A sa uacute;de p uacute;blica est aacute; um caos. Certamente isso n atilde;o eacute; novidade para ningu eacute;m, ainda mais para os usu aacute;rios do Sistema Uacute;nico de Sa uacute;de (SUS), que s atilde;o os que realmente dependem da boa vontade dos governantes. Mas a tend ecirc;ncia tem sido a situa ccedil; atilde;o piorar. Cada vez mais eacute; comum ver pacientes que precisam de tratamento m eacute;dico deixados agrave; pr oacute;pria sorte. Isto porque todo o sistema est aacute; errado, ultrapassado e precisa urgentemente de uma reforma.
Em Marechal C acirc;ndido Rondon, o m eacute;dico propriet aacute;rio do Hospital Fumagali, Iacute;talo Fernando Fumagali, tentou fazer o descredenciamento do SUS. Adiou a a ccedil; atilde;o, mas n atilde;o desistiu. Ele alega que continuar atendendo pelo Sistema Uacute;nico est aacute; cada vez mais dif iacute;cil porque a tabela est aacute; muito defasada.
Ontem (13) foi a vez do Hospital Bom Jesus, de Toledo, anunciar, mais uma vez, o descontentamento e a falta de compromisso do Governo do Estado. O cap iacute;tulo da novela desta vez eacute; que o governo estadual, por meio da Secretaria de Sa uacute;de (Sesa), n atilde;o efetuou o pagamento de uma parcela de R$ 200 mil, de uma d iacute;vida total de quase R$ 500 mil, a qual deveria ter sido quitada at eacute; ter ccedil;a-feira (10).
Como forma de protesto, o atendimento foi interrompido a partir de ontem e, com as portas fechadas, um la ccedil;o preto foi amarrado para demonstrar a indigna ccedil; atilde;o. Est atilde;o mantidos apenas os servi ccedil;os do SUS de urg ecirc;ncia e emerg ecirc;ncia.
A institui ccedil; atilde;o eacute; refer ecirc;ncia na 20 ordf; Regional de Sa uacute;de e atende 18 munic iacute;pios, o que resulta em uma popula ccedil; atilde;o de cerca de 350 mil pessoas. A superintendente do Bom Jesus, Michelle Okano, e o presidente da Associa ccedil; atilde;o Beneficente de Sa uacute;de do Oeste do Paran aacute; (Hoesp), mantenedora do hospital, m eacute;dico Sandro Okano, reuniram a imprensa para falar sobre o assunto.
Preocupa ccedil; atilde;o
De acordo com Michelle, o secret aacute;rio estadual de Sa uacute;de, Carlos Moreira, havia prometido que seria feito o pagamento at eacute; ter ccedil;a-feira. Os R$ 200 mil s atilde;o referentes aos servi ccedil;os prestados pelo hospital nos uacute;ltimos tr ecirc;s meses. Ontem foram repassados somente R$ 60 mil para a unidade, o que n atilde;o cobre os gastos com os atendimentos. O governador Orlando Pessuti se comprometeu a repassar o valor at eacute; ter ccedil;a-feira (17).
ldquo;A nossa preocupa ccedil; atilde;o existe porque j aacute; t iacute;nhamos compromissos assumidos e cheques pr eacute;-datados. O hospital se envergonha desta situa ccedil; atilde;o rdquo;, comenta.
A m eacute;dica menciona que h aacute; cerca de duas semanas, quando esteve em Curitiba para uma reuni atilde;o com o secret aacute;rio, este disse que o d eacute;ficit mensal na aacute;rea de sa uacute;de era de R$ 2,5 milh otilde;es. Atualmente j aacute; chega a R$ 4 milh otilde;es. ldquo;N atilde;o conseguimos ver uma previs atilde;o de que a situa ccedil; atilde;o se normalize, a n atilde;o ser que venha uma verba do governo federal. Se o Estado est aacute; com este d eacute;ficit, como vamos receber? Eacute; dif iacute;cil, por eacute;m, percebemos que eles tamb eacute;m est atilde;o se movimentando e tentando uma solu ccedil; atilde;o com o pr oacute;prio ministro da Sa uacute;de (Jos eacute; Gomes Tempor atilde;o) para angariar fundos. Eu s oacute; fa ccedil;o essa pergunta: por que agora? Por que isso n atilde;o aconteceu antes? rdquo;, questiona.
