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Dólar vai a R$ 3,36 e tem maior alta diária em 8 anos

calendar_month 10 de novembro de 2016
3 min de leitura

Divulgação

O dólar fechou em forte alta em relação ao real nesta quinta-feira (10), após disparar mais de 5% durante a sessão, com forte onda de aversão ao risco por conta da vitória de Donald Trump nos Estados Unidos e pela ausência do Banco Central brasileiro no mercado de câmbio.

A moeda norte-americana avançou 4,73%, vendida a R$ 3,3614, após bater R$ 3,3910 na máxima do dia, segundo a agências Reuters. Na véspera, o dólar já havia subido quase 1,5% sobre o real, já reagindo à eleição de Trump. Veja a cotação do dólar hoje.

Segundo a Reuters, trata-se da maior alta diária de fechamento desde 22 de outubro de 2008, quando subiu quase 6%. Trata-se também do maior patamar de fechamento desde 7 de julho, quando o dólar encerrou a sessão vendido a R$ 3,3659.

 

Cenário político local

Segundo a Reuters, pesaram ainda durante a sessão fluxos de saída de dólares e preocupações sobre o futuro político do presidente Michel Temer, após a defesa da ex-presidente Dilma Rousseff ter entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) documentos que apontam que uma doação de R$ 1 milhão feita à campanha eleitoral de 2014pela empreiteira Andrade Gutierrez foi direcionada à campanha do então vice-presidente Michel Temer, companheiro de chapa da petista na eleição daquele ano.

“O externo predomina, mas aparecem notícias negativas e o investidor prefere desmontar sua posição e ver como vai ficar”, resumiu à agência um profissional da mesa de câmbio de um banco nacional.

 

Banco Central interrompe oferta de leilões

O dólar já abriu em forte alta esta sessão após o BC anunciar, no noite passada, que interrompeu a oferta de leilões quase diários de swaps cambiais reversos, equivalentes à compra futura de dólares. O objetivo é “acompanhar e avaliar as atuais condições de mercado” após a inesperada vitória de Trump.

“O mercado não sabe até quando o BC não fará leilões de swap reverso e já está procurando ‘hedge’, antecipando uma ausência futura”, explicou o superintendente da Corre parti Corretora, Ricardo Gomos da Silva à agência Reuters.

Segundo dados do BC, há US$ 6,491 bilhões em contratos de swap tradicional – equivalentes à venda futura de dólares – que vencem em 1º de dezembro e que, se o BC mantivesse o movimento até então, poderiam ser anulados se os leilões de reversos fossem mantidos neste mês.

Em outubro, o BC anunciou que não anularia integralmente os contratos que venceram em 1º de novembro, o que também gerou pressão de alta sobre a moeda norte-americana.

No Chile, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, afirmou que a autoridade monetária está monitorando as condições do mercado de câmbio para ajudar a não colocar mais pressão e que, se for necessário, tomará as “medidas adequadas”, destaca a Reuters. Na quarta, o presitente do BC já havia feito declaração semelhante.

 
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