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Esportes Futebol

Dirigentes esportivos de clubes rondonenses esperam que a temporada 2021 aconteça no segundo semestre

(Fotos: Divulgação/Arte O Presente)

Uniformes prontos, jogadores escalados, torcida organizada e os tradicionais preparativos finais que antecedem um início de campeonato a todo vapor. Era o cenário da segunda quinzena de março de 2020. Mas, tudo em vão. O Campeonato de Futebol Amador de Marechal Cândido Rondon acabou suspenso em decorrência das medidas restritivas para conter o avanço do coronavírus. Praticamente um ano depois a pandemia não deu trégua. A confirmação de novos casos a cada dia e a superlotação de unidades de terapia intensiva (UTIs) nos hospitais da região são um “balde de água fria” para dirigentes de clubes e atletas, que, diante de tal cenário, seguem sem perspectivas para a realização de um campeonato ou outras programações esportivas ao menos no primeiro semestre de 2021.

Estão inscritas ao campeonato municipal as equipes Grêmio Esportivo Aimoré, da Linha São Cristóvão, distrito de Margarida; Corinthians Esporte Clube, também de Margarida; Guarani Esporte Clube, do Arroio Fundo; Sociedade Esportiva e Recreativa Novo Horizonte; Sociedade Esportiva Recreativa Botafogo; Associação dos Servidores Municipais (Assemar); Esporte Clube São Remo, da Linha Guará; Associação Atlética Banco do Brasil (AABB); e Associação de Moradores de Novo Horizonte.

 

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Dificuldades financeiras

Além da impossibilidade de participar de eventos esportivos, quaisquer outras programações que os clubes tinham para conseguir renda não estão sendo realizadas.

Outra dificuldade apontada por representantes de clubes rondonenses em entrevista ao O Presente é a sucessão dos atuais membros. Segundo eles, a juventude se mostra menos receptiva à atividade e o futuro dos clubes passa a ser uma incógnita. “Há escassez de pessoas que queiram ajudar, lutar ou fazer algo pelo clube. Aquela geração fanática que trabalhava e ajudava exaustivamente vem acabando”, lamentam. Confira.

 

Diretor esportivo do Corinthians de Margarida, Ubiratã Clasen (Bira)

“O desempenho do nosso clube foi prejudicado por causa da pandemia. O último evento que fizemos foi em 23 de fevereiro do ano passado. Estávamos com o Baile da Moto agendado para maio e não conseguimos realizá-lo. Então, quase não tivemos eventos em 2020. O clube estava com as finanças razoavelmente em dia, mas todas as reservas terminaram. No final do ano nos cadastramos na Lei Aldir Blanc (que prevê auxílio financeiro ao setor cultural) e conseguimos passar o ano sem dívida e também sem sobras. Até o primeiro semestre deste ano não conseguiremos participar de evento. Campeonatos também não foram possíveis, apesar do veterano ter sido liberado pelos decretos e ter tido alguns jogos. O plano do clube, com todos os sócios, é fazer algum evento para manter as finanças em dia, porque não temos dinheiro em caixa. Está complicado. Em maio teremos assembleia para eleição da nova diretoria e nesse momento vamos definir algumas coisas. Os patrocínios foram fechados quando o campeonato estava para começar. O fardamento está pronto, porque o campeonato iria começar justo no final de semana do primeiro decreto. Nessa parte está tranquilo, patrocínios de 2020 fechados e time praticamente montado. A expectativa é que o Amador volte só quando não tiver risco de doença. Eu vejo que deve ficar para o segundo semestre. Será um belo campeonato, porque o pessoal está com saudade, será bastante procurado por atletas e torcida e daremos retorno aos patrocinadores. É preciso agradecer tanto a diretoria quanto aos sócios que seguram a barra de um ano difícil. Assim que pudermos retornar, o clube torna a cumprir com sua função social, possibilitando cultura, esporte e lazer a Margarida e região”.

(Foto: Divulgação)

 

Presidente do Botafogo, Cleverson Domingues (Zé Colmeia)

