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| Beto Richa: O que julgo fundamental é a necessidade de desconcentrar os investimentos, tendo como foco as cidades menos desenvolvidas, com descentralização e regionalização da presença do Poder Público (Foto: Divulgação) |
Oprefeito Beto Richa, deixa a Prefeitura de Curitiba na pr oacute;xima ter ccedil;a-feira (30). Eacute; pr eacute;candidato do PSDB ao Governo do Estado. Na entrevista a seguir, fala do trabalho que desenvolver aacute; a partir de abril, das alian ccedil;as para as elei- ccedil; otilde;es e de suas propostas para governar o Paran aacute;. Confira.
O senhor est aacute; deixando a Prefeitura de Curitiba como pr eacute;-candidato ao Governo do Estado. O que est aacute; definido sobre as elei ccedil; otilde;es? Alguma coliga ccedil; atilde;o j aacute; acertada?
Beto Richa ndash; No final de fevereiro o diret oacute;rio estadual do PSDB, por unanimidade, indicou meu nome como pr eacute;-candidato ao governo. A campanha s oacute; come ccedil;a depois da conven ccedil; atilde;o que vai referendar nossa candidatura, em junho. At eacute; l aacute;, conversaremos com os partidos interessados em alian ccedil;as. A ideia eacute; renovar, e at eacute; ampliar, a ampla coliga ccedil; atilde;o partid aacute;ria que apoiou minha reelei ccedil; atilde;o como prefeito de Curitiba, incluindo setores importantes do PMDB. Se n atilde;o for poss iacute;vel, vamos para a disputa. Uma campanha de propostas, com compromissos que caibam no or ccedil;amento do Estado, sem promessas mirabolantes. E uma campanha sem agress otilde;es nem ataques, sem baixarias ou cal uacute;nias. Acredito, ali aacute;s, que o debate propositivo vai prevalecer.
Como pr eacute;-candidato, o senhor j aacute; tem um diagn oacute;stico do Estado?
Beto Richa ndash; N atilde;o eacute; poss iacute;vel ver o Paran aacute; de uma s oacute; maneira. O desenvolvimento do Estado se deu de forma muito heterog ecirc;nea, concentrando-se em algumas regi otilde;es, em preju iacute;zo de outras, onde o IDH ( Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano) eacute; baixo e as possibilidades de educa ccedil; atilde;o e emprego s atilde;o limitadas. A popula ccedil; atilde;o deixa os pequenos munic iacute;pios, sobretudo nessas regi otilde;es, porque n atilde;o tem oportunidades. Isso cria um c iacute;rculo vicioso, pois priva as pequenas cidades de sua maior riqueza, que s atilde;o as pessoas, e pressiona a periferia das cidades maiores, que n atilde;o t ecirc;m infraestrutura social, urbana e de servi ccedil;os em quantidade necess aacute;ria para atend ecirc;-las. Esse diagn oacute;stico ser aacute; aprofundado com uma s eacute;rie de audi ecirc;ncias p uacute;blicas por todo o Paran aacute;. Vamos ouvir as pessoas que vivenciam os problemas e o cotidiano do Estado. Saber quais s atilde;o n atilde;o apenas as aspira ccedil; otilde;es mais pr aacute;ticas e imediatas dos cidad atilde;os, mas tamb eacute;m seus sonhos. Numa perspectiva de prazo maior, eacute; fundamental para enfrentar o grande desafio que eacute; governar o Paran aacute;. Em Curitiba, a realiza ccedil; atilde;o de audi ecirc;ncias p uacute;blicas, em todos os bairros da cidade, teve um papel central na formula ccedil; atilde;o do or ccedil;amento e das pol iacute;ticas p uacute;blicas.
Como reverter esse c iacute;rculo vicioso de abandono dos pequenos munic iacute;pios e incha ccedil;o das grandes cidades?
