O temporal com chuva de granizo registrado na quinta-feira (18) e a continuidade da precipitação na manhã de ontem (19) provocaram alagamentos, destelhamentos, transbordamento de rio, corte de energia elétrica e do abastecimento de água, além de encharcar lavouras e propriedades rurais em Marechal Cândido Rondon e região.
O Corpo de Bombeiros foi acionado por moradores da Linha Guarani, onde as águas do Arroio Fundo transbordaram as margens, cobrindo a ponte e a rodovia que liga a cidade de Marechal Rondon aos distritos de Margarida e São Roque.
Algumas pessoas ficaram ilhadas provisoriamente. Um caminhoneiro esperou cerca de uma hora e meia para baixar o nível do rio e poder transportar a carga de ração até uma propriedade em Margarida. Ele relatou que toda vez que isso acontece acaba perdendo tempo e precisa trabalhar mais para vencer as entregas.
Um morador da localidade afirmou que o ideal seria a prefeitura tomar uma providência, pois ele aponta que a ponte é muito baixa. Teria que ser mais alta e larga, já que só passa um caminhão por vez, manifestou.
Destelhamentos
O Corpo de Bombeiros atendeu cinco casos de destelhamento, quatro ocorrências de infiltrações em paredes residenciais, além de uma situação de risco de queda de placas de uma construção sobre uma casa. Orientamos as pessoas para que realizassem a limpeza das calhas assim que melhorasse o tempo, relata o soldado Célio Schneider. Já em relação ao morador em risco, foi acionado representante da prefeitura para avaliar a necessidade de interdição da obra.
A casa ameaçada é a do aposentado Balduíno Helmut Jop, o qual relata que há três anos já identificou o risco e vem procurando autoridades para tomarem providências. Duas placas de concreto caíram no quintal, sendo que uma quebrou telhas da minha casa. Há três anos a obra está parada e ninguém fez nada, lamenta. O aposentado teme que outros blocos de concreto sejam arremessados pelo vento sobre a sua residência.
Sem energia
Vinte e cinco postes de energia elétrica caíram ou ficaram danificados e inúmeros cabos foram rompidos com a força dos ventos e descargas elétricas. Mas praticamente 100% já foi concluído hoje (ontem) e poderão ficar somente casos isolados, coisa de um ou dois consumidores sem energia, em locais de difícil acesso, diz o gerente da agência local da Copel, Helio José DalGallo.
As regiões mais afetadas foram a Linha Belmonte, próximo do Clube Lira, Bom Jardim, além da localidade de Ouro Verde. Algumas destas localidades poderiam ficar sem luz até hoje (20), devido à dificuldade das equipes da Copel de entrar na lavoura com caminhão, porque o solo está encharcado.
Uma força-tarefa foi montada para atender às ocorrências na microrregião. A Copel de Marechal Rondon contou com o auxílio de equipes vindas de Toledo, Guaíra e Terra Roxa e até mesmo veículos especiais foram deslocados para agilizar o serviço.
Ventos e raios também provocaram o rompimento de cabos de energia, principalmente na cidade. Por esse motivo, houve corte no fornecimento de energia na noite de quinta-feira e brevemente na manhã de ontem. De acordo com DalGallo, foram no total 12 mil consumidores com interrupção de energia elétrica desde a noite de quinta-feira (18). Mas para a maioria restabeleceu ainda na noite de ontem (quinta), ficando somente um pouco mais de 700 consumidores sem energia elétrica hoje (ontem), afirma.
O vendaval ainda derrubou cerca de sete torres da Copel entre Toledo e Cascavel.
Desmoronamento e transtornos na BR-163
Em condições normais, o trajeto entre Marechal Cândido Rondon e Toledo na BR-163 já é ruim, especialmente no trecho entre o portal de entrada da cidade rondonense e logo após o trevo de acesso a Quatro Pontes. Isto porque existem ondulações, imperfeições e constantemente surgem buracos na pista. Com as fortes chuvas registradas desde quarta-feira (17), a situação ficou ainda pior.
Especialmente ontem (19) os motoristas precisaram de atenção redobrada ao passar pelo trajeto, tendo em vista que os buracos que foram fechados na semana passada voltaram a aparecer e muitos ainda maiores e piores. A Polícia Rodoviária Federal sinalizou alguns locais com cones, mas em certos momentos nem isso adiantou para evitar o transtorno de ver um pneu furado.
