Ao final do 2008, havia uma previs atilde;o de que a crise financeira mundial iria afetar 97% das ind uacute;strias brasileiras, de acordo com estudo divulgado em dezembro pela Funda ccedil; atilde;o Get uacute;lio Vargas. Cerca de meio ano depois, outro estudo, desta vez, do Servi ccedil;o de Apoio agrave;s Micro e Pequenas Empresas de S atilde;o Paulo (Sebrae/SP), apontou que a crise externa estaria afetando 63% das micro e pequenas empresas brasileiras. Um ano depois, neste m ecirc;s, o setor industrial come ccedil;a a avaliar o ano de 2009, mas com uma vis atilde;o bem mais otimista. A crise passou pelo Brasil, sim, mas n atilde;o estaria provocando tanto estragos. No m aacute;ximo, tornou mais lento um processo de intenso desenvolvimento industrial pelo qual o pa iacute;s vinha passando.
O empres aacute;rio Dali Zadinello, do Grupo Zadville, exp otilde;e que 2008 encerrou bastante obscuro sobre o que seria 2009 com rela ccedil; atilde;o agrave; economia; havia muito pessimismo, mas n atilde;o foi o caos como se previa. ldquo;Foi preciso uma readapta ccedil; atilde;o e reorganiza ccedil; atilde;o, as empresas precisaram se replanejar e fazer mudan ccedil;as no decorrer do ano, conforme as mudan ccedil;as foram acontecendo rdquo;, comenta. Ele exp otilde;e que cada um no seu setor teve reflexos diferentes. ldquo;Para alguns foi negativo, para outros foi necess aacute;rio apenas alguns ajustes. Foi um ano de aprendizado, de ajustes operacionais rdquo;, diz.
Dali explica que o mercado oscila todo o tempo, e os cuidados que os industriais tiveram que ter em 2009 apenas foram maiores devido agrave; instabilidade do mercado, principalmente internacional. ldquo;Foram necess aacute;rios ajustes para equacionar a demanda, produ ccedil; atilde;o, setor t eacute;cnico, as margens de lucro… tudo foi reavaliado, porque tivemos um mercado financeiro com novas regras. E isso requer tempo e aten ccedil; atilde;o. Mas podemos dizer que foi um ano de muito aprendizado rdquo;, detalha.
No entender de Dali Zadinello, as ind uacute;strias sofreram os reflexos da crise de acordo com o que se prepararam ou reagiram. ldquo;S atilde;o vari aacute;veis que, mesmo que seja um ano considerado bom, se o administrador n atilde;o estiver atento para algum setor pode afetar rdquo;, diz.
Para a aacute;rea de alimentos especificamente, comenta o empres aacute;rio, n atilde;o houve crescimento em 2009, mas se manteve. J aacute; com rela ccedil; atilde;o a 2010, detalha Dali Zadinello, eacute; poss iacute;vel haver otimismo. ldquo;A economia, o mercado externo est aacute; vendo o Brasil com bons olhos, e se prev ecirc; que o pa iacute;s tenha muito cr eacute;dito e neg oacute;cios com o mercado internacional, al eacute;m de investidores externos. O Brasil est aacute; sendo um oacute;timo pa iacute;s para se investir, com isso, em 2010 deve entrar recursos externos no mercado nacional, colaborando para o crescimento rdquo;, conclui.
Medidas
Para o empres aacute;rio Darnes Almeida, da Ind uacute;stria de Bolas Kagiva, a tomada de medidas antecipadas foi o que colaborou para que as ind uacute;strias brasileiras n atilde;o fossem penalizadas severamente pela crise econ ocirc;mica mundial. ldquo;A expectativa para 2009 era a pior poss iacute;vel. Entramos o ano preparados para dificuldades e isso fez com que todos se precavessem e tomassem efetivamente medidas de preven ccedil; atilde;o. A crise n atilde;o foi t atilde;o severa assim para o Brasil e essas medidas colaboraram para o ano ser proveitoso rdquo;, avalia. Segundo ele, entre essas medidas est atilde;o a diminui ccedil; atilde;o de custos e produ ccedil; atilde;o, o que proporcionou uma adequa ccedil; atilde;o agrave; demanda.
Na opini atilde;o do empres aacute;rio, as medidas governamentais, inclusive com redu ccedil; atilde;o de impostos, tamb eacute;m foram muito boas para a ind uacute;stria brasileira, como o caso da redu ccedil; atilde;o do IPI. ldquo;O Brasil, de uma maneira geral, passou tranquilo pelo per iacute;odo. Alguns sentiram sim, mas estavam preparados para se adequar agrave; realidade, outros nem sentiram. N atilde;o foi uma lsquo;sangria desatada rsquo; rdquo;, acredita. Para ele, o empres aacute;rio foi bastante realista e ponderado, agindo na hora certa para evitar perdas. Agrave;queles que sentiram maiores perdas, pontua Kagiva, a partir do segundo semestre j aacute; come ccedil;aram a se recuperar. O dirigente pondera, ainda, que os setores que produzem bens de consumo que n atilde;o s atilde;o priorit aacute;rios, foram os que mais tiveram dificuldades. ldquo;At eacute; porque o pr oacute;prio consumidor, por conta da divulga ccedil; atilde;o da crise, passou a cortar os sup eacute;rfluos rdquo;, justifica.
