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Capivara do lago pode representar problemas

calendar_month 22 de setembro de 2011
4 min de leitura
Carina Ribeiro/OP
Pâmela Frâncio da Silva, 12 anos, mora perto do lago e costuma frequentar o local para tratar a capivara: “Ela é mansinha, gosta das crianças e de todo mundo. Ela gosta de carinho e de receber comida”

Apesar de já ter sido acolhida por boa parte da população frequentadora do lago municipal, a capivara que vive atualmente no Parque Ecológico Rodolfo Rieger, em Marechal Cândido Rondon, pode representar problemas futuros para a sociedade local. A constatação é do superintendente do Ibama no Paraná, Hélio Sydol, com base na experiência registrada em Cascavel. “Lá tudo começou com o aparecimento de uma capivara que foi considerada bonita, foram deixando e hoje já são cerca de 300. Por isso tivemos que realizar autorizações para a captura e retirada delas do logradouro público”, relata.
Conforme ele, este tipo de animal, quando exposto a uma condição de alimentação farta, tende a se reproduzir em quantidade, gerando uma superpopulação. “Ele tem uma autorregulação da reprodução baseada na alimentação. Quanto mais alimento disponível, mais se reproduz. Se isso acontece na área urbana, passa a ser um problema”, explica.

Doença

O profissional informa que a capivara ainda pode transmitir uma doença fatal a humanos. “Ela pode ser hospedeira do carrapato, transmissor da febre maculosa, que não mata o animal, mas pode levar os humanos à morte”, pontua. Isso não significa que a capivara do lago possui a doença, ressalta, mas a possibilidade também não é descartada. “O carrapato pode acabar se fixando na pessoa e transmitir a febre”, afirma.
Sydol informa que a percepção do carrapato no corpo nem sempre é facilitada. “É mais fácil perceber ele andando sobre a pele do que quando pica a pessoa, pois ele injeta uma substância anestésica e ela não percebe, somente quando coça, mas daí possivelmente já picou”, observa.

Medidas

A orientação dele é de que o correto seria o órgão responsável pelo local onde a capivara está vivendo providenciar um biólogo ou outro profissional para analisar e realizar exames no animal, visando atestar a saúde dele, já que está em contato direto com as pessoas. “Inclusive se estiver com febre maculosa ele tem que ser sacrificado”, garante o superintendente. Não sendo o caso, a dica é de que sejam adotadas medidas para que o bicho vá para uma área de mata e rio.

Alimentação

Já que o animal está solto em área onde há mata próxima, o representante do Ibama recomenda que as pessoas deixem que ele busque o alimento na própria natureza. “O ideal é que esse animal do lago não seja alimentado, para que vá embora, pois mais tarde pode representar problema para Marechal Rondon”, reforça.
Considerado o maior roedor do mundo atualmente, a capivara come de tudo, expõe Sydol. “Desde abóbora até taquara”, resume.
Hoje, a capivara do lago recebe feno, milho e até mesmo pão de frequentadores do local. “O que der ela come, mas tudo o que não é da dieta dela pode trazer algum reflexo sobre a saúde dela”, afirma.

Comportamento

O profissional do Ibama explana que a capivara normalmente se organiza em grupos, em que existe um macho dominante. “Quando nascem filhotes, machos que começam a entrar em maturidade sexual começam a disputar espaço com o macho dominante. Eles acabam brigando e o dominante impõe o seu domínio, expulsando o macho ‘perdedor’ do bando, que muda de espaço para tentar constituir o seu próprio grupo”, relata. Assim, geralmente as capivaras que aparecem sozinhas são machos que foram expulsos.
O animal se adapta bem a locais muito poluídos. Prova disso é que existem capivaras no Rio Tietê, diz.

Agressividade

Mesmo sendo um animal que se adapta bem às mais variadas condições, inclusive à convivência com o ser humano, ele lembra que assim como os cachorros, a capivara também é instintiva e eventualmente pode ter uma reação agressiva. “Um carinho mais vigoroso pode gerar uma reação. Por isso não é prudente fazer carinho nela”, recomenda.
Conforme o caso, uma mordida do roedor pode ferir gravemente. “Ele tem dentes poderosíssimos e uma mordida pode ser dilacerante”, alerta.

 
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