De um total de 40.218 veículos, segundo dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran/PR), Marechal Cândido Rondon conta com um grande número de motocicletas: 11.151. Elas ajudam o trânsito fluir mais rapidamente, entretanto são motivo de preocupação, uma vez que a maior parte dos acidentes registrados no município envolvem motociclistas, e quase todos os acidentes geram vítimas, independente da gravidade ou de quem está certo ou errado.
Três casos de óbito de motociclistas foram registrados recentemente no perímetro urbano. As mortes aconteceram em virtude de graves ferimentos causados pelos acidentes – isso um mês depois da campanha Maio Amarelo, a partir da qual foram feitos alertas sobre índices de violência no trânsito e orientações de conscientização.
O primeiro caso ocorreu no último dia 10, quando um homem de 54 anos faleceu em decorrência de uma queda de motocicleta no Bairro Barcelona. A segunda situação foi registrada na última quarta-feira (14), quando William Júnior da Costa, de 20 anos, entrou em óbito no hospital devido aos graves ferimentos após um acidente com um veículo ocorrido no cruzamento da Avenida Rio Grande do Sul com a Rua Marechal Deodoro. Adriel Marcelo da Silva, 19 anos, que também se feriu, seguia internado na segunda-feira (19) no Hospital Rondon. Não foi divulgada informação sobre o estado de saúde do ocupante da motocicleta. O terceiro e mais recente caso ocorreu na noite de segunda-feira, quando Matheus Henrique Laske perdeu a vida em decorrência dos graves ferimentos causados por um acidente no Bairro Botafogo.
Diante dos perigos que o trânsito representa, autoridades da Polícia Militar (PM), do Corpo de Bombeiros e representantes de revendas chamam a atenção para a necessidade de se utilizar um capacete em bom estado de conservação e que tenha selo de inspeção, o qual comprova a procedência e eficácia do equipamento indispensável à vida de todo motociclista.
Selo do Inmetro
Inúmeros comentários são emitidos pelos condutores de motocicletas e de veículos em geral sobre os modelos de capacetes. Entre eles está o prazo de validade, cuja exigência não é confirmada pelo responsável pelo Setor de Trânsito da 2ª Companhia da PM de Marechal Rondon, soldado Claudinei de Oliveira Garcia. “A gente cobra nas fiscalizações de rotina se o capacete possui o selo do Inmetro e se ele está devidamente afixado à cabeça. Além disso, o capacete deve ter dispositivo retro refletivo, jugular com engate rápido e não no formato de argola, assim como estar em bom estado de conservação”, explica.
Conforme Garcia, um dano ou fissura no equipamento obriga a inutilização dele e aquisição de um capacete em boas condições. “Nós verificamos como está o estado do capacete, porque se sofreu uma queda nós indicamos que o condutor substitua-o. Isso ocorre porque como a maior parte é feita em plástico, uma queda já condena esse capacete”, esclarece, lembrando que o produto leva 300 anos para se decompor na natureza. Além disso, a PM recomenda a utilização do capacete fechado e sempre com viseira abaixada.
Infrações
Com o objetivo de que os condutores e ocupantes de motocicletas se conscientizem de que o capacete deve estar de acordo com as normas preconizadas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para oferecer maior segurança, a PM realiza fiscalizações e aplica multas caso haja desobediência ao que a lei exige.
“O artigo 230 cita como infração grave trafegar sem equipamento obrigatório ou estabelecido pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito). Se eu conduzir a minha motocicleta sem que o capacete esteja devidamente afixado à cabeça vou gerar infração de acordo com o artigo 169, que é dirigir ou conduzir sem atenção aos devidos cuidados indispensáveis à segurança. Tal infração é leve. Já conduzir motocicleta com capacete com a viseira levantada gera infração gravíssima, cabendo inclusive a suspensão da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) do condutor”, enfatiza Garcia.
Qualidade e Segurança
Segundo ele, é imprescindível que o motociclista e carona primem pela própria segurança utilizando um capacete em boas condições na sua estrutura com procedência e qualidade, e dentro das regulamentações do CTB. “Alguns modelos de capacetes são proibidos, como ‘os coquinhos’, entre outros tipos que não protegem a cabeça no momento de uma colisão”, enaltece. “Nós não cobramos prazo de validade, desde que esteja nas condições emitidas pelo Inmetro. Se o capacete caiu e tem sua estrutura danificada a gente cobra a substituição. Cabe ao condutor primar pela própria segurança quando está trafegando de motocicleta”, ressalta o soldado.
