O Presente
Silvana Nardello Nasihgil

Aceitamos como nosso projetos e sonhos dos outros. Isso serve para nós?

calendar_month 23 de abril de 2026
4 min de leitura

Vamos conversar sobre algo que nos fará refletir a vida que estamos vivendo.

Primeiro de tudo, ao invés de nos queixarmos, já nos questionamos se estamos fazendo boas escolhas?

Às vezes, dá a impressão que o mundo está igual ninho de formiga quando alguém pisa dentro. Um monte de gente totalmente sem rumo, indo, só indo sem sem qualquer direção.

Estamos desaprendendo a criar os próprios caminhos e sem perceber estamos copiando, replicando muito do que vemos e ouvimos. Não nos perguntamos se isso ou aquilo serve pra nós. Vamos no embalo, aceitando como nosso projetos e sonhos dos outros.

Hoje tem “influencer” pra tudo, brotando até na calçada da rua. Todo mundo quer falar, quer mostrar, mesmo que não tenha fundamento ou lógica alguma.

Diante de tanto blá-blá-blá, os que abdicaram do direito de pensar, deixam o vazio ser preenchido por palavras sem fundamento e direcionamento que não chega a lugar algum.

Bom seria se o ser humano pudesse ajeitar tudo com simples palavras, programar a vida como girar um botão e pronto. Não funciona desse jeito, somos complexos e a nossa construção tem histórias que precisam ser revisitadas para que se descubra como alinhar o existir.

Nossas curas são processos, muitas vezes dolorosos, que jamais conseguirão se organizar com receita mágica, dinâmicas fantasiosas e palavras motivacionais.

A ciência nos ensina, e quanto mais estudo, mais sei que ainda falta muito para compreender um pouco do que somos, quem somos, do que somos feitos e como podemos organizar toda essa imensidão de sentimentos e emoções que se reúnem dentro de cada um de nós. Não dá pra desconsiderar a complexidade que se reúne em cada ser humano e muito menos que para acessar tudo isso precisa muito mais do que boa vontade.

Existem processos que podem se adaptar a todos, mas não somos todo mundo, já ouviram isso? E definitivamente, não somos!

Somos seres ímpares e cada um foi construído e continua a se construir de forma diferente.

Nossos sentidos recebem e decodificam as vivências de acordo com as nossas particularidades. Por esse detalhe tão pontual e totalmente significativo que tocar a vida de alguém requer muito conhecimento e responsabilidade.

Sair copiando a vida ou tentando ensinar com achismos, tipo receita de bolo, tem uma grande probabilidade de disseminar inverdades que mais atrapalham do que ajudam.

Diante da enxurrada de gente se sentindo capaz, dá medo! Medo porque quem é tocado são os mais vulneráveis e, muitas vezes, sem condições de discernir o certo do errado. Só irão descobrir quando a vida que estava confusa se tornar um caos.

Diante de um mundo tão confuso, tem vindo uma leva de gente que descobriu que estamos à deriva. Diante dessa descoberta, o ser humano hoje é um material muito valioso para os espertos fazerem deles um negócio lucrativo.

Muito triste ver isso se materializando cada dia mais. Essa verdade se constata quando os “abusados” desse povo sem noção, esperando o milagre da cura, veem suas vidas virar um grande pesadelo.

Saúde mental não pode ser tratada como algo que possa ser revertido com uma simples escuta e algumas palavras motivacionais. Saúde mental tem raízes, e essas raízes não podem ser visitadas com algumas dinâmicas, adivinhação sobre passado e futuro, simpatia, empatia ou com o simples mover emocional. Para acessar esse conteúdo precisa tempo, dedicação, conhecimento sólido e um caminhar sem prazo determinado, onde juntos se encontra o equilíbrio.

Por saber e compreender a seriedade de tocar uma vida humana, sigo estudando muito e com a terapia em dia. Não teria como ser uma psicóloga se eu não tivesse quem cuida de mim e das minhas fragilidades… e assim sigo, no caminho da ciência, olhando cada ser humano como único, porque, sem dúvida, cada um é único e merece ser olhado e cuidado como tal.

Precisamos parar um pouco, respirar fundo e avaliar: como está a nossa saúde mental? A quem estamos delegando o direito de andar ao nosso lado e nos auxiliar? Temos realmente consciência da importância de buscarmos o equilíbro e uma vida mais leve?

A gente não pode esquecer: um ser humano pode ter o mundo inteiro aos seus pés, se lhe faltar saúde mental, nada fará sentido.

Para quem você tem entregado os cuidados com a sua vida? Muitos responderão: para Deus! E realmente Ele é o maior auxílio e concordo plenamente. Mas aqui, no mundo em que vivemos, a quem você delega o direito de tocar na sua vida?

Pra pensar!

Por Silvana Nardello Nasihgil. Ela é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

@silnasihgil

Quer ler mais artigos da Silvana? Clique aqui!

 
Compartilhe esta notícia:

Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.
Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.