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Equipe de O Presente participa da 4ª Feira Oda al Vino; confira detalhes

calendar_month 5 de setembro de 2018
11 min de leitura

Bebida de deuses gregos, reis e profetas, o vinho é um dos néctares mais antigos do mundo e também um dos mais sagrados, sendo até servido em cerimônias religiosas. Poucas bebidas alcoólicas são tão apreciadas quanto ele. Esse é um dos poucos produtos que atravessa barreiras culturais, geográficas, humanas. E em qualquer lugar, o ritual de beber uma taça de vinho é associado a momentos de celebração. Qual bebida você lembra de servir em um jantar romântico? Quer melhor do que uma boa garrafa de vinho ou uma champagne para selar uma parceria num jantar de negócios? Quer melhor presente para oferecer ao pai ou ao sogro?

Mas não precisa guardar o vinho para ocasiões assim solenes. Há vários estudos conduzidos por médicos e nutricionistas que provam que uma taça de vinho mantém o coração saudável. Aliás, têm estudos que provam que tanto o vinho tinto quanto o vinho branco podem funcionar como agentes antibacterianos, quando consumidos moderadamente, claro!

O vinho resulta da fermentação das uvas e se distingue de tantas outras bebidas alcoólicas porque o seu processo de fermentação é 100% natural, sem precisar adicionar açúcares, ácidos ou qualquer outro ingrediente/nutriente. Mas atualmente, os vinhos que enólogos e produtores oferecem são cada vez mais sofisticados e requintados. O que faz os vários vinhos terem sabores diferentes e taninos mais ou menos intensos são os tipos de uva em fermentação: as castas.

Há tanto para dizer sobre vinhos, mas é ainda melhor degustá-los, e para isso os amantes da bebida tiveram três dias para provar e conhecer ainda mais acerca desse universo repleto de rótulos, cores e sabores.

Nos dias 30, 31 de agosto e 1º de setembro, milhares de pessoas prestigiaram uma das feiras de vinho mais reconhecidas: a Odal al Vino. Em sua 4ª edição, o evento aconteceu na cidade de Puerto Iguazú, na Argentina, no Iguassu Urban Mall, expondo centenas de etiquetas de diversas bodegas da República Argentina e países vizinhos, entre elas muitas reservas, clássicas e varietais de tendência.

O Jornal O Presente atravessou a fronteira para acompanhar o evento, descobrir e conhecer um pouco mais sobre esse mundo tão fascinante. Por lá, conversamos com a organização do evento, sommeliers e, claro, provamos os famosos vinhos argentinos.

Entre as novidades para este ano esteve a ampliação para mais um dia de feira, que serviu para a abertura oficial do evento, contando com a presença de autoridades do setor turístico, expositores, patrocinadores e imprensa. Nos outros dois dias foi a vez do público em geral degustar na modalidade wine tasting milhares de rótulos de vinhos de alta gama, entre tintos, brancos e espumantes de centenas de bodegas (vinícolas), na grande maioria produzidos na Argentina e outros produzidos nos países vizinhos, como o Chile e Uruguai.

Ao todo, foram mais de 80 expositores apresentando cerca de 700 etiquetas de vinhos para um público incluindo principalmente argentinos, brasileiros e paraguaios. Além dos vinhos à disposição, os visitantes tiveram a oportunidade de trocar experiências diretas com os produtores e representantes das marcas, sommeliéres e enólogos sobre a bebida que cada vez mais ganha adeptos no mundo todo.

Incluso no valor do ingresso, cada comprador tinha direito a um voucher no valor de R$ 125 para ser trocado por vinhos e uma taça de cristal para fazer a degustação.

 

Encontro mágico

A feira chamou a atenção devido à sua caracterização pela magia do encontro, a qualidade dos expositores, o detalhe na organização e a diversidade de etiquetas que apaixona qualquer ser humano.

A qualidade da atenção durante o evento gerou um ambiente amável, que permitiu uma conexão entre pessoas, diretores de importantes bodegas, empresários do meio e personagens que participaram da exclusividade da reunião. Essas foram algumas referências da Oda al Vino.

A imagem de cada uma das 85 bodegas presentes e os mais de 500 rótulos trouxe um impacto visual assombroso que dá méritos em conhecer, fotografar e recordar de muitas maneiras as vivências, oferecendo cenas e sensações únicas e inigualáveis.

