| Carina Ribeiro/OP |
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| Pâmela Frâncio da Silva, 12 anos, mora perto do lago e costuma frequentar o local para tratar a capivara: Ela é mansinha, gosta das crianças e de todo mundo. Ela gosta de carinho e de receber comida |
Apesar de já ter sido acolhida por boa parte da população frequentadora do lago municipal, a capivara que vive atualmente no Parque Ecológico Rodolfo Rieger, em Marechal Cândido Rondon, pode representar problemas futuros para a sociedade local. A constatação é do superintendente do Ibama no Paraná, Hélio Sydol, com base na experiência registrada em Cascavel. Lá tudo começou com o aparecimento de uma capivara que foi considerada bonita, foram deixando e hoje já são cerca de 300. Por isso tivemos que realizar autorizações para a captura e retirada delas do logradouro público, relata.
Conforme ele, este tipo de animal, quando exposto a uma condição de alimentação farta, tende a se reproduzir em quantidade, gerando uma superpopulação. Ele tem uma autorregulação da reprodução baseada na alimentação. Quanto mais alimento disponível, mais se reproduz. Se isso acontece na área urbana, passa a ser um problema, explica.
Doença
O profissional informa que a capivara ainda pode transmitir uma doença fatal a humanos. Ela pode ser hospedeira do carrapato, transmissor da febre maculosa, que não mata o animal, mas pode levar os humanos à morte, pontua. Isso não significa que a capivara do lago possui a doença, ressalta, mas a possibilidade também não é descartada. O carrapato pode acabar se fixando na pessoa e transmitir a febre, afirma.
Sydol informa que a percepção do carrapato no corpo nem sempre é facilitada. É mais fácil perceber ele andando sobre a pele do que quando pica a pessoa, pois ele injeta uma substância anestésica e ela não percebe, somente quando coça, mas daí possivelmente já picou, observa.
Medidas
A orientação dele é de que o correto seria o órgão responsável pelo local onde a capivara está vivendo providenciar um biólogo ou outro profissional para analisar e realizar exames no animal, visando atestar a saúde dele, já que está em contato direto com as pessoas. Inclusive se estiver com febre maculosa ele tem que ser sacrificado, garante o superintendente. Não sendo o caso, a dica é de que sejam adotadas medidas para que o bicho vá para uma área de mata e rio.
Alimentação
Já que o animal está solto em área onde há mata próxima, o representante do Ibama recomenda que as pessoas deixem que ele busque o alimento na própria natureza. O ideal é que esse animal do lago não seja alimentado, para que vá embora, pois mais tarde pode representar problema para Marechal Rondon, reforça.
Considerado o maior roedor do mundo atualmente, a capivara come de tudo, expõe Sydol. Desde abóbora até taquara, resume.
Hoje, a capivara do lago recebe feno, milho e até mesmo pão de frequentadores do local. O que der ela come, mas tudo o que não é da dieta dela pode trazer algum reflexo sobre a saúde dela, afirma.
Comportamento
O profissional do Ibama explana que a capivara normalmente se organiza em grupos, em que existe um macho dominante. Quando nascem filhotes, machos que começam a entrar em maturidade sexual começam a disputar espaço com o macho dominante. Eles acabam brigando e o dominante impõe o seu domínio, expulsando o macho perdedor do bando, que muda de espaço para tentar constituir o seu próprio grupo, relata. Assim, geralmente as capivaras que aparecem sozinhas são machos que foram expulsos.
O animal se adapta bem a locais muito poluídos. Prova disso é que existem capivaras no Rio Tietê, diz.
Agressividade
Mesmo sendo um animal que se adapta bem às mais variadas condições, inclusive à convivência com o ser humano, ele lembra que assim como os cachorros, a capivara também é instintiva e eventualmente pode ter uma reação agressiva. Um carinho mais vigoroso pode gerar uma reação. Por isso não é prudente fazer carinho nela, recomenda.
Conforme o caso, uma mordida do roedor pode ferir gravemente. Ele tem dentes poderosíssimos e uma mordida pode ser dilacerante, alerta.