“Começamos 2020 com uma expectativa muito legal. Nossa diretoria vinha para o segundo ano de gestão e estávamos mais organizados, com agenda planejada, jantar, campeonato, participação no Amador com duas equipes e algumas melhorias que sonhamos fazer pelo clube. Infelizmente, veio a Covid-19 e tivemos que deixar de lado todas essas ações. Tínhamos o veterano, que desde sempre tinha duas ou três partidas por mês, mas tivemos que cancelar. Então, ficou um pouco difícil, porque o clube se mantém a partir das programações, não tem como fugir disso. Passamos um ano atípico e começamos 2021 cheios de incertezas. Todo mundo está apreensivo sobre quando vai haver a liberação das atividades, para que a gente possa se reunir e reorganizar tudo. Acredito que hoje toda empresa está com dificuldade para patrocínio. Temos que nos reinventar, já que o clube precisa de melhorias. O veterano também está paralisado. Economicamente, o clube se mantém com alguns aluguéis. Temos parcerias, senão as coisas poderiam ser piores. Há escassez de pessoas que queiram ajudar, lutar ou fazer algo pelo clube. Aquela geração fanática que trabalhava e ajudava exaustivamente vem acabando. A atual diretoria é boa, mas não se vê novas pessoas chegando para passar o bastão. Tanto isso como a questão financeira são as maiores dificuldades. A chama do Botafogo não pode se apagar. É preciso fazer jus aos mais antigos que lutaram para o clube ser um dos mais tradicionais de Marechal Rondon. Estávamos na expectativa de que o futebol amador voltasse nos primeiros meses, porém, com aumento de casos de Covid-19 vai ficar mais difícil. Espero que volte à normalidade dentro da segurança ainda este ano. Temos patrocinadores, uniforme e equipe formada desde quando foi adiado em 2020”.

(Foto: Divulgação)

 

Presidente do São Remo, Marilton Barcé

“Dois mil e vinte foi difícil. No início do ano a competição estava organizada com tudo pronto para começar, tínhamos uma equipe, pagamos a inscrição e não saiu o campeonato. O São Remo tinha uma ‘gordura’ da Festa do Boi no Rolete de 2019 e da nossa tradicional Festa da Tripa Grossa; tínhamos um valor que manteve o clube até o momento. O Clube de Mães realizou atividades em alguns momentos, mas se aquietou em razão dessa doença. Para 2021 a preocupação é com a festa do município. Torcemos para que ela aconteça, pois é o principal evento para trazer dinheiro ao clube, que é pequeno e familiar. As contas, por outro lado, não são altas, então tem como manter. Paramos desde 2019, estamos mantendo, mas evitamos investimentos que acarretem gastos. A participação em campeonatos depende da Liga e da Secretaria de Esportes. A cada dia se torna mais difícil, porque a juventude não se apega a clubes. Temos pessoas de 30 a 40 anos, mas é difícil encontrar jovens que queiram se associar e pagar mensalidade; querem participar, mas estão resistentes com o compromisso de ingressar em um clube. Não querem assumir a diretoria, porque tem muito trabalho, responsabilidade. A melhor situação acaba sendo não ingressar, pois ninguém convida para trabalhar. Todos os clubes estão sofrendo com isso”.

(Foto: Divulgação)

 

Vice-presidente do Grêmio Aimoré, da Linha São Cristóvão, de Margarida, Werner Horn

“Dois mil e vinte foi fraco, porque a Covid ‘entrou’ já no começo do ano. Praticamente não teve nada, a não ser algum futebol suíço que jogávamos nas terças e pessoal de fora nas sextas-feiras. Não fizemos torneio e nem promoção, então as finanças ficam fracas. Dá muito serviço manter um clube, tem corte de grama, limpeza, água, luz e ficou bem difícil. Tínhamos um pouco no caixa, proveniente de baile de anos atrás, mas o valor foi sumindo. Ninguém investe em patrocínio com clube parado, complicou para os times do interior, porque se há atividade direto todo mundo colabora, mas parado assim o pessoal não colabora. A expectativa era de o futebol voltar no início do ano. Como o Ireneo (Kühl) da Liga falava, quem sabe um campeonato de início e outro no final do ano para pegar a temporada quente. Tivemos reunião há algumas semanas com a ideia de flexibilizar para que as coisas andassem, porém agora ficou difícil falar. Não se vê uma luz. A esperança é ter o campeonato no segundo semestre, mas para isso deve melhorar muito a pandemia e avançar a vacinação. Lamentamos tudo isso, porque o Campeonato Amador estava embalado. O Aimoré chegou em 3º no Regional da Amop (Associação dos Municípios do Oeste do Paraná) em 2019, todo ano estava na final do Municipal, mas o que fazer, se até o profissional está assim? É imprevisível, muitos clubes vão falir. Há problemas e uma previsão ruim. Os patrocinadores estão desanimando. É algo imprevisível no amador e profissional. O esporte é bom e saudável, mas está de um jeito que ninguém sabe o que vai acontecer. Nos resta esperar que a pandemia amenize, os casos diminuam, a vacina chegue e a coisa volte ao normal. São dois anos praticamente perdidos. Tem que ver depois a reação do povo, se volta ao normal”.

(Foto: Divulgação)

 

 

O Presente

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