O episódio de El Niño de 2026-2027, que está começando com um rápido aquecimento das águas da faixa equatorial do Oceano Pacífico, será diferente do último e deverá surpreender nos seus efeitos em parte do território brasileiro, de acordo a nossa análise na MetSul Meteorologia.
Atualmente, o processo de instalação do El Niño se encontra em seu estágio inicial e nas próximas semanas se projeta que a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), a agência de tempo e clima dos Estados Unidos, declare o começo do episódio de fase quente do Pacífico.
A última anomalia de temperatura da superfície do mar informada pela NOAA no que se denomina de Região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Centro-Leste, a região designada para informar se há El Niño ou La Niña, foi de +0,5ºC.
Trata-se do valor mínimo de patamar de El Niño e se trata da primeira semana em que esta área do oceano atinge anomalias em nível de El Niño, conforme o novo critério de monitoramento designado Índice Niño Oceânico Relativo (RONI).
Já pelo critério tradicional e usado pela NOAA até o começo deste ano, denominado de Índice Niño Oceânico (ONI), a anomalia de temperatura da superfície do mar está hoje em +0,9ºC. É a quinta semana seguida, pelo critério antigo, em que o Pacifico Equatorial Centro-Leste está em patamar de El Niño.
Já pelo critério tradicional e usado pela NOAA até o começo deste ano, denominado de Índice Niño Oceânico (ONI), a anomalia de temperatura da superfície do mar está hoje em +0,9ºC. É a quinta semana seguida, pelo critério antigo, em que o Pacifico Equatorial Centro-Leste está em patamar de El Niño.
Considerando que são necessárias várias semanas seguidas de aquecimento sustentado em patamar de El Niño com acoplamento das condições oceânicas e atmosféricas, não se espera um anúncio de imediato pela NOAA de que o El Niño começou, quando apenas uma semana até agora apresentou anomalias pelo novo critério de monitoramento.
Tal anúncio é mais provável em junho, na primeira ou na segunda semana do mês, momento em que o El Niño deve estar plenamente configurado na faixa equatorial do Pacífico com acoplamento das condições oceânico-atmosféricas e que começarão a afetar o clima no Brasil e no resto do mundo.
Onde o El Niño de 2026 pode surpreender no clima do Brasil
Nenhum episódio de El Niño é igual ao outro e vários fatores em paralelo contribuem para que as suas consequências sejam mais ou menos graves assim como variem dentro do território brasileiro.
O El Niño de 2026-2027, obviamente, não será uma repetição do último de 2023-2024 e os dados analisados pela MetSul Meteorologia indicam que em duas regiões do país os seus efeitos tendem a ser distintos de três anos atrás com mais chuva do que costuma cair e sem tempo extremamente seco, como vem sendo informado como um impacto tradicional do El Niño.
Ao contrário de El Niño de 2023-2024, a chuva pode surpreender nos próximos meses em diversas áreas do Sudeste e do Centro-Oeste do país com precipitação acima ou até muito acima da média em alguns estados, especialmente o Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Isso não significa necessariamente chuva com volumes excessivos ou extremos, uma vez que as médias climatológicas históricas de chuva no Sudeste e no Centro-Oeste são muito baixas nos meses entre o fim do outono e o começo da primavera, a temporada anual seca.
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