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Nômade da bola, “Thor” do Marechal faz história no futsal

(Foto: Gustavo Cunha)
  • Em 2020, Neto ajudou o Marechal a conquistar o vice-campeonato da Liga Paraná (Fotos: Arquivo pessoal)

  • Pelo São Miguel e Foz Futsal: “Honra de jogar com as duas camisas mais pesadas do Estado” (Fotos: Arquivo pessoal)

  • Pelo São Miguel e Foz Futsal: “Honra de jogar com as duas camisas mais pesadas do Estado” (Fotos: Arquivo pessoal)

  • Neto pelo Foz Cataratas em duelo com a Copagril (Fotos: Arquivo pessoal)

  • No IPC Pelindo FC, da Indonésia. “Minha experiência no futsal asiático foi muito legal” (Fotos: Arquivo pessoal)

  • Aos 18 anos, no futebol do Bahrein, Neto teve a primeira experiência no exterior (Fotos: Arquivo pessoal)

  • Com dupla nacionalidade, Neto vai disputar Copa do Mundo pelo Paraguai (Fotos: Arquivo pessoal)

  • Com o filho Miguel: “Minha prioridade” (Fotos: Arquivo pessoal)

  • Junto com o técnico do Marechal, Roberto Nunes: “Neto foi uma contratação certeira” (Foto: Gustavo Cunha)

Brasil, Bahrein, Coreia do Sul, Bulgária, França, República Tcheca, Indonésia, Portugal, Paraguai. À primeira vista, essa parece ser uma lista aleatória de países muito diferentes entre si, mas, na verdade, retrata a trajetória da carreira nômade como atleta de futsal do fixo Neto Veiga, atualmente um dos principais nomes do Marechal Futsal.

Natural de Foz do Iguaçu, Wilson Veiga Neto é filho de Wilson Veiga Junior, o Rita Lee, personagem marcante da história do futsal paranaense e que chegou a morar, e jogar futsal, em Marechal Cândido Rondon na década de 1980.

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Criado em um ambiente esportivo, Neto Veiga presenciou de perto a rivalidade histórica entre Foz Futsal e São Miguel do Iguaçu, quando as duas equipes, juntas, conquistaram sete títulos da Série Ouro entre 1996 e 2002, sendo quatro finais seguidas do Estadual (1998 e 2001) decididas em confrontos diretos.

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Em 2020, Neto ajudou o Marechal a conquistar o vice-campeonato da Liga Paraná (Fotos: Arquivo pessoal)

 

Início

Mas o futsal parecia não ser a prioridade para o menino da fronteira, que queria mesmo era ser jogador de futebol. Com o sonho na mala, embarcou rumo à Capital do Estado. “Joguei futebol de campo dos 12 aos 17 anos no Athletico e no Paraná Clube e com 18 anos me profissionalizei. Fui jogar no Bahrein, depois rodei pela Coreia do Sul, Bulgária e voltei com 22 anos, depois de sofrer uma lesão grave no tornozelo. Não tive mais oportunidades no campo, e então, na época, apareceram algumas propostas que me fizeram voltar a jogar futsal”, recorda.

Tal qual o sobrenome invertido que leva na escalação, Neto Veiga mudou os rumos da carreira e retornou ao ginásio que marcou sua infância, o Costa Cavalcanti, para vestir a camisa do Foz Futsal, que já não vivia os anos de glória da década anterior. Foi então que começou sua peregrinação pelo mundo da bola pesada. “Em 2013 joguei no Foz Futsal, em 2014 fui para o Umuarama, em 2015 voltei para casa, mas para jogar no Foz Cataratas”, lista.

Na temporada seguinte, em 2016, após um breve período no Toledo, uma nova experiência fora do país: jogou na França e depois na República Tcheca. Em seu retorno ao Brasil, uma nova passagem em casa. “Em 2017 retornei para a estreia do Foz Cataratas na Liga Nacional, foi um ano bem positivo”, destaca.

Em 2018, Neto Veiga teve uma passagem pela Intelli, que estava em São Sebastião do Paraíso (MG), antes de realizar um outro desejo de criança, vestir as cores do São Miguel do Iguaçu. “Tive a honra de jogar, a meu ver, com as duas camisas mais pesadas do Estado, Foz Futsal e São Miguel. Cresci vendo esse clássico e tive o prazer de jogar nesses dois times”, pontua.

