A administra ccedil; atilde;o de Marechal C acirc;ndido Rondon tem reuni atilde;o marcada para amanh atilde; (12) com o objetivo de discutir qual ser aacute; a medida a ser adotada diante do pedido de descredenciamento do Sistema Uacute;nico de Sa uacute;de (SUS) feito pela dire ccedil; atilde;o do Hospital Dr. Fumagali. A solicita ccedil; atilde;o foi oficializada por meio de uma carta entregue agrave; Secretaria Municipal de Sa uacute;de.
A reuni atilde;o dever aacute; contar com a presen ccedil;a do prefeito Moacir Froehlich, secret aacute;rio da pasta, Silvestre Cottica, diretores de Sa uacute;de, procuradores jur iacute;dicos, dentre outros. Isto porque, o Poder P uacute;blico eacute; o gestor de Sa uacute;de no munic iacute;pio, respons aacute;vel pelo repasse das Autoriza ccedil; otilde;es de Interna ccedil; atilde;o Hospitalar (AIH) ao hospital credenciado.
De acordo com o secret aacute;rio Silvestre Cottica, a municipalidade ir aacute; buscar uma solu ccedil; atilde;o para o problema. ldquo;Vamos buscar alternativas rdquo;, diz, considerando precoce adiantar possibilidades a serem estudadas.
Conforme ele, o pedido de desligamento da dire ccedil; atilde;o do hospital foi recebido com surpresa pela administra ccedil; atilde;o. ldquo;Foi uma atitude radical. Est aacute;vamos conversando e ainda estamos abertos ao di aacute;logo, mas dentro de alguns crit eacute;rios rdquo;, ressalta.
O estranhamento se deve, segundo Cottica, ao fato de a municipalidade ter buscado auxiliar a unidade hospitalar. ldquo;N oacute;s conseguimos melhorar bastante a condi ccedil; atilde;o de atendimento do hospital, oferecendo a possibilidade de receberem em torno de R$ 50 mil a mais para fazerem cirurgias eletivas, a partir de mar ccedil;o. No entanto, como n atilde;o fizeram, n atilde;o chegaram a receber rdquo;, exp otilde;e.
Conforme o diretor do Departamento de Sa uacute;de, Lari Pedro Nunes, o Hospital Fumagali recebe R$ 116 mil mensais por 222 AIH rsquo;s que possui. ldquo;Para receber os valores pagos pelas AIHs, o hospital precisa fazer as interna ccedil; otilde;es e para receber por cirurgias eletivas eacute; preciso fazer os procedimentos rdquo;, ressalta.
Pol iacute;tica
Apesar de acreditarem ter sido uma atitude pol iacute;tica da parte do vereador Iacute;talo Fernando Fumagali, o secret aacute;rio e o diretor enfatizam que pretendem lidar com o problema a partir de uma postura unicamente administrativa. ldquo;A sa uacute;de no munic iacute;pio sempre foi administrada de forma pol iacute;tica e n oacute;s queremos tirar o munic iacute;pio desse v iacute;cio rdquo;, pontua Cottica. ldquo;N oacute;s na secretaria estamos fazendo o nosso trabalho e o prestador de servi ccedil;o precisa fazer o dele, tendo o compromisso com a comunidade rdquo;, enfatiza.
Questionamento
O diretor do Departamento de Sa uacute;de, Lari Pedro Nunes, faz um questionamento a respeito da atitude da dire ccedil; atilde;o da unidade hospitalar. ldquo;Como eacute; que o hospital vai sobreviver sem os repasses do SUS, j aacute; que eacute; um montante consider aacute;vel e garantido m ecirc;s a m ecirc;s? Como vai honrar os compromissos com os funcion aacute;rios? Atender somente particular, conv ecirc;nio? rdquo;, indaga.
Segundo ele, as pessoas que procuram atendimento pelo SUS s atilde;o, em sua maioria, de baixa renda. ldquo;Como ele vai fazer para atender a essas pessoas? rdquo;, diz.
O servidor entende que n atilde;o eacute; vi aacute;vel ao hospital o descredenciamento do sistema.
Fumagali: ldquo;Decis atilde;o pelo desligamento eacute; irrevers iacute;vel rdquo;
Procurado pela reportagem do Jornal O Presente para falar sobre o assunto, o propriet aacute;rio do Hospital Dr. Fumagali, Iacute;talo Fernando Fumagali, disse que a decis atilde;o sobre o desligamento eacute; irrevers iacute;vel. ldquo;J aacute; tivemos um ano e meio para di aacute;logo com a administra ccedil; atilde;o e h aacute; condi ccedil; otilde;es de di aacute;logo com o gestor municipal rdquo;, assegura.
Segundo ele, o contrato prev ecirc; a ren uacute;ncia de uma das partes mediante prazo de 90 dias, por eacute;m em caso de acordo m uacute;tuo pode ser rescindido de maneira imediata. ldquo;Estou indo para Curitiba nesta sexta-feira para entregar a carta ao superintendente estadual, na qual pedimos a contagem do prazo a partir dessa entrega, mas na mesma carta tamb eacute;m est aacute; o pedido para, se o gestor municipal houver por bem, nos conceda o desligamento imediato rdquo;, acentua.