Cuidados Simples
Cuidados simples são importantes aliados dos motociclistas. O tenente Lucas Schlogl, do Corpo de Bombeiros de Marechal Rondon, diz que o motociclista deve trafegar sempre aplicando a direção defensiva. “Em relação aos capacetes, a gente observa muita gente com a jugular aberta, o que faz com que o capacete saia da cabeça em caso de impacto, não cumprindo com o papel de proteção. É importante lembrar de manter a jugular (cordão) e a viseira fechadas para se resguardar em casos de acidentes”, orienta.
“Em diversas ocorrências atendidas notamos que quem está com o capacete com a viseira aberta resulta com ferimentos no rosto devido à exposição. Na hora de uma batida o rosto fica esfolado ou sofre uma pancada forte”, alerta.
Schlogl descreve que no caso do acidente da última semana um policial militar de folga e um médico que estavam nas proximidades prestaram o atendimento inicial às duas vítimas, e posteriormente foi acionada a ambulância do Corpo de Bombeiros que levou os rapazes à Unidade 24 Horas e depois ao Hospital Rondon. “O principal ferimento do rapaz que veio a óbito foi o trauma em face, cujo rosto estava muito machucado, além de outros ferimentos. Ele estava inconsciente já no local do acidente”, lamenta.
Motociclistas estão mais preocupados com a segurança
De acordo com representantes de duas concessionárias de motocicleta de Marechal Rondon, os condutores e seus caronas estão cada vez mais preocupados com a questão segurança, especialmente a faixa mais jovem da população. Segundo eles, essas pessoas têm observado ser fundamental utilizar um capacete de procedência e em bom estado de conservação.
O diretor da Kaefer Motos Honda, Rolf Kaefer, comenta que os valores dos capacetes variam entre R$ 80, R$ 340 e R$ 600, sendo que o carro-chefe é formado por capacetes de R$ 80 a R$ 150. “Hoje a comercialização de capacetes tanto abertos quanto fechados tem regulamentação. Os capacetes abertos devem ser usados apenas nas vias urbanas, enquanto os fechados servem para todos os tipos de vias. Independente disso, o motociclista deve trafegar com um capacete em bom estado de conservação e que tenha selo do Inmetro”, salienta.
“Há vários anos a gente desenvolve uma campanha para conscientizar o motociclista da nossa cidade e região. Compramos o capacete usado de qualquer procedência que esteja sem condições de uso por
R$ 15 na compra de um capacete novo. Temos entre 100 e 200 capacetes para desmontar, separar cada parte e dar a destinação correta. Todos os capacetes que comercializamos são certificados pelo Inmetro, atestando a origem do produto. Existe uma preocupação muito grande em comprar capacetes e acessórios de maior qualidade, principalmente pelos novos motociclistas”, completa.
Capacete Firme
O responsável pelo setor de peças e acessórios na Tropical/Yamaha, Humberto Marchi (Beto), destaca que todo capacete deve ser firme ao seu usuário para oferecer segurança. “Algumas pessoas usam o capacete folgado, o que é um erro. O capacete tem uma numeração. É isso que oferece pressão e segurança ao motociclista. É preciso haver pressão, dificuldade para colocar e retirar. A partir do momento em que perde essa firmeza na parte interna próximo da bochecha é a hora de trocar porque o capacete não cumpre mais a sua função”, alerta.
Beto ressalta que tanto os capacetes abertos quanto os fechados são liberados para uso pelo Inmetro, o que deve é haver certificação e estar sempre com a viseira abaixada. “É lógico que o capacete fechado protege mais. Outro detalhe é que deve ser usado com a viseira abaixada e com o cordão fechado através do engate”, enaltece.
Segundo ele, na empresa os valores variam conforme os modelos, ficando na faixa de R$ 75, R$ 330 e R$ 600, sendo os preferidos os de
R$ 75 a R$ 150. “É preciso dar atenção especial na parte do Inmetro, pois a exigência é de que todos os capacetes tenham essa certificação, afastando o risco de multas e oferecendo proteção ao motociclista. Percebemos que os motociclistas aos poucos adotam mais cuidados quanto à segurança”, finaliza.