Beto Richa ndash; Estado, prefeituras, empresas, cidad atilde;os, sindicatos, universidades, ONGs e associa ccedil; otilde;es, em parceria, devem identificar as potencialidades de cada microrregi atilde;o, assim como suas fragilidades, a fim de fixar estrat eacute;gias de desenvolvimento sustent aacute;vel, que tornem a cidade e a regi atilde;o autosuficientes. O Poder P uacute;blico tem o dever de prover infraestrutura – transporte e energia, principalmente – e servi ccedil;os b aacute;sicos, al eacute;m de agir como indutor do crescimento. Mas cada regi atilde;o, com suas caracter iacute;sticas, tem uma voca ccedil; atilde;o socioecon ocirc;mica e demandas espec iacute;ficas. A partir disso, eacute; poss iacute;vel lan ccedil;ar as condi ccedil; otilde;es para um desenvolvimento mais homog ecirc;neo, com redu ccedil; atilde;o das desigualdades regionais e mais qualidade de vida.
Nessa linha quais seriam as prioridades do Estado?
Beto Richa ndash; Sa uacute;de, educa ccedil; atilde;o, gera ccedil; atilde;o de emprego e combate agrave; viol ecirc;ncia s atilde;o pontos cruciais. Em todos eles, a interven ccedil; atilde;o do Estado deve se harmonizar com a ccedil; otilde;es regionais e locais. Na sa uacute;de, por exemplo, o cidad atilde;o precisa dispor de aten ccedil; atilde;o b aacute;sica onde mora e de especialidades a uma dist acirc;ncia razo aacute;vel de casa. Eacute; inaceit aacute;vel que ainda hoje as pessoas precisem se deslocar mais de 100 quil ocirc;metros para um atendimento emergencial. Nada contra dar ambul acirc;ncias aos munic iacute;pios, mas o que as pessoas precisam eacute; de estrutura b aacute;sica de sa uacute;de e de atendimento especializado rapidamente acess iacute;veis.
A sa uacute;de eacute; um problema grave, mas as pessoas tamb eacute;m est atilde;o preocupadas com a escalada da viol ecirc;ncia, que chegou agrave;s pequenas cidades. Como conter a criminalidade?
Beto Richa ndash; Olha, de acordo com dados oficiais da Secretaria de Seguran ccedil;a, o n uacute;mero de crimes contra a pessoa, que era de 81.800 em 2007, subiu para 107.853 em 2008. Um aumento absurdo de 31,8% que embute uma informa ccedil; atilde;o ainda mais assustadora: a maioria das v iacute;timas s atilde;o os nossos jovens. Isso requer um conjunto de medidas sociais, culturais, econ ocirc;micas e de educa ccedil; atilde;o que assegurem capacita ccedil; atilde;o, lazer e emprego. Mas uma quest atilde;o muito espec iacute;fica, ligada ao setor, eacute; o inadi aacute;vel aumento do n uacute;mero de policiais civis e militares em todo o Estado, a partir da atualiza ccedil; atilde;o de estudos de demanda, que h aacute; v aacute;rios anos n atilde;o s atilde;o feitos. Acredito que a amplia ccedil; atilde;o dos quadros e a moderniza ccedil; atilde;o da pol iacute;cia, sobretudo na aacute;rea de intelig ecirc;ncia, ter atilde;o resultados efetivos, especialmente se acompanhadas do fortalecimento da pol iacute;cia comunit aacute;ria. Por fim, estou certo de que eacute; poss iacute;vel aperfei ccedil;oar a coopera ccedil; atilde;o e asopera ccedil; otilde;es conjuntas entre as pol iacute;cias estaduais e a Pol iacute;cia Federal nas regi otilde;es estrat eacute;gicas para o combate ao tr aacute;fico de drogas, como a fronteira e as cidades e estradas situadas na rota do tr aacute;fico.
E para a agricultura, qual eacute; sua proposta?