Contrato em an aacute;lise
Segundo a superintendente, o contrato com o SUS est aacute; sendo analisado pelos assessores jur iacute;dicos do Bom Jesus para que legalmente o atendimento possa ser interrompido caso os recursos n atilde;o sejam repassados. ldquo;Hoje (ontem) eacute; apenas um manifesto para que as pessoas olhem para a nossa situa ccedil; atilde;o. Estamos precisando de ajuda. Estamos atendendo os casos de urg ecirc;ncia e emerg ecirc;ncia, que eacute; o contrato que temos e vamos respeitar. Todos os casos sempre foram encaminhados para o Bom Jesus, desde uma simples cefaleia. S oacute; que agora vamos restringir somente a urg ecirc;ncia e emerg ecirc;ncia. Fora o SUS o atendimento continua normal rdquo;, explica.
A m eacute;dica refor ccedil;a que os pacientes internados continuar atilde;o sendo atendidos. ldquo;Nossa inten ccedil; atilde;o n atilde;o eacute; prejudicar a popula ccedil; atilde;o. Em todo momento gostaria de frisar: contamos com a mobiliza ccedil; atilde;o da sociedade mais uma vez, que j aacute; eacute; nossa parceira. Toda vez que promovemos a ccedil; otilde;es sociais s atilde;o eles que aderem agrave;s nossas campanhas e de fato fazem algumas coisas aqui dentro acontecer. Mais uma vez conclamamos a sociedade para que olhe para o hospital e que movam suas for ccedil;as para que possamos nos reerguer rdquo;, declara.
Tabela SUS
Segundo a superintendente, a dire ccedil; atilde;o da institui ccedil; atilde;o nunca cogitou o descredenciamento ao SUS e nem interromper o atendimento. ldquo;O problema eacute; que os recursos que estamos para receber do Estado n atilde;o s atilde;o suficientes. Este eacute; um ano eleitoral, por isso gostar iacute;amos que os eleitores avaliassem bem as propostas na aacute;rea da sa uacute;de. Este eacute; o nosso d eacute;ficit maior aqui. A nossa cidade est aacute; linda e maravilhosa, mas talvez o hospital esteja doente. Se n atilde;o houver nenhum acordo, podemos cessar o atendimento rdquo;, afirma.
Michelle comenta que houve, recentemente, uma atualiza ccedil; atilde;o de apenas mil procedimentos do SUS, que foram reajustados em cerca de 30%. Por eacute;m, a tabela n atilde;o eacute; corrigida h aacute; mais de 12 anos.
ldquo;Al eacute;m do valor baixo que eacute; pago, ainda n atilde;o estamos conseguindo receber. Tudo que estamos precisando receber s atilde;o atendimentos que j aacute; foram realizados e os produtos j aacute; estavam dispon iacute;veis para os pacientes rdquo;, salienta.
A m eacute;dica cita um exemplo: uma seringa que o Bom Jesus compra por um pre ccedil;o atualizado, vai receber do SUS o valor defasado em mais de uma d eacute;cada. Se n atilde;o bastasse isso, o repasse dos recursos eacute; feito apenas a cada tr ecirc;s meses. ldquo;Um paciente que ganhou alta hoje provavelmente vamos receber o valor somente daqui 90 dias. S oacute; que o produto para o atendimento j aacute; est aacute; pago. O que mais est aacute; gerando preocupa ccedil; atilde;o eacute; a insatisfa ccedil; atilde;o dos profissionais, porque n atilde;o conseguimos valoriz aacute;-los adequadamente agrave; altura que eles merecem. Tudo isso vira uma bola de neve rdquo;, lamenta.
Limite de AIH rsquo;s
O Bom Jesus vive um problema dram aacute;tico. Al eacute;m da tabela de servi ccedil;os do SUS estar defasada, os munic iacute;pios sempre utilizam mais do que os limites de AIH rsquo;s. At eacute; ontem, 90% j aacute; haviam ultrapassado o dobro de cotas. Como o hospital s oacute; recebe o que est aacute; no contrato, as autoriza ccedil; otilde;es de internamento adicionais, todos os meses, s atilde;o sin ocirc;nimo de preju iacute;zo financeiro.
Questionada se existe a inten ccedil; atilde;o de se formar uma comitiva com representantes das secretarias de Sa uacute;de dos munic iacute;pios de abrang ecirc;ncia da 20 ordf; Regional para ir a Curitiba reivindicar melhorias ao hospital, a superintendente revela que h aacute; tempo frequenta as reuni otilde;es e sempre solicitou que os munic iacute;pios estejam unidos para buscar recursos. ldquo;Isso ainda n atilde;o ocorreu. Hoje agrave; tarde (ontem) me convidaram para uma reuni atilde;o na tentativa de buscar recursos para o Bom Jesus. Eu me pergunto: por que agora? Poder iacute;amos ter resolvido isso antes? Poder iacute;amos. N atilde;o precisar iacute;amos chegar nesta situa ccedil; atilde;o, com certeza rdquo;, destaca.
