Mesmo com índice de vacinação médio de 99% na região de Marechal Cândido Rondon, o chefe do escritório local da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Nilson de Freitas Gouveia, ressalta que os casos confirmados de febre aftosa no Paraguai acendem um alerta para a região de fronteira do Paraná. Segundo ele, o foco da doença foi confirmado em uma fazenda no Departamento de San Pedro, cerca de 230 quilômetros da divisa com Marechal Rondon. Devido ao problema, o Paraguai suspendeu por dois meses a exportação de carne. Além disso, cerca de 800 animais deverão ser sacrificados.
O vírus da febre aftosa foi detectado em 13 cabeças de gado.
Do ponto de vista do médico veterinário da Seab em Marechal Rondon, devido ao problema, é necessário redobrar o cuidado com o trânsito animal. É preciso que o governo invista no serviço de defesa sanitária, já que a estrutura existente atualmente na região é deficitária. É preciso mais técnicos para fazer as barreiras, enfatiza, tendo em vista a relevância da produção agropecuária na região. Sem um serviço de defesa adequado, o risco sanitário é cada vez maior, pontua.
Situação
O quadro de trabalhadores na Seab é limitado na região. Gouveia menciona que em várias cidades os técnicos que trabalham nas unidades é que precisam se deslocar a campo para fazer barreiras de fiscalização. Deveria haver funcionários efetivos para este trabalho de barreira e não técnicos das unidades, pois são insuficientes para fazer todo o trabalho de competência da Secretaria, expõe.
Imunizados
Conforme ele, os animais em território brasileiro que foram imunizados na primeira etapa da campanha realizada não correm risco de contrair a doença. O problema são animais transportados de maneira irregular ou ainda de origem desconhecida, que podem transmitir a doença, aponta.
Vacinar o gado na época certa é a principal recomendação do profissional, além de transporte com GTA. Qualquer irregularidade em que se verifique que algum produtor não faz o transporte de maneira correta, é preciso ser denunciada para a Seab para que seja feita investigação, frisa.
A próxima etapa de vacinação contra a aftosa acontecerá em novembro no Paraná.
Emergência
Estava previsto para ontem (19) que o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, decretasse situação de emergência sanitária na região onde foi detectado o foco. As autoridades sanitárias iniciaram ontem a instalação de barreiras de contenção. Com esse foco, o Paraguai perde status sanitário e fica fora do mercado internacional, que é uma das principais fontes de divisas do país.
A Organização Internacional de Sanidade Animal foi comunicada pelos próprios pecuaristas paraguaios da existência do foco.
Um total de 819 animais da fazenda Santa Helena, administrada pelo presidente da Associação Rural do Paraguai em San Pedro, Silfrido Baumgarten, serão sacrificados, segundo a Secretaria Nacional de Sanidade.