O amor virou ódio. Poderia virar paixão novamente? A relação entre Grêmio e Ronaldinho ganhou novo capítulo após o último domingo (15), na vitória do Atlético-MG, na Arena, pelo Brasileirão. Em sua estreia no novo estádio do clube que o revelou, o camisa 10 confidenciou a jogadores tricolores a vontade de retornar ao lugar onde tudo começou, de olho no encerramento da carreira.
Um desejo que, por ora, não indica nenhuma ação do presidente Fábio Koff. O dirigente adota a cautela e repassa a decisão de levar o assunto adiante à torcida. Nas duas vezes anteriores em que enfrentou o Grêmio (Flamengo, em 2011, e Galo, em 2012), R10 havia adotado comportamento de indiferença.
Algo bem diferente do domingo, quando ignorou o repúdio da torcida. Se sentiu tão à vontade que conversou com Kleber antes de iniciar a preparação para o jogo. E, ao final, logo ao chegar à zona mista da Arena, no trajeto até o vestiário visitante, tratou de parar para dar entrevistas e conversou com os atletas gremistas Dida, Zé Roberto e Guilherme Biteco.
A conversa de R10 com o goleiro foi igualmente na zona mista. Logo após, o meia atleticano cumprimentou três seguranças do Grêmio. E perguntou: “Vocês vão lá”?. O lá era um churrasco em sua casa em Porto Alegre. A delegação estava de folga na noite de domingo, afinal, permaneceria na capital gaúcha até a segunda-feira (16) pela manhã antes de embarcar para São Paulo, onde enfrenta o tricolor paulista nesta quarta-feira (18).
A verdade é que a relação do meia continua boa com muitos funcionários tricolores. Jogadores do Grêmio igualmente de folga também foram convidados. Kleber confirmou a conversa. Porém, se recusou a revelar o assunto: “Conheço o Ronaldo. Falamos sempre que jogamos contra. Foram vários assuntos, coisa nossa. Não sei (se teria clima com a torcida para o retorno). Entre os jogadores, acho que sim. É um cara que se dá bem com Renato. Quem tem de falar é a direção. Ele é jogador do Atlético-MG. É algo muito distante para acontecer”.
Se manteve o mistério, o Gladiador levantou um ponto importante do caso. R10 não esconde que admira Renato. O considera um dos grandes treinadores do Brasil. Já com a bola rolando, no domingo, ao se aproximar do banco gremista para cobrar lateral, fez questão de abraçar o maior ídolo azul. O treinador retribuiu o carinho. Depois, em entrevista coletiva, definiu o jogador como um dos melhores do mundo.
Era Renato o técnico do Grêmio no segundo caso de “traição” de R10, na opinião do torcedor. Em janeiro de 2011, ao anunciar o desejo de sair do Milan e voltar ao Brasil, o jogador recebeu ofertas do Tricolor, do Palmeiras e do Flamengo. Preferiu o carioca. O primeiro, em 2001, foi a saída traumática ao PSG, na qual o clube francês aproveitou o final do acordo para contratá-lo sem pagar indenização. Ao recorrer à Fifa, o Grêmio conseguiria receber pagamento anos depois.
Fábio Koff falou da relação complicada com o atleta: “Ronaldinho tem uma relação de amor e ódio com o Grêmio. No domingo, não falei com ele. Tenho boa relação inclusive com a família. Recordo dele pequeno, com 14 anos, na escolinha na época em que era presidente. Nós temos uma concepção sobre o futebol em 2014”.
“Vamos ver se há interesse em contar com jogadores consagrados. O Ronaldinho tem um marketing muito forte, nome de respeito. Acho difícil, hoje é uma relação do ódio. Temos de resolver isso um momento oportuno. Mas uma coisa é clara: eu vou estar sempre com a torcida. Caso a torcida queira ele ou não”. Há um pensamento entre dirigentes tricolores que a relação pode ter dois propósitos: reaproximação ao Grêmio ou pressão por renovação de contrato com o Atlético-MG, a partir de uma concorrência.