 

Aventura do “Thor” na Ásia

Em 2019, Neto Veiga, que recebeu o apelido de “Thor” ainda no Foz Cataratas, em referência ao estilo parecido com o herói dos quadrinhos, aceitou o convite para uma nova aventura longe de casa: jogar no IPC Pelindo FC, da Indonésia. “Minha experiência no futsal asiático foi muito legal. É uma liga diferente, na qual apenas estrangeiros com passagens por seleção podem jogar. O futsal da Indonésia está em evolução. Lá o jogo é muito rápido, muita correria, e fui contratado para cadenciar mais o jogo. Os jogadores de lá ainda são inocentes, mas estão evoluindo com a chegada de técnicos e jogadores estrangeiros. O Dí Maria (ex-Pato) e o Diego (ex-Cascavel), por exemplo, estão lá. Até tive convite para retornar em novembro do ano passado, mas por causa da pandemia o campeonato parou”, explica. Segundo ele, a questão financeira também é um atrativo para os brasileiros. “Os contratos lá são de seis meses, e a Liga tem duração de cinco meses. A Liga, financeiramente, é muito forte. Em meio ano de contrato eles pagam o equivalente a dois anos jogando aqui no Brasil”, relata.

 

Família

Antes de voltar a jogar no Brasil, para vestir a camisa do Marechal no começo do ano passado, Neto Veiga teve uma passagem pelo Fundão, de Portugal, mas uma lesão e, principalmente, o amor pelo pequeno Miguel alteraram os planos do jogador. “Retornei para tratar uma lesão. Era para voltar a Portugal, mas estava há muitos meses sem ver meu filho, e foi quando recebi essa oferta do Marechal em fevereiro de 2020. Estou muito feliz, próximo ao meu filho. Há momentos da vida que você não compra, não adianta estar fora ganhando mais dinheiro e longe de quem você ama, então priorizei isso”, enaltece.

Com o filho Miguel: “Minha prioridade” (Fotos: Arquivo pessoal)

 

Albirroja

Bisneto de paraguaio, Neto Veiga recebeu em 2016 o convite para vestir a camisa da seleção do país vizinho. “Estava jogando um torneio em Ciudad del Este e minha mãe tem parentes em uma cidade próxima. Os dirigentes da Federação Paraguaia de Futsal foram assistir, receberam a informação sobre o parentesco, fizeram a busca e acharam o nome da minha mãe nos registros, e então consegui fazer a dupla cidadania. Tem sido uma experiência bem legal, abriu muitas portas, todos na seleção me receberam muito bem, inclusive o treinador Chilavert. É uma oportunidade muito boa, sou grato à seleção, às pessoas que me levaram para lá e sem dúvida a Albirroja (apelido da seleção paraguaia) já está no meu coração”, afirma.

Neto em ação pela Seleção do Paraguai: “A Albirroja já está no meu coração” (Fotos: Arquivo pessoal)

 

Copa do Mundo

No começo de 2020, ainda na época pré-pandemia, Neto Veiga ajudou o Paraguai a garantir a classificação para a Copa do Mundo nas Eliminatórias disputadas na cidade gaúcha de Carlos Barbosa. A competição, inicialmente marcada para o segundo semestre do ano passado, foi adiada em razão da Covid-19, e será realizada a partir de 12 de setembro, na Lituânia. Convocado, Neto Veiga provavelmente será o único atleta que atua no futsal paranaense a disputar o Mundial. A apresentação ao técnico Carlos Chilavert, porém, vai demorar mais um pouco, em virtude dos compromissos pelo Marechal Futsal. “Os jogadores locais e aqueles que jogam na Europa já estão treinando, mas por causa do meu calendário aqui vou me apresentar somente no final de agosto”, expõe.

Na expectativa para disputar uma competição única na carreira de qualquer jogador, o “Thor” aposta em uma boa campanha do Paraguai, que já conquistou o Mundial, em 1988, na final contra o Brasil, ainda na era Fifusa (Federação Internacional de Futebol de Salão), primeira entidade internacional a comandar a modalidade. No ano seguinte, em 1989, a Fifa passou a ser responsável pelos mundiais de futsal.

