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Com redução no orçamento, COB mira mulheres e novos esportes

calendar_month 18 de dezembro de 2016
4 min de leitura

 

Wander Roberto/Inovafoto/COB
COB observa lacunas em que o Brasil pode evoluir, e o levantamento de peso feminino é uma destas. Na foto, Emily Figueiredo, destaque nas principais competições das categorias de base

 

O momento ainda é de muitas indefinições. Há processos eleitorais em andamento, contratos com técnicos e patrocinadores em plena negociação e expectativa sobre a estruturação das confederações dos cinco novos esportes aprovados para integrar o programa dos Jogos de 2020, em Tóquio, no Japão. Mesmo sem um panorama concreto, o Comitê Olímpico do Brasil sabe que sofrerá com significativa redução de orçamento em relação ao ciclo da Rio 2016. Assim, a entidade trabalha para maximizar o efeito de seus investimentos. Entre as prioridades estão o apoio às mulheres e a três modalidades novatas, nas quais o COB vê lacunas que podem ser preenchidas pelo potencial brasileiro.

A noção de que 2017 seria um ano com menos investimentos se comparado aos anos do ciclo da Rio 2016 era clara, mesmo antes da crise econômica chegar a um estágio crítico no Brasil. Pelas conversas com o Comitê Olímpico Britânico, sabia-se que a experiência do país-sede era receber um “boom” de patrocínios no ano dos Jogos em casa e depois vivenciar uma forte retração. A incerteza nos mercados nacionais só fez com que o cenário se acentuasse, uma vez que tanto empresas privadas quanto estatais reviram suas estratégias de marketing e, em muitos casos, optaram por encerrar ou minimizar seu apoio a atividades culturais e esportivas.

Como o esporte olímpico em geral trabalha com ciclos de quatro anos, é natural uma revisão dos investimentos. Esportes que conquistaram medalhas na Rio 2016 são tratados como prioritários, além do levantamento de peso, em que foi notada uma evolução de pesos-leve no feminino. Além desse potencial das mulheres, observado também em outros esportes, como a ginástica artística, o COB mira três das cinco novas modalidades do programa de Tóquio 2020 em que acredita que o Brasil possa ter bons resultados: karatê, surfe e skate.

“A gente já tinha uma atenção especial à performance feminina, mas a gente reforça essa atenção especial para os Jogos de Tóquio. Vamos continuar realizando investimento para as mulheres buscarem melhoria da qualidade de suas performances. Entendemos que existem lacunas hoje, possibilidades de evolução das mulheres dentro dos esportes olímpicos. As novas modalidades que entraram no programa trazem um atrativo grande porque são modalidades em que o Brasil tem um destaque internacional consolidado, como o surfe, o skate e o karatê”, disse o gerente-geral de Performance Esportiva do COB, Jorge Bichara.

Nos casos dos estreantes nos Jogos, ainda há muita burocracia até que se definam formatos para classificação e para a competição. Primeiro, o Comitê Olímpico Internacional (COI) precisa alinhar quais órgãos internacionais e nacionais respondem por cada esporte. O karatê, por exemplo, tem uma Federação Mundial (WKF, na sigla em inglês), mas também tem entidades paralelas que o regem. No caso do skate, o órgão reconhecido pelo COI como responsável é a FIRS, que também cuida de esportes como hóquei e patinação.

Nos esportes mais tradicionais, o compasso de espera se deve principalmente à realização de processos eleitorais e ao vencimento de contratos de patrocínio. Preocupa muito o impasse político e administrativo vivido pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), que pode atrapalhar negociações no polo aquático e na natação.

“As confederações estão em processos de renegociação de patrocínios, se adequando à realidade do país no momento, e algumas estão aguardando também outras posições de financiadores, inclusive do COB, para ver como vão se organizar em relação ao seu plano para o próximo ciclo. Algumas já conseguiram estabelecer esses parâmetros, outras não. (…) Eu entendo isso como um processo natural. Você encerra um momento, o mundo dá uma rearrumada sobre quais são as perspectivas para o próximo ciclo”, disse Bichara.

Mesmo sem saber ainda qual o montante que terá à disposição, a equipe do gestor trabalha para manter as melhores condições de preparação para os focos prioritários. Agberto Guimarães, novo diretor executivo de esportes do COB, esteve no Japão no final de novembro para um evento do COI e aproveitou para visitar instalações que podem vir a servir de base para a reta final de treinos da delegação brasileira em 2020.

 
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