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Após confusão causada por montagem de Bolsonaro agredindo jogador do Paraguai, 57 painéis publicitários na fronteira com o Brasil são desativados

Estruturas consideradas irregulares foram retiradas de Cidade do Leste dias após a exibição de imagens atribuídas a um ataque hacker


calendar_month 14 de junho de 2026
5 min de leitura

Quase 60 painéis publicitários foram retirados de Cidade do Leste, no Paraguai, após a repercussão causada pela exibição de uma montagem que mostrava o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) agredindo o jogador paraguaio Gustavo Gómez.

A ação foi realizada pelo governo paraguaio em uma das principais vias de acesso entre o Paraguai e o Brasil. Veja o antes e o depois na imagem abaixo.

A montagem apareceu no dia 30 de maio em pelo menos três telões instalados na região da Ponte da Amizade. Durante cerca de uma hora, os painéis exibiram montagens com Bolsonaro ao lado de provocações políticas e futebolísticas contra o Paraguai, incluindo uma cena em que ele aparecia agredindo Gustavo Gómez, escalado para a Copa. 

As empresas responsáveis pelos telões afirmaram que a exibição das imagens foi resultado de um ataque hacker aos sistemas. A Polícia Nacional do Paraguai investiga o caso.

Imagens mostram o antes e o depois de centro de Cidade do Leste — Foto: MOPC Paraguai

Imagens mostram o antes e o depois de centro de Cidade do Leste — Foto: MOPC Paraguai

Após o episódio, o Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) anunciou a retirada de estruturas publicitárias consideradas irregulares instaladas na faixa de domínio das rodovias, área que pertence ao Estado.

Em comunicado, o MOPC informou que não autoriza a instalação de cartazes e painéis publicitários na faixa de domínio das rodovias. O órgão citou a Lei nº 5.016/2014, que proíbe estruturas capazes de comprometer a visibilidade dos motoristas ou representar risco à segurança viária.

Segundo o ministério, além de provocarem poluição visual, os painéis podem colocar em risco a segurança no trânsito. A pasta também informou que mantém processos administrativos e ações judiciais para remover estruturas instaladas em desacordo com a legislação, mas que decisões judiciais, em alguns casos, atrasam a execução das medidas.

g1 entrou em contato com as empresas responsáveis pelos telões para comentar a retirada das estruturas após a determinação do governo paraguaio, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.

Todo o material removido foi encaminhado para depósitos do MOPC em Minga Guazú, onde permanecerá armazenado até eventual solicitação formal de devolução pelos proprietários.

Imagem foi exibida em três telões

As imagens mostraram, por cerca de uma hora e em pelo menos três painéis, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao lado de provocações políticas e futebolísticas contra o Paraguai, incluindo uma cena em que ele aparece agredindo o jogador Gustavo Gómez.

A montagem dizia que o “Brasil mandou e desmandou no campo e na política”, acompanhada da imagem do político sentado nas costas do jogador, o puxando pelos cabelos. No canto inferior da montagem, havia a provocação “o Hexa é nosso”.

Montagem foi produto de uma invasão hacker — Foto: Reprodução/ Rede Sociais

Montagem foi produto de uma invasão hacker — Foto: Reprodução/ Rede Sociais

Revoltados, moradores destruíram um dos telões, nesta sexta-feira. Segundo relatório do Departamento de Segurança Turística do Paraguai, equipes policiais acompanharam a confusão para evitar confrontos e preservar a segurança no local. Veja:

Moradores destruíram telão — Foto: Reprodução/ Rede Sociais

Moradores destruíram telão — Foto: Reprodução/ Rede Sociais

Empresas se manifestam

Foi identificado que os telões pertencem a duas empresas: Fast Print e Publimix.

A Fast Print e a Publimix alegam que os sistemas foram alvo de invasão hacker e que o conteúdo foi divulgado por meio de “manipulação não autorizada” das telas publicitárias. Em nota, disseram que estão colaborando com as autoridades competentes e com os responsáveis técnicos para esclarecer os fatos, identificar os autores e determinar as responsabilidades correspondentes.

A New Zone informou que não teve participação na divulgação do conteúdo e afirmou que solicitou esclarecimentos imediatos à empresa responsável pelos anúncios, além da retirada das imagens.

As empresas afirmaram que uma denúncia criminal foi formalizada junto à Promotoria de Crimes Cibernéticos, no Paraguai.

Até a última atualização desta reportagem, não havia informações sobre quem criou a montagem ou invadiu o sistema para exibi-la.

Prefeitura abre denúncia

A prefeitura de Cidade do Leste afirmou que abriu uma investigação administrativa para apurar o caso e identificar os responsáveis pela divulgação das imagens.

No mesmo dia, em vídeo publicado nas redes sociais, informou ter formalizado uma denúncia na Fiscalía, órgão do Paraguai correspondente ao Ministério Público no Brasil.

Presidente ordena retirada de painéis

Santiago Peña, presidente do Paraguai, usou as redes sociais para se manifestar sobre a montagem. Na publicação, afirmou ter ordenado que o Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai retire as estruturas.

Ele também lamentou a situação e disse que “esse tipo de ação não contribui para o entendimento nem para o respeito que devem prevalecer entre os povos”.

Santiago Peña se manifestou sobre montagem exibida em telões na Cidade do Leste. — Foto: Reprodução/Redes sociais

Santiago Peña se manifestou sobre montagem exibida em telões na Cidade do Leste. — Foto: Reprodução/Redes sociais

Confira a tradução na íntegra:

“Lamentamos os cartazes ofensivos instalados em Cidade do Leste. Esse tipo de ação não contribui para o entendimento nem para o respeito que devem prevalecer entre os povos.

O Paraguai está vivendo um dos seus melhores momentos. Cresce, atrai investimentos e avança com força rumo ao futuro. Talvez isso incomode alguns. A nós, isso motiva a continuar trabalhando para que o gigante que é o Paraguai siga crescendo e ocupando o lugar que merece.

Ordenei ao MOPC a retirada de todas essas estruturas, assim como de qualquer outra instalação irregular que ocupe espaços públicos, no âmbito das atribuições legais que a instituição vem exercendo em diferentes pontos do país. O Paraguai seguirá em frente”.

Com G1

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