Marili Besso Koehler
Muitos se lembram do leite comercializado pelos produtores rurais em garrafas de vidro e mais recentemente de pet. O que começou de forma tímida e simples se tornou uma proposta saborosa e tentadora a partir dos derivados do leite que começaram a ganhar espaço na mesa das famílias do pequeno município de Pato Bragado.
Não é à toa que a cidade com pouco mais de cinco mil habitantes tem uma diversificação de produtos, já que a produção leiteira é de, em média, 1,5 milhão de litros/mês.
E o crescimento com consumidores cada vez mais exigentes fez com que a família de Írio e Dalci Bender projetasse novas instalações para atender toda a demanda. Uma nova fase à família de produtores de leite iniciava a partir daí. Os filhos Anderson e Tânia resolvem colocar em prática o sonho da agroindústria familiar e, com isso, a permanência no campo com a sucessão ao trabalho iniciado pelos pais.
Construída na Linha Bariguí, a pequena e familiar Latícinos Bender, com pouco mais de 80 metros quadrados, funciona há quatro anos. Segundo Anderson, produz cerca de 500 litros de leite processado e pasteurizado ao dia. O leite que dá origem aos vários formatos, produtos e sabores vem de produtores das redondezas, com a marca Bender Alimentos. “Além do leite embalado a vácuo também fabricamos queijos, natas, requeijões e iogurtes que são comercializados nos mercados, mercearias, padarias, sorveterias, pizzarias, merenda escolar e no novo empreendimento da família, o Hotel Bender”, revela.
JOGADA DE MESTRE
Não foi à toa que a família inovou, optando pelo ramo hoteleiro. Nesse nicho estava a certeza de que a matéria-prima da família poderia ser ainda mais aproveitada e rentável. “De início pensamos em criar um ponto de venda em frente a nossa casa, já que moramos na cidade, mas o hotel foi a alternativa viável para o incremento da fonte de renda a toda família e hoje todos estão empregados”, menciona Anderson.
A família serve diariamente um café colonial aos seus hóspedes. Na mesa, frutas, sucos, produtos industrializados e o carro-chefe que são os derivados do leite, como o queijo tipo trançado, nozinho, colonial, colonial temperado, trufado (com recheio de goiabada), muçarela, fatiado, em barra, além do iogurte e da variedade de pães de milho, trigo e integral e dos biscoitos produzidos pela matriarca, aos olhos de Tânia, a filha, que é nutricionista. “Por termos essa vantagem da matéria-prima e o quesito qualidade, podemos servir deliciosas variedades coloniais que nossos hóspedes muitas vezes não provariam em outros hotéis, sem contar os custos que diminuem e são repassados também aos clientes”, garante a profissional.
E é preciso empenho constante da família para tudo isso. Dia a dia, sem hora pra dizer “agora chega”, pois, além do público tradicional, é necessária produção leiteira para alimentar as crianças da escola municipal (em torno de 600 alunos) através do Programa da Merenda Escolar e do Programa do Leite, que beneficia 36 famílias com um litro de leite diário por criança, de três a seis anos.
A lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009, determina que 30% do valor repassado pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) sejam investidos na compra direta de produtos da agricultura familiar, na intenção de estimular o desenvolvimento econômico e sustentável das comunidades.
A nutricionista dos educandários escolares de Pato Bragado, Janice Roos Hackmann, comenta que a família Bender também é responsável pela produção de leite, queijo muçarela, nata e manteiga que são utilizados nas preparações do cardápio da merenda escolar de aproximadamente 570 alunos da Escola Municipal Marechal Deodoro e 110 alunos do Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Gotinha de Mel.
A nutricionista se diz feliz por adquirir esses produtos, dando prioridade para a produção local e valorizando a agricultura familiar. “Na nossa região são poucos os municípios que têm o privilégio de contar com alimentos oriundos da agricultura familiar”, enaltece, atribuindo como grandes vantagens a procedência conhecida, a entrega imediata e, principalmente, a qualidade, já que não possuem conservantes.
Írio conta que cresceu vendo o pai vender leite. “Eu mesmo levava os litros em bolsas costuradas pela mãe e já pensava em uma indústria de laticínios”. Dalci emenda: “Estou muito feliz porque sempre quis um ambiente melhor. Hoje com a família reunida, trabalhamos e crescemos juntos”.
Confira a matéria completa na edição impressa desta terça-feira (03).