municipal, segundo o professor Piaia

RECORTE ÉTNICO

Embora os poloneses, ucranianos e caboclos fossem majoritários na população de Cascavel na primeira metade do século passado, essas etnias surgem sub-representadas na galeria de ex-prefeitos.

Um único polonês frequentou a chapa majoritária, ainda assim na condição de vice: Assis Gurgacz. No recorte de gênero uma ausência é ainda mais gritante: mulheres. Cascavel nunca elegeu uma prefeita, sequer uma vice. Nunca elegeu uma deputada. Na atual composição da Câmara há uma única cadeira para elas, em 21 disponíveis.

Nas 17 eleições para prefeito realizadas desde 1952, descendentes de europeus do sexo masculino foram eleitos em 16. Por aí é possível dizer que o prefeito de Cascavel típico é homem, branco e europeu.

CONTEXTO SOCIAL

Exposto a esse quadro pelo Pitoco, o historiador Alceu Sperança deu seu parecer sociológico. “Os polacos viviam trabalhando em meio às duríssimas dificuldades do campo e os italianos se concentraram em atividades urbanas. Já os caboclos eram pouco escolarizados”, explica ele.

Para Sperança o fator religioso também pode explicar a ascensão política italiana em Cascavel. A predominância da Igreja Católica, suas escolas confessionais e seus padres italianos podem, na leitura do historiador, ter um papel a explicar esse cenário.

Já o professor Vander Piaia naturaliza o recorte étnico no poder municipal. Ele ressalta que a imigração italiana foi mais acentuada em Cascavel, e que os descendentes de alemães – embora relevantes aqui também – se estabeleceram majoritariamente em municípios da região, como o entorno de Marechal Cândido Rondon.

Ele concorda em termos com a sub-representação dos “polacos”. De um lado, enfatiza que a etnia europeia fundadora da cidade é a polonesa nos anos 1920, mas atenua a exclusão polaca citando forte presença da etnia na Câmara de Cascavel nos anos 1950/60 e aponta a influência política mantida até os dias de hoje pelo “embaixador” Assis Gurgacz.

PITACO DO PITOCO

Em Cascavel, o poder está no masculino. Até a posição das galerias parece reforçar essa premissa. As fotografias das damas estão atrás da escadaria. A galeria masculina está de frente para o “cofre” do município, a Secretaria de Finanças.

Vale notar algumas ausências: não existe a figura de um 1º cavalheiro, como também não existe uma prefeita. E a primeira-dama anterior, Fabíola Paranhos, aparece “solteira” no térreo do Paço. Os retratos que representam os mandatos do marido dela não estão lá.

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Bola com efeito do Júnior surpreende a defesa do juiz?

A saber se Ratinho Junior fará por Alex o que Paranhos fez para Renato; oposição vê “acordo branco” entre o Palácio Iguaçu e Sergio Moro

Ratinho com Sandro Alex: aposta na “zebra” ou fair play sob aplausos do juiz?

As cartas estão na mesa e as equipes entraram em campo: o time de Ratinho Junior, ao centro do campo, vai de Sandro Alex, deputado federal, radialista em Ponto Grossa, ex-secretário de Infraestrutura. Na meia esquerda do gramado, Requião Filho do PDT, em aliança com o PT. Na ponta direita, Sergio Moro abençoado pelo bolsonarismo raiz. Alex não estava nem no banco de reservas de Ratinho. O tempo todo se via no aquecimento o secretário das Cidades, Guto Silva, e calçando as chuteiras o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, enquanto o presidente da Assembleia, Alexandre Curi, surgia encaixando a caneleira sob as meias.

A composição da chapa majoritária governista veio de uma escalação que distribuiu posições para todo mundo. Alex governador, Curi e Guto ao Senado e a vice-governadoria para a jornalista Cristina Graeml. Não é uma escalação definitiva, até porque Greca permanece inquieto no túnel que dá acesso ao campo.
Moro, por sua vez, escalou o cascavelense Edson Vasconcelos na chapa, com candidaturas ao Senado distribuídas para Filipe Barros e Deltan Dallagnol, atleta sujeito a receber um cartão vermelho do TSE antes ainda de tocar na bola.

FAIR PLAY?

“Requiãozinho”, como é mais conhecido o meia esquerda, distribuiu a camisa 13 para Gleisi Hoffmann, candidata ao Senado. E foi justamente a ala esquerda da disputa a levantar dúvidas sobre a escalação de Sandro Alex no time do governador.

Para o presidente do PT, Arilson Chiorato, Ratinho e Moro são cordiais adversários, onde o fair play deve prevalecer em uma espécie de jogo de compadres pelo empate, com vitória do juiz no segundo tempo.Somente o governador poderá dissipar o suposto jogo de cartas marcadas. Se ele chutar a papelada sobre a mesa no Iguaçu e partir para o corpo a corpo com Sandro Alex “embaixo do braço”, é porque não tem conversa com o juiz e o jogo é para valer.

Foi o que fez Paranhos com Renato Silva aqui em 2024. É cedo para cravar. Até agora só se viu boleiros em coletes de treino. E como cravou aquele veterano do mundo da bola, “treino é treino, jogo é jogo”.

Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente

pitoco@pitoco.com.br

 
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