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Conselho Tutelar: 50% dos atendimentos têm relação com drogas

calendar_month 5 de abril de 2010
5 min de leitura

ldquo;Drogas rdquo;. Este assunto j aacute; foi tema de in uacute;meras reportagens do Jornal O Presente, nas mais variadas abordagens. No entanto, a preocupa ccedil; atilde;o com o assunto tem sido cada vez mais crescente, tendo em vista que o problema s oacute; tem aumentado, especialmente nesta regi atilde;o de fronteira. Outra situa ccedil; atilde;o delicada eacute; que tem se tornado comum encontrar adolescentes e crian ccedil;as envolvidos com drogas, seja como usu aacute;rios ou traficantes.
Sabendo da import acirc;ncia de promover uma discuss atilde;o sobre o assunto, O Presente vai divulgar, durante esta semana, uma s eacute;rie de entrevistas sobre o tema. Para produzir o material, a reportagem ouviu pessoas e autoridades que precisam lidar com situa ccedil; otilde;es que envolvem as drogas, de forma direta ou indireta, como Conselho Tutelar, Conselho Municipal dos Direitos da Crian ccedil;a e do Adolescente, Pol iacute;cia Militar, Juizado da Vara da Inf acirc;ncia e Juventude, educadores e profissionais do Hospital Filad eacute;lfia, o qual disp otilde;e de uma ala destinada a adolescentes dependentes qu iacute;micos.
Para come ccedil;ar, eacute; poss iacute;vel citar um dado alarmante. Dentre os atendimentos prestados pelo Conselho Tutelar de Marechal Rondon, como relacionados agrave; desnutri ccedil; atilde;o, les otilde;es corporais contra crian ccedil;as e adolescentes, amea ccedil;a ao direito de ir e vir (aprisionamento), maus tratos, viol ecirc;ncia sexual, discrimina ccedil; atilde;o, expuls atilde;o de casa, prostitui ccedil; atilde;o e atos infracionais praticados por adolescentes, cerca de 50% tem alguma liga ccedil; atilde;o com drogas, conforme relata a presidente do oacute;rg atilde;o, Ilse Grosklass. ldquo;A situa ccedil; atilde;o em Marechal Rondon eacute; preocupante, porque percebemos no dia-a-dia o envolvimento maior de jovens com as drogas. Alguns est atilde;o em busca do dinheiro f aacute;cil. J aacute; ouvimos jovens falando que em vez de trabalhar o m ecirc;s inteiro para ganhar um sal aacute;rio-m iacute;nimo, como muitos pais deles fazem, preferem se envolver nesse mundo porque em uma noite podem ganhar R$ 200. Ent atilde;o entram desde cedo na ilus atilde;o de ganhar o dinheiro f aacute;cil, mas a iacute; tem aquelas pessoas que se acham espertas e usam esses menores. E isso eacute; preocupante, sem d uacute;vida rdquo;, declara.
A rondonense menciona que o oacute;rg atilde;o municipal j aacute; recebeu den uacute;ncias envolvendo crian ccedil;as de dez anos, sendo que a faixa et aacute;ria mais comum no que se refere ao atendimento relacionado agrave;s drogas eacute; entre 13 e 15 anos. ldquo;Essa eacute; a faixa et aacute;ria mais cr iacute;tica. Recebemos uma m eacute;dia de 15 den uacute;ncias semanalmente envolvendo crian ccedil;as e adolescentes com drogas, incluindo os reincidentes rdquo;, revela.

Programas preventivos
Ilse afirma que eacute; preciso criar no munic iacute;pio programas de preven ccedil; atilde;o para ocupar as crian ccedil;as e adolescentes no per iacute;odo de contraturno escolar e proporcionar a eles uma perspectiva de vida diferente. ldquo;A proximidade com a fronteira tem uma influ ecirc;ncia para que a situa ccedil; atilde;o se torne t atilde;o preocupante no munic iacute;pio e sem d uacute;vida os menores s atilde;o usados pelos adultos. Mas de qualquer forma precisamos da implanta ccedil; atilde;o de programas de preven ccedil; atilde;o rdquo;, salienta.

Educa ccedil; atilde;o terceirizada
Outra preocupa ccedil; atilde;o da presidente do Conselho Tutelar eacute; quanto agrave; chamada ldquo;terceiriza ccedil; atilde;o da educa ccedil; atilde;o rdquo;, em que pais deixam agrave; merc ecirc; da sociedade a educa ccedil; atilde;o que deveria vir de casa. ldquo;Na maioria das situa ccedil; otilde;es o Conselho Tutelar tem observado que os pais deixam os filhos muito libertos, n atilde;o sabem onde est atilde;o os jovens e com quem, n atilde;o imp otilde;em limites e n atilde;o determinam hor aacute;rios. Eacute; bom lembrar que s atilde;o os pais os primeiros respons aacute;veis pelos filhos. Al eacute;m disso, as crian ccedil;as e os adolescentes s oacute; saber atilde;o o que eacute; certo e errado se a fam iacute;lia der o conhecimento de seus limites. Quanto mais conscientes e respons aacute;veis forem os pais e adultos, melhores ser atilde;o nossas crian ccedil;as e adolescentes rdquo;, opina.

Fronteira
Na avalia ccedil; atilde;o da presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Crian ccedil;a e do Adolescente de Marechal Rondon, Giliane Reuter, duas s atilde;o as preocupa ccedil; otilde;es atualmente: o narcotr aacute;fico e fato de pais estarem deixando a responsabilidade da educa ccedil; atilde;o para a sociedade. E a situa ccedil; atilde;o relacionada agrave;s drogas, conforme a dirigente, n atilde;o eacute; grave somente no munic iacute;pio, mas no Brasil, em especial nesta regi atilde;o, por estar localizada na fronteira com o Paraguai. ldquo;Precisamos de um olhar diferenciado nesta regi atilde;o e ter instrumentos efetivos para a crian ccedil;a e adolescente. Muitas vezes n atilde;o conseguindo um curso adequado ou educa ccedil; atilde;o continuada, a crian ccedil;a e/ou adolescente acabam entrando nessa vida relacionada agrave;s drogas e depois n atilde;o saem mais. Tem jovens que preferem o dinheiro f aacute;cil a trabalhar em um emprego normal. Por isso, precisamos pensar em tudo isso e a sociedade como um todo criar atrativos, como as escolinhas, seja de gin aacute;stica r iacute;tmica, futebol, futsal, v ocirc;lei, enfim, este trabalho eacute; interessante. Essa rela ccedil; atilde;o entre educa ccedil; atilde;o, cultura e esporte pode aumentar as oportunidades e, como consequ ecirc;ncia, enquanto a crian ccedil;a e o adolescente estiverem ocupados s atilde;o menores as chances de perdemos eles para as drogas rdquo;, analisa.
Giliane tamb eacute;m aponta que eacute; preciso melhorar a qualifica ccedil; atilde;o de todos os envolvidos na pol iacute;tica da crian ccedil;a e do adolescente e que estes profissionais estejam em sintonia com o trabalho a ser realizado. ldquo;Precisamos ter pessoas atuantes para que as coisas funcionem melhor rdquo;, comenta.

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