Neste encontro mágico os visitantes puderam desfrutar de degustações guiadas, degustação de deliciosos frios e queijos, música ambiente e diversas artes culinárias. Cada estande denotou seu ímpeto e capital humano que compõe, se põe em ação.

A cidade escolhida para ser sede do evento também fez jus ao ramo gastronômico. Puerto Iguazú faz fronteira com Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, no Paraguai, e hoje conta com cerca de 80 mil habitantes. Apesar de pequena se comparada às cidades vizinhas, destaca-se na vida noturna e na gastronomia, com oferta diversificada de restaurantes, com pratos e shows típicos, bares para o público jovem e um turismo de compras diferenciado pela venda especializada de produtos carro-chefe da cultura argentina, como vinhos, queijos, azeites e artigos em couro. No linguajar comum, uma união entre o útil e o agradável.

Segundo Liliam Zakidalsky, organizadora e proprietária da empresa Oda Vinoteca, o sucesso do evento está atrelado à relação com o público que frequenta a feira. “É uma relação ótima. O público que vem à feira entende ‘a’, ‘b’ e diria também ‘c’, ou seja, que estão começando a ter interesse em querer entender um pouco mais sobre vinhos”, afirma, acrescentando: “Além disso, é um evento no qual, por um valor muito baixo, se consegue experimentar vinhos de alta gama e qualidade”.

Desde 2015, quando da primeira edição do evento, que começou com apenas 46 bodegas da Argentina, o evento passou a adquirir mais elegância, cultura, sofisticação e essa dose de boa vida que acompanha o vinho infalivelmente. A edição deste ano teve seu aspecto voltado a bodegas em um estilo mais “velho”, do tipo cavas, o que tornou o ambiente mais cálido.

Com tantos detalhes, Liliam destaca que desde 2017 já se trabalhava para a realização desta edição do evento, pensando em aspectos de montagem, infraestrutura, ornamentação e temática.

Do ano passado para este, mais que dobrou o número de bodegas participantes do evento, com destaque para a participação de outros países na exposição de vinhos. Para a organizadora, essa repercussão demonstra que a Oda al Vino “não é um evento apenas para beber vinho, mas é algo cultural, turístico na tríplice fronteira”.

Ainda segundo Liliam, as bodegas que participam atualmente da feira são muito boas, de alta gama. “Gostamos muito delas, e também, desde que o evento foi lançado, todas as bodegas começaram a trabalhar com as redes sociais ou através de e-mail, divulgando os vinhos que irão apresentar e quais os enólogos que estarão presentes. Assim, o público já vem sabendo e é muito mais fácil aproveitar a feira, porque se tem muitas bodegas e uma diversidade imensa de rótulos”, salienta.

 

“Sentir” a experiência

Experiência é palavra-chave quando o assunto é vinho, diz a organizadora da Oda al Vino. “Isso porque quando você abrir uma garrafa não se trata apenas de beber o vinho. É preciso lembrar que por trás dessa garrafa há muitas mãos que trabalharam para fabricar o vinho. Então o cliente que vem à feira tem um conhecimento e adquire uma experiência”, enfatiza.

Pelos corredores do evento a presença do público brasileiro é forte, demonstrando interesse quando o tema são vinhos argentinos. “Quando perguntam por que bodegas de alta gama vêm para a fronteira participar do evento, é por isso. O público está muito exigente, então para se oferecer uma feira de vinhos em Puerto Iguazú, onde o maior público visitante é brasileiro, a qualidade tem que ser ótima”, avalia Liliam.

A organização também lembra que na hora da escolha do vinho, o estilo e o gosto de cada pessoa influenciam. “Na hora da compra, para não errar, é sempre importante pedir dicas de quais rótulos são os melhores para você, de acordo com o que gosta de comer, em quais momentos gosta de beber vinho, se já experimentou vinhos ou não, e isso já vai fornecendo um parâmetro para a escolha”, explica.

Ela ainda revela que, apesar de a Argentina estar em um momento em que não se sabe falar em preço estrangeiro, na feira há vinhos para venda no valor de 300 até oito mil pesos argentinos.

 

Próxima edição

Encerrado o evento de 2018 é hora de pensar na edição de 2019. Uma das expectativas de Liliam é ampliar ainda mais o leque de bodegas participantes, inclusive de países como o Brasil. “Os brasileiros quase estiveram presentes neste ano, mas como haveria outra feira muito próxima, o tempo seria curto. Mas seria ótimo fazer algo internacional. Tudo vai depender da situação econômica”, revela.