O diretor da 20 ordf; Regional de Sa uacute;de, Edson Simionato, foi procurado pela reportagem do Jornal O Presente para falar sobre o assunto. Entretanto, ele n atilde;o foi localizado.
Ap oacute;s coletiva, pol iacute;ticos se comprometem
Ap oacute;s a coletiva de imprensa, ontem, o deputado federal Dilceu Sperafico entrou em contato com a superintendente do Hospital Bom Jesus, Michelle Okano, e se comprometeu, juntamente com o prefeito de Toledo, Jos eacute; Carlos Schiavinato, a buscar recursos diretamente com o ministro da Sa uacute;de, Jos eacute; Gomes Tempor atilde;o, na quarta-feira (18).
Ainda na tarde de ontem, foi realizada uma reuni atilde;o na 20 ordf; Regional de Sa uacute;de com a comiss atilde;o t eacute;cnica do Cons oacute;rcio Intermunicipal de Sa uacute;de Costa Oeste do Paran aacute; (Ciscopar). Diante de toda situa ccedil; atilde;o, ficou decidido que os integrantes da entidade v atilde;o propor aos prefeitos de que os munic iacute;pios colaborem com a contribui ccedil; atilde;o mensal de R$ 150 mil, j aacute; que hoje n atilde;o h aacute; contribui ccedil; atilde;o. No entanto, tudo isso s atilde;o propostas. Nada de concreto ainda existe.
Hospital Regional n atilde;o eacute; a solu ccedil; atilde;o
Anunciado como uma grande conquista para a regi atilde;o Oeste, a constru ccedil; atilde;o do Hospital Regional de Toledo n atilde;o deve trazer grandes melhorias para o setor de sa uacute;de p uacute;blica. A constata ccedil; atilde;o eacute; da superintendente do Bom Jesus, Michelle Okano. ldquo;A constru ccedil; atilde;o do Hospital Regional n atilde;o significa que haver aacute; mais leitos ou o atendimento do SUS ser aacute; desafogado. O que vai acontecer eacute; que os atendimentos ser atilde;o divididos. N atilde;o ganharemos mais AIH rsquo;s (autoriza ccedil; otilde;es de internamento hospitalar), porque recebemos de acordo com o n uacute;mero da popula ccedil; atilde;o. Hoje somam cerca de 500 AIH rsquo;s que seriam divididas com o Hospital Regional e Bom Jesus rdquo;, informa.
Pego de surpresa, Cottica demonstra preocupa ccedil; atilde;o
O munic iacute;pio de Marechal C acirc;ndido Rondon eacute; um dos 18 da 20 ordf; Regional de Sa uacute;de que utiliza os servi ccedil;os prestados pelo Hospital Bom Jesus. Se o atendimento do SUS deixar de ser feito, causar aacute; um grande preju iacute;zo especialmente para os usu aacute;rios e familiares, que precisar atilde;o ser deslocados para outras cidades mais distantes.
O secret aacute;rio de Sa uacute;de, vice-prefeito Silvestre Cottica, explica que a situa ccedil; atilde;o eacute; muito preocupante. Ele diz que at eacute; foi pego de surpresa com a not iacute;cia envolvendo o Bom Jesus. ldquo;Quando fomos a Curitiba, h aacute; alguns dias, para uma reuni atilde;o com o secret aacute;rio de Estado de Sa uacute;de, nos repassaram a informa ccedil; atilde;o de que a situa ccedil; atilde;o do hospital seria resolvida rdquo;, afirma.
De acordo com o vice-prefeito, o problema eacute; que a Sesa tamb eacute;m n atilde;o est aacute; recebendo recursos oriundos do Minist eacute;rio da Sa uacute;de. ldquo;Estamos muito preocupados com isso porque eacute; o atendimento para as pessoas que precisam do SUS. Estamos pressionando para que o Governo do Estado resolva esta situa ccedil; atilde;o. N atilde;o temos muitas alternativas para o atendimento agrave; popula ccedil; atilde;o. A solu ccedil; atilde;o seria Cascavel, mas o munic iacute;pio eacute; mais distante e n atilde;o tem muitas vagas, bem como a Regional de Sa uacute;de eacute; outra rdquo;, relata.
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