Enquanto dentro de quadra acontecia a final entre Brasil e França, na noite de sábado (8), pela Liga Mundial de Vôlei, nas arquibancadas, a ocasião celebrava os 10 anos da luta de um torcedor, que venceu o câncer. Elvis Kochen, que jogava vôlei em competições amadoras, superou uma série de dificuldades físicas e financeiras para ver os ídolos de perto.
Elvis é de Santa Helena, no oeste do Paraná. O câncer na face que teve o deixou sem audição e com dificuldades para caminhar.
Para vencer os 600 quilômetros de distância entre a cidade natal e a capital, ele precisou economizar boa parte do salário mínimo que recebe mensalmente com a aposentadoria, além de vender a máquina de lavar roupas, para poder pagar os ingressos da Liga Mundial.
Neste sábado, todo o esforço parece ter valido a pena. Além de poder assistir a final, ele conseguiu conhecer dois ídolos do vôlei: o ponteiro Lipe, que está afastado por contusão e o campeão olímpico do vôlei de praia, Emanuel Rêgo.
– Não sei nem se eu consigo dormir à noite, de tão contente que eu estou em estar aqui. Viva o Brasil! Viva o vôlei! – comemora.
Dentro da quadra, ele conseguiu até mesmo largar a bengala e se equilibrar por alguns segundos, lembrando de movimentos que fazia quando jogava vôlei.
– Aqui temos um exemplo da garra pela luta pela vida, por tudo. Ver gente como ele aqui, torcendo por nós, é uma motivação a mais e mais uma confiança de que a gente vai conseguir o título aqui em casa – afirma Lipe.
O encontro com Emanuel rendeu ainda mais emoção. O campeão olímpico presenteou o fã com uma camisa autografada, de um uniforme usado no início da carreira.
– [O esporte] é superação o tempo inteiro, é superação diária, do treino, com o concorrente. Mas é interessante ver que pessoas fora do esporte podem fazer isso – diz Emanuel.
Elvis diz que o presente será guardado com muito carinho.
– Eu não vou conseguir lavar isso aqui nunca, nem usar, para poder guardar pendurado na minha sala – diz emocionado.