Segundo ela, os brasileiros estão demonstrando muito interesse na feira. “Houve pessoas do Espírito Santo que vieram até aqui para nos convidar a ir até lá promover uma feira de vinhos. A repercussão que a Oda al Vino está tendo é muito grande”, comemora.

Por conta desse constante crescimento, as entidades de turismo estão vendo a importância de cada vez mais apoiar e investir no evento. “Cada edição é sempre um ano de trabalho, com muitos sacrifícios e expectativas, sabendo que depende muito de como estará a fronteira, se vai vir público ou não, porém a satisfação é sempre muito grande”, afirma.

 

Sobre a empresa

A ODA Vinoteca é a maior loja de vinhos de Puerto Iguazú. A empresa, com mais de 15 anos no mercado, possui um acervo de mais 1,3 mil rótulos de vinhos e espumantes brancos, tintos e rosés, produzidos por 280 bodegas argentinas. Além de vinhos, a empresa comercializa acessórios e presentes relativos ao tema vinho. São taças de cristais, decantadores, portas-garrafa, saca-rolhas e edições especiais de vinhos para ser oferecido como presentes. A loja abriga também a seção gourmet, comercializando produtos para a alta gastronomia, entre temperos, azeites e vinagres.

 

Degustação: do olfato ao paladar

O vinho sempre foi uma bebida consumida por todos os povos e, ao contrário do que é levado a acreditar, não é caro tornar o vinho um hábito cotidiano. Basta conhecer um pouco para conseguir interpretar o rótulo e decifrar as palavras que nele estão impressas, avaliar a relação custo-benefício e escolher os vinhos que mais agradam ao paladar.

Vinho não deve ser complicado, deve ser apreciado. Não é necessário ser nenhum expert para começar a escolher seus próprios vinhos. No entanto, optar pelo vinho e selecionar uma garrafa vai muito além de uma mera escolha entre rótulos.

Na hora de avaliar um vinho, o primeiro quesito que merece atenção é a aparência. É preciso atentar-se à variação da cor, ao brilho, ao aroma, à opacidade e à textura das lágrimas do vinho que escorrem pela taça.

“Sempre reserve um tempo para observar o vinho. Repare nos reflexos e tons, pois a cor da bebida pode indicar a idade do vinho. No caso dos tintos, por exemplo, os tons podem variar do vermelho-rubi aos tons violáceos, púrpura e grená. Quanto mais envelhecida a bebida, mais a cor do vinho se aproxima ao tom ferrugem”, orienta o sommelière Emanuel Renzini, da vinícola Los Haroldos, de Mendoza, na Argentina.

Já as chamadas lágrimas do vinho – que podem ser avaliadas ao girar a taça para observar o comportamento da bebida – ajudam a identificar se o vinho é mais ou menos alcoólico. A quantidade de lágrimas é maior quando o vinho tem um teor alcoólico mais elevado.

“Para uma melhor avaliação visual, a recomendação é estar em um local bem iluminado, que permita avaliar todas as nuances da cor”, destaca Renzini.

A partir do olfato é possível identificar os aromas primários, como frutas e flores, secundários, como de produção e fermentação em barrica, e terciários, como o tempo de guarda em garrafa.

Conforme a sommelière, há mais de oito mil aromas que podem ser percebidos nos vinhos. “Por meio do olfato, sentimos as diferenças de sabores e ativamos a nossa memória olfativa. Esta fase, na qual percebemos os aromas do vinho antes mesmo de prová-lo, é conhecida como primeiro nariz”, explica.

Assim, quanto mais referências olfativas a pessoa tiver, mais intensa será a experiência da apreciação do vinho, que deve ser tomado de acordo com sua temperatura ideal. Outra dica é degustar o vinho em um ambiente livre de aromas fortes, como gordura, produtos químicos ou excesso de perfume.

Após perceber o vinho por meio do olfato, é hora de apreciá-lo. No momento da análise gustativa, é possível perceber demais detalhes do vinho, como a acidez e tanicidade. Uma dica é colocar e manter uma quantidade da bebida na boca por cerca de 15 segundos para avaliar as sensações que a bebida provocará.

Entre uma degustação e outra, Renzini ressalta a necessidade de tomar água ou comer uma fatia de pão ou maçã para limpar as papilas gustativas.

Para favorecer o processo, também não pode faltar uma boa taça.

“A recomendação é buscar uma taça em formato de tulipa. Por ter um bojo maior e ser fechada na parte superior, é muito boa, principalmente para a parte aromática”, aconselha.

 

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