O empres aacute;rio ressalta que a fam iacute;lia Fumagali, bem como o hospital, n atilde;o depende da verba do SUS para sobreviver. ldquo;A empresa tem tido preju iacute;zos com o SUS. Inclusive um dos dois pavimentos em que realizamos as interna ccedil; otilde;es j aacute; foi desativado rdquo;, informa.
Motivos
Indagado sobre os motivos porque a dire ccedil; atilde;o da unidade hospitalar tomou a decis atilde;o de desligar-se do sistema, ele pontua: em primeiro lugar a defasagem da tabela de remunera ccedil; atilde;o do SUS pelos procedimentos realizados pelo hospital. ldquo;A tabela eacute; de mais de dez anos. Dada a infla ccedil; atilde;o desse per iacute;odo, n atilde;o h aacute; condi ccedil; otilde;es de trabalhar rdquo;, acrescenta.
Em segundo lugar, exp otilde;e, v ecirc;m os ldquo;motivos acess oacute;rios rdquo;, que eacute; a dificuldade de entrosamento com o gestor local, prefeito, secret aacute;rio, diretores. ldquo;H aacute; uma dificuldade muito grande porque de modo geral eles s atilde;o leigos, desconhecem a parte t eacute;cnica de atendimento aos doentes, os valores pagos, que n atilde;o est atilde;o de acordo agrave;s necessidades econ ocirc;micas rdquo;, salienta.
As dificuldades de relacionamento tamb eacute;m ocorrem por desconhecimento dos tr acirc;mites. ldquo;E ainda pelo desconhecimento do valor que tem um hospital trabalhando pelo SUS em uma cidade. Na nossa vis atilde;o, um hospital que atende pelo sistema eacute; uma institui ccedil; atilde;o de muito valor, mas n atilde;o est aacute; sendo valorizado rdquo;, acredita.
Em terceiro lugar, conforme Fumagali, al eacute;m de n atilde;o haver valoriza ccedil; atilde;o, ainda existiria a cria ccedil; atilde;o de dificuldades. ldquo;A administra ccedil; atilde;o est aacute; obstaculizando o funcionamento do hospital, pois eles t ecirc;m uma certa inger ecirc;ncia no faturamento global do mesmo rdquo;, declara.
O m eacute;dico e empres aacute;rio afirma que at eacute; o momento o hospital e os profissionais do mesmo vinham prestando atendimentos mais por compromisso com a comunidade. ldquo;Mas com o gestor atual dificultando o nosso trabalho, resolvemos sair. Vamos trabalhar de outras formas. O hospital n atilde;o vai fechar, nem deixar de atender pobre, mas n atilde;o vai trabalhar mais pelo SUS porque a inger ecirc;ncia do gestor eacute; extremamente danosa e at eacute; predadora rdquo;, classifica.
Fumagali entende que a popula ccedil; atilde;o carente eacute; que ser aacute; prejudicada com a medida, no entanto, lembra que a obriga ccedil; atilde;o de prestar o atendimento agrave; sa uacute;de eacute; do gestor.
Diverg ecirc;ncias
Questionado se a medida adotada por ele tamb eacute;m teria motiva ccedil; atilde;o pol iacute;tica, Fumagali admite que sim. ldquo;O fato de eles (gestores p uacute;blicos) prejudicarem o nosso hospital eacute; retalia ccedil; atilde;o pol iacute;tica porque fa ccedil;o oposi ccedil; atilde;o a eles como vereador. Eles retiraram AIH rsquo;s do hospital e nosso faturamento vai baixar em torno de R$ 25 mil este m ecirc;s, sendo que temos compromissos financeiros. Temos 50 fam iacute;lias que sobrevivem a partir do hospital. Ent atilde;o, se existe um fundamento pol iacute;tico da nossa parte eacute; de defesa, estamos nos defendendo rdquo;, pontua.
Eletivas
Quanto agrave;s cirurgias eletivas, o m eacute;dico afirma que o hospital eacute; credenciado para urg ecirc;ncias e emerg ecirc;ncias e que n atilde;o tem obriga ccedil; atilde;o de fazer aquelas. ldquo;Quem tomou a iniciativa de fazer foi o hospital e far iacute;amos o servi ccedil;o extra teto. O munic iacute;pio estava levando pacientes para fazer cirurgias eletivas em outras cidades, mas como elas davam mau resultado, tivemos que refazer algumas rdquo;, relata, acrescentando que as cirurgias que est atilde;o sendo feitas hoje est atilde;o dentro do teto de repasse do SUS.
Considerando a possibilidade de uma nova realidade a partir do descredenciamento, Fumagali adianta que haver aacute; necessidade de realizar demiss otilde;es de cerca de 30 funcion aacute;rios do hospital.
lt;galeria / gt;