Na 1ª fase da Copa 2021, a Albirroja estará no grupo E, ao lado de Angola, Japão e da poderosa Espanha. “Acredito que nossa briga direta será com o Japão. Não conhecemos muito bem a Angola, mas não podemos tirá-los da briga. A Espanha está um degrau acima, estamos cientes disso, mas temos grandes chances de classificar na 1ª fase e depois fazer de cada partida de play-off uma batalha. Sabemos que há seleções superiores, com jogadores renomados, mas o Paraguai tem incomodado, seja o Brasil ou outras equipes. Nas Eliminatórias perdemos de 2 a 0 para o Brasil em um jogo equilibrado. Tivemos chances e não fizemos, e o Brasil, em jogadas individuais, que é o diferencial do futsal brasileiro, conseguiu ganhar. Então a nossa meta é passar da 1ª fase e depois pensar em surpreender as outras seleções”, define.

 

Bagagem cultural

Viver em tantos países, graças à bola, deu a Neto Veiga uma bagagem que poucas pessoas terão ao longo da vida. Diferenças como idioma, gastronomia, religião e comportamento foram algo que o atleta teve que se adaptar. “Tive algumas experiências que foram até engraçadas. Quando fui com 18 anos não sabia nem pedir comida no voo, não sabia nem o que era ticket. No começo eu tive muita dificuldade com o idioma, mas aprendi muito sobre esses países. No Bahrein, por exemplo, a cultura é totalmente diferente, a comida também. Tinha ainda a questão religiosa, por isso os treinos eram depois das 18 horas, pois às 17 horas eles rezavam”, relembra Neto do ano vivido no país com população predominantemente muçulmana, onde jogou com um atacante conhecido no futebol brasileiro, Valdir Bigode, ex-Vasco e São Paulo.

Na Coreia do Sul, país que Neto lembra ser “muito militarizado”, a disciplina foi um dos fatores que mais lhe chamou atenção. “Na Coreia, assim como acredito que seja em todos os países asiáticos, eles pregam muito o respeito, especialmente aos mais velhos. Uma vez estava na concentração, fui querer me servir, e alguém me parou, dizendo para esperar os mais velhos. Primeiro foram a comissão técnica e os jogadores mais antigos do clube antes dos mais novos. Aqui no Brasil não estamos acostumados com esse tipo de comportamento. Então, são aprendizados, detalhes que você absorve para sua vida”, considera.

Por outro lado, a gastronomia asiática também está viva na lembrança do jogador, mas não por um viés muito positivo. “Sofri muito com a alimentação. Era muita sopa, peixe que tiravam do mar, matavam na hora e colocavam na mesa para você comer, umas coisas bem diferentes. Na Indonésia experimentei barata, besouro e outros insetos”, recorda, com bom humor.

“Mas o resumo disso tudo é positivo. Você aprende muito sobre a cultura de diferentes países, todos eles têm seus lados bons e ruins. Desde meus 18 anos conheci outras culturas e hoje, com 31, vejo que valeu muito a pena”, garante.

Aos 18 anos, no futebol do Bahrein, Neto teve a primeira experiência no exterior (Fotos: Arquivo pessoal)

 

Marechal

Um dos principais responsáveis pelo convite a Neto Veiga para vestir a camisa do Marechal Futsal em seu primeiro ano de disputa da Série Ouro e Liga Paraná, ano passado, o técnico Roberto Nunes comemora até hoje a “contratação certeira” do jogador. “O Neto é muito importante para o projeto do Marechal, principalmente com sua liderança, postura. Com sua experiência, ele passa maturidade para os atletas mais novos. É como um técnico dentro de quadra. O Neto tem uma boa leitura de jogo, tem como diferencial o ótimo passe e o poder de marcação. Ele traz alegria para o grupo, está sempre alto astral. Ele nos ensina muito a cada dia e está sempre disposto para aprender também. Essas qualidades que o Neto nos dá são muito importantes para nossa equipe e para o projeto. Acertamos na sua contratação. Estamos muito felizes com ele no Marechal”, elogia o treinador.

Pelo São Miguel e Foz Futsal: “Honra de jogar com as duas camisas mais pesadas do Estado” (Fotos: Arquivo pessoal)

 

Neto pelo Foz Cataratas em duelo com a Copagril (Fotos: Arquivo pessoal)

 

No IPC Pelindo FC, da Indonésia. “Minha experiência no futsal asiático foi muito legal” (Fotos: Arquivo pessoal)

 

Com dupla nacionalidade, Neto vai disputar Copa do Mundo pelo Paraguai (Fotos: Arquivo pessoal)

 

Em 2020, Neto ajudou o Marechal a conquistar o vice-campeonato da Liga Paraná (Foto: Divulgação)

 

Junto com o técnico do Marechal, Roberto Nunes: “Neto foi uma contratação certeira” (Foto: Gustavo Cunha)

 

Gustavo Cunha/O Presente

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