Beto Richa ndash; Primeiro, eacute; necess aacute;rio garantir o b aacute;sico. Por exemplo, uma eficaz pol iacute;tica de controle da aftosa sem vacina ccedil; atilde;o, capaz por si s oacute; de agregar grande valor aos resultados da agricultura. Tamb eacute;m eacute; necess aacute;ria uma pol iacute;tica agressiva de agroindustrializa ccedil; atilde;o, para valorizar a nossa produ ccedil; atilde;o, integrando e adensando as cadeias produtivas a partir da valoriza ccedil; atilde;o dos arranjos produtivos locais. A amplia ccedil; atilde;o do cr eacute;dito agr iacute;cola facilitaria objetivos estrat eacute;gicos, como maior integra ccedil; atilde;o internacional do setor. O que se espera do Estado eacute; que melhore as estradas rurais, aprimore o Porto de Paranagu aacute; e analise rapidamente as alternativas em ferrovias. O ped aacute;gio caro eacute; um gargalo, que pode ser contornado com di aacute;logo. N atilde;o creio em intransig ecirc;ncia da parte das concession aacute;rias. Elas t ecirc;m interesse em ser parceiras do produtor no processo de desenvolvimento econ ocirc;mico.
Agroneg oacute;cio ou agricultura familiar?
Beto Richa ndash; Eacute; um dilema inteiramente falso. S atilde;o atividades complementares. O agroneg oacute;cio produz empregos, renda, divisas e tecnologia. Sem a for ccedil;a do agroneg oacute;cio o pa iacute;s estaria insolvente h aacute; muito tempo, n atilde;o teria como honrar compromissos externos e a conta de servi ccedil;os estaria estourada. Vejo na agricultura familiar e nas cooperativas um grande volume de produ ccedil; atilde;o e um potencial ainda maior. Podem ser incentivadas como duas extraordin aacute;rias aliadas num programa estadual de seguran ccedil;a alimentar. Em Curitiba, as lojas do Armaz eacute;m da Fam iacute;lia vendem para a popula ccedil; atilde;o de baixa renda alimentos produzidos por pequenos e m eacute;dios produtores de v aacute;rias regi otilde;es do Estado. A pre ccedil;os, em m eacute;dia, 30% abaixo do mercado. Em cinco anos, essas fam iacute;lias economizaram R$ 223 milh otilde;es. A seguran ccedil;a alimentar eacute; prioridade e um programa desta natureza pode ser transposto para o acirc;mbito estadual, com base na experi ecirc;ncia de Curitiba.
Eacute; poss iacute;vel conciliar a produ ccedil; atilde;o agr iacute;cola com a preserva ccedil; atilde;o do ambiente?
Beto Richa ndash; O produtor paranaense tem perfeita consci ecirc;ncia da necessidade de preserva ccedil; atilde;o ambiental, de preserva ccedil; atilde;o de reservas, de prote ccedil; atilde;o das matas ciliares e de cuidados no plantio e cultivo do solo. Sabe que isso cada vez valoriza mais o seu neg oacute;cio. O agricultor, aqui no Paran aacute;, n atilde;o pode ser visto pelo Poder P uacute;blico como advers aacute;rio, mas como aliado na preserva ccedil; atilde;o do meio ambiente. No agroneg oacute;cio ou na agricultura familiar, as pessoas sabem da import acirc;ncia de promover o desenvolvimento econ ocirc;mico sustent aacute;vel. Se o Paran aacute; tiver autonomia para elaborar seu pr oacute;prio c oacute;digo florestal, ou regulamentar um c oacute;digo federal, n atilde;o tenho d uacute;vida de que ser aacute; modelo, no esp iacute;rito e no cumprimento da lei.
H aacute; 15 anos o governador do Estado sai de Curitiba. O senhor eacute; prefeito de Curitiba. Ser aacute; que o interior n atilde;o est aacute; um pouco desprestigiado na pol iacute;tica estadual?
