Produtores rondonenses ainda contabilizam os prejuízos causados pelas fortes chuvas que alagaram diferentes áreas do município nos últimos dias. A enxurrada causou danos principalmente nas lavouras de milho e soja, a cultura mais atingida.
Com um volume de chuvas superior a 500 milímetros somente no mês de outubro, a agricultura sofreu perdas significativas, principalmente com as erosões dos solos. Danos também foram registrados por conta do assoreamento das curvas de nível, que deveriam conservar o solo contra erosões e contribuir com o escoamento da água da chuva, fazendo com que ela se infiltre mais facilmente na terra e evite os deslizamentos. “Devido ao grande acúmulo de chuvas, as curvas de nível acabam enchendo de terra e isso causa problemas já que cobre a cultura que está nascendo. Essas áreas ficam sem plantas e ocorre a perda total”, explica o engenheiro agrônomo Cristiano da Cunha, da Agrícola Horizonte.
Outra perda significativa, segundo ele, refere-
se aos fertilizantes, já que a grande quantidade de chuva acaba deslocando alguns minerais e nutrientes presentes na superfície do solo. Desta forma, o fertilizante colocado há dez ou 15 centímetros da planta é levado embora pelas águas da chuva.
Perdas específicas da planta também são abrangentes, principalmente em áreas que tiveram rajadas de vento muito fortes, o que acabou rasgando as folhas dessas plantas. “Além do trabalho para a planta se recuperar, é uma porta de entrada para doenças. Os fungos se aproveitam desses ferimentos que há nas plantas e conseguem colonizar, iniciando o processo de infecção que causa as doenças nas plantas”, expõe Cunha.
Áreas prejudicadas
De acordo com o agrônomo, as áreas onde a declividade é maior foram as que registraram os maiores prejuízos. “Percebe-se que nestas áreas mais baixas a água escorre de forma muito mais rápida do que em uma área plana, o que contribui para a erosão dos solos”, diz o profissional.
As áreas agrícolas dos distritos de São Roque e da Linha São Cristóvão foram as que mais sofreram com as intensidades das frequentes chuvas, menciona Cunha. Isso porque, acrescenta, nessas regiões o solo é menos profundo, ou seja, chega em um ponto onde há pedra e laje.
Alagamentos
As incessantes chuvas também deixaram estragos nas propriedades rurais localizadas nas linhas Eldorado e Herrmann, no distrito de São Roque, assim como Divisa e Volta Gaúcha, respectivamente nas divisas dos municípios de Marechal Cândido Rondon e Entre Rios do Oeste, comprometendo as lavouras e causando prejuízos em residências. As águas do Rio São Francisco subiram cerca de sete metros, causando prejuízos devido à inundação de áreas que foram cultivadas há pouco tempo, além de invadir aviários, chiqueirões, de ilhar animais e invadir residências. “Quando ocorre alagamento na lavoura, a planta fica debaixo d’água e morre por deficiência de oxigênio. Essa é uma das principais consequências”, expõe o agrônomo.
Impactos
Ele mensura que 95% das áreas plantadas em Marechal Cândido Rondon sejam de soja e os outros 5% de milho, além de algumas áreas menores de horticultura, as quais, com a inundação, em sua maioria, tiveram perda total.
Em termos de produção, o principal impacto das recentes chuvas é uma queda de produtividade da soja em função das perdas de nutrientes. “O segundo impacto é a perda de plantas, isto é, uma lavoura que tinha um estande de dez plantas por metro acaba tendo uma mortalidade muito grande, pois onde a área é inundada a perda das plantas ocorre em sua totalidade”, enfatiza Cunha.
Grande parte das áreas de soja plantadas se encontra nos estágios vegetativos V2 e V3, entre o segundo e terceiro trifólio aberto. “Todas as lavouras estão na mesma fase porque a época de plantio foi praticamente igual”, comenta o agrônomo, acrescentando: “Algumas lavouras ainda estão com a soja no estágio V1, que é logo após a emergência, ou seja, que foram plantadas nos últimos dias que antecederam às recentes chuvas”.
Dentre muitas preocupações que assolam os produtores está a qualidade do grão após uma forte e frequente exposição à umidade. Quanto a isso, Cunha diz que não tem como afirmar se a qualidade vai diminuir, uma vez que será definida apenas em estágios futuros da produção. “Hoje a planta não está nem em fase de crescimento, e quanto a danos na quantidade da produção também é muito cedo para se precisar algo”, declara.
Confira a matéria completa na edição impressa desta sexta-feira (03).