Na BR-163 também foram registrados alagamentos na pista, como nas proximidades do Posto Trovão Azul e entre os distritos de Dois Irmãos e Vila Ipiranga. Nestes pontos os veículos precisaram diminuir a velocidade para evitar aquaplanagens.
Contudo, a situação que exigiu mais atenção foi registrada logo após o distrito de Dois Irmãos, no sentido Rondon a Toledo, em que houve desmoronamento parcial de um barranco. Nas primeiras horas da manhã de ontem o trânsito estava em meia pista e lento, já que o barro invadiu a rodovia. Entretanto, logo a situação foi normalizada e a Polícia Rodoviária Federal indicou o local com cones.
Culturas podem ser prejudicadas pelo volume de precipitação
O volume de chuva que caiu ontem (19), cerca de 30 mm, e na quinta-feira (18) em torno de 115 mm, gerou vários transtornos tanto na cidade como no campo, em algumas localidades da região de Marechal Cândido Rondon. O vendaval e a chuva geraram alagamentos na Vila Rural, no Arroio Fundo, derrubou árvores em Porto Mendes e outras microrregiões.
Conforme o engenheiro agrônomo da Agrícola Horizonte, Werner Barth, a chuva de granizo na quinta-feira e a intensa precipitação podem ter gerado prejuízos principalmente para os produtores que mantêm lavouras de trigo. O granizo provoca debulha do trigo, pode quebrar a cana do trigo e ele ter se ajoelhado, ficando com a espiga virada para baixo. Além disso, também pode ter havido acamamento, afetando a produtividade da lavoura, explica.
A estimativa é de que aproximadamente 30% das lavouras de trigo ainda não haviam sido colhidos. A maioria que não foi colhida está em fase de maturação, enquanto uma pequena parcela estaria em fase de enchimento de grão, afirma.
Milho
No caso do milho, o maior problema é a derrubada das plantas devido ao vento. O vendaval atingiu Bom Jardim, Bela Vista e outros pontos, onde houve acamamento do milho que não havia sido colhido, expõe.
Outro problema, expõe, é a possibilidade de formação de milho brotado ou mesmo de grão ardido por causa da água que penetra na espiga. Isso poderá interferir na qualidade do produto, mas ainda vai depender de quanto tempo vai permanecer a alta umidade, salienta.
Solo
Casos de erosão, somente de pequenos danos, devido ao sistema de plantio direto. Em algumas áreas com plantio convencional e mesmo onde foi feito arranquio de mandioca, em que a terra ficou descoberta e mexida, a água chegou a fazer estrago no solo.
Agosto
Apesar de não poder ser considerado chuvoso, o mês de agosto deste ano já é 18 vezes maior do que a média total registrada em agosto do ano passado na microrregião.
Mais da metade da cidade tem corte no abastecimento de água
Em torno de dez mil residências tiveram interrupção no abastecimento de água, em Marechal Cândido Rondon, na noite de quinta para o início da tarde de sexta-feira (19). A informação é do diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Marechal Rondon, João Marcos Gomes. Segundo ele, o número representa mais de 50% das cerca de 16 mil ligações de água existentes no município.
O problema foi ocasionado devido à falta de fornecimento de energia elétrica, já que grande parte das regiões da cidade é abastecida por poços que precisam ter água bombeada.
Conforme ele, houve problema no abastecimento de água nos loteamento Rainha, Luciana, Conjunto Itamaraty, bairros Higienópolis, Copagril, Primavera, Loteamento das Torres, proximidades do lago municipal e redondezas.
No interior, faltou água em regiões de Novo Três Passos e Porto Mendes.
Gomes explica que houve raios e tempestade que queimaram fusíveis do painel de energia de alguns poços. A maioria das localidades já teve o fornecimento de água normalizado no início da tarde desta sexta-feira, após o conserto nos painéis e retorno da energia elétrica. Em alguns locais demorou mais devido ao tempo necessário para encher com água a tubulação, que antes estava vazia, explica.
O diretor observa que nas residências onde estão instaladas caixas dágua os moradores muitas vezes nem chegam a perceber que houve a interrupção do abastecimento, especialmente se ela possui uma capacidade ampla. Por isso, o Saae recomenda a instalação, geralmente de reservatórios com cerca de 500 litros, o que pode garantir o abastecimento provisório para a família.