Beto Richa ndash; Nasci e me criei em Londrina. Talvez por causa desta circunst acirc;ncia, minha vis atilde;o do Estado eacute; do Paran aacute; como um todo, sem a dicotomia entre capital e interior. O que julgo fundamental, como disse antes, eacute; a necessidade de desconcentrar os investimentos, tendo como foco as cidades menos desenvolvidas, com descentraliza ccedil; atilde;o e regionaliza ccedil; atilde;o da presen ccedil;a do Poder P uacute;blico. E essas cidades existem tanto no interior como na Regi atilde;o Metropolitana. Concretamente, nossa proposta prev ecirc; a implanta ccedil; atilde;o de unidades de atendimento ao cidad atilde;o em munic iacute;pios-chave, concentrando os servi ccedil;os estaduais e federais, num mesmo local, com mais efic aacute;cia e rapidez no atendimento. A cria ccedil; atilde;o destas unidades, em parceria com as prefeituras, ser aacute; fator de valoriza ccedil; atilde;o dos munic iacute;pios como sedes regionais ou microrregionais. S atilde;o Paulo, por exemplo, tem o Poupa Tempo, uma experi ecirc;ncia relevante nesse modelo de governan ccedil;a descentralizada. Em Curitiba, acabamos de lan ccedil;ar o Tudo Aqui. Junto com a instala ccedil; atilde;o desses servi ccedil;os vamos garantir a presen ccedil;a do Estado junto a todos os munic iacute;pios, planejando conjuntamente, levando apoio t eacute;cnico, realizando as obras de sua responsabilidade e atuando junto ao governo federal para que fa ccedil;a a sua parte.
Que papel o senhor v ecirc; para a Copel?
Beto Richa ndash; Desde que foi criada pelo Bento Munhoz da Rocha, a Copel cumpre uma fun ccedil; atilde;o important iacute;ssima como catalisadora do desenvolvimento econ ocirc;mico do Estado. Ampliar a produ ccedil; atilde;o de hidroenergia e concluir a instala ccedil; atilde;o do sistema de transmiss atilde;o de dados de alta capacidade, em todo o territ oacute;rio paranaense, s atilde;o alguns dos desafios da Copel. Precisamos resgatar o valor de mercado da empresa, uma das maiores do pa iacute;s, e reorganizar sua governan ccedil;a, que j aacute; foi modelo para outras companhias brasileiras e at eacute; do exterior. Para isso, o quadro t eacute;cnico da empresa eacute; refer ecirc;ncia.
A Copel nos traz agrave; pr oacute;xima pergunta: qual a sua vis atilde;o da presen ccedil;a do Estado na economia?
Beto Richa ndash; O Estado deve cumprir o papel de indutor do desenvolvimento. No caso espec iacute;fico do Paran aacute;, a Copel, a Sanepar e o Porto de Paranagu aacute; t ecirc;m um valor estrat eacute;gico. N atilde;o eacute; poss iacute;vel abrir m atilde;o dessa contribui ccedil; atilde;o. Temos em mente um novo projeto paranaense de desenvolvimento, guiado pela inova ccedil; atilde;o, a qualidade do servi ccedil;o prestado ao cidad atilde;o e a sustentabilidade, no qual a parceria com a iniciativa privada e a coopera ccedil; atilde;o com a sociedade e o chamado terceiro setor s atilde;o imprescind iacute;veis.
O senhor foi reeleito com mais de 77% dos votos v aacute;lidos e tem aprova ccedil; atilde;o acima dos 80% em Curitiba. Consideradas as diferen ccedil;as de tamanho na administra ccedil; atilde;o e as peculiaridades regionais, eacute; poss iacute;vel reproduzir esse desempenho no Governo do Estado?
Beto Richa ndash; Em Curitiba, n atilde;o fizemos obras fara ocirc;nicas, algo para ser lembrado apenas pela impon ecirc;ncia ou plasticidade. N atilde;o inventei nada, fiz apenas o que minha consci ecirc;ncia mandou: uma gest atilde;o mais pr oacute;xima das pessoas. Fizemos quase 300 audi ecirc;ncias p uacute;blicas, para que as pessoas apontassem demandas e prioridades. Na educa ccedil; atilde;o, o desempenho de nossos alunos eacute; reconhecido pelo MEC como um dos melhores do pa iacute;s. O Banco Mundial apontou o servi ccedil;o de sa uacute;de p uacute;blica de Curitiba como o melhor do Brasil, nosso trabalho na habita ccedil; atilde;o eacute; indicado como modelo pela Caixa Econ ocirc;mica Federal. Ou seja: seriedade, transpar ecirc;ncia e di aacute;logo trazem resultado. Eacute; o que pretendemos levar para todo o Paran aacute;.