De acordo com Darnes Almeida, a economia mundial j aacute; tem dado ind iacute;cios de rea ccedil; atilde;o e, se continuar assim, a perspectiva eacute; de se ter um 2010 de muito desenvolvimento. ldquo;Muitas empresas j aacute; est atilde;o prevendo investimentos, outras j aacute; estabilizaram ou voltaram a crescer. O ano s oacute; n atilde;o vai ser bom se houver um trope ccedil;o mundial novamente rdquo;, afirma.
O empres aacute;rio observa que o Brasil, nos pr oacute;ximos anos, ter aacute; muitos investimentos externos, tendo em vista a previs atilde;o de grandes eventos, como as Olimp iacute;adas e a Copa do Mundo, que ser atilde;o promovidas no pa iacute;s. ldquo;At eacute; 2016 acredito que o pa iacute;s vai viver um per iacute;odo muito bom. O Brasil vai ter destaque mundial e deve haver um crescimento geral e melhoria em todos os setores, porque vamos querem que quem venha para c aacute;, saia com uma boa imagem do pa iacute;s rdquo;, finaliza Darnes.
Agroneg oacute;cio
O diretor-presidente da Frimesa, Valter Vanzella, pondera que 2009 foi um ano dif iacute;cil para setores da ind uacute;stria, especialmente aqueles que trabalham com o mercado internacional, com exporta ccedil; atilde;o; mas cada segmento teria suas especificidades. ldquo;Na carne su iacute;na, por exemplo, houve crescimento de produ ccedil; atilde;o, mas reduziu a demanda no mercado externo, por conta da crise econ ocirc;mica. Dessa forma toda a cadeia produtiva foi atingida, inclusive a ind uacute;stria rdquo;, exemplifica. Apesar disso, avalia o industrial, ser aacute; poss iacute;vel agrave; Frimesa e demais ind uacute;strias do setor, que tiveram um bom planejamento e gest atilde;o, fechar o ano, talvez n atilde;o com grandes lucros, mas com saldo positivo mesmo assim.
Conforme o dirigente, neste ano, o agroneg oacute;cio como um todo teria sido atingido pelas diversas vari aacute;veis que o influenciam, mas 2009 ficou dentro da m eacute;dia do setor. ldquo;Foi um ano dif iacute;cil, mas as contas ser atilde;o fechadas com equil iacute;brio, olhando para o futuro. Tivemos como ponto extremamente positivo o fato de manter a cadeia na normalidade, e para 2010 temos uma expectativa muito boa rdquo;, declara.
O diretor-presidente da Frimesa explica que o pessimismo que se atribuiu a 2009 foi em parte especula ccedil; atilde;o. ldquo;N atilde;o houve a cat aacute;strofe econ ocirc;mica que alguns prenunciavam. Foi um ano lsquo;morno rsquo;, sem extremos, nem ruim, nem bom rdquo;, exp otilde;e.
J aacute; com rela ccedil; atilde;o a 2010, Valter Vanzella menciona que para o agroneg oacute;cio ainda eacute; um pouco duvidoso, mas com certeza mais positivo que em 2009. ldquo;A nossa moeda ainda est aacute; bastante valorizada, o mercado internacional ainda tem pouco comprador… Por outro lado prevemos uma safra recorde, de olho nos pre ccedil;os, que podem cair. Mas devemos lembrar que o gr atilde;o eacute; insumo para ave, porco e leite. Ent atilde;o, com certeza vamos iniciar 2010 com muito mais otimismo do que iniciamos este ano rdquo;, finaliza.
Valor agregado
O diretor-propriet aacute;rio da Tecsoft, Ingo Hort, refor ccedil;a que o meio empresarial iniciou 2009 muito mais com incertezas e pessimismo do que com uma crise verdadeiramente. Ele exp otilde;e que no seu caso, o in iacute;cio do ano foi considerado normal, sem avan ccedil;os ou perdas. Contudo, a queda natural que ocorre no inverno, neste ano, foi tida como muito mais brusca. ldquo;Mas a rea ccedil; atilde;o, depois, agora no segundo semestre, tamb eacute;m foi brusca e vai garantir que o ano seja fechado com um n iacute;vel muito bom e at eacute; igual a 2008 rdquo;, detalha.
A ind uacute;stria brasileira, de um modo geral, acredita o empres aacute;rio, sofreu um pouco por conta da crise econ ocirc;mica mundial e com mais reflexo para quem trabalha com exporta ccedil; atilde;o. ldquo;A crise no pa iacute;s foi gerada muito em especula ccedil; otilde;es. Muita gente se aproveitou, enquanto outros se desesperaram. Mas quem transcorreu o ano fazendo ajustes, conseguiu encontrar o equil iacute;brio, porque a acelera ccedil; atilde;o tamb eacute;m n atilde;o vem s oacute; com coisas boas. Se n atilde;o forem feitos os ajustes necess aacute;rios, pode desequilibrar e prejudicar. Precisa sempre tirar uma m eacute;dia, para enxergar as possibilidades que existem na crise e estar atento para pontos negativos que chegam com a acelera ccedil; atilde;o rdquo;, argumenta.
O empres aacute;rio acredita que 2010 vai ser um ano bastante positivo para o Brasil, tanto que a Tecsoft j aacute; tem planejado sua estrat eacute;gia de trabalho, ampliando sua a ccedil; atilde;o. Ele menciona que, apesar de avaliar o mercado internacional, a empresa ainda tem como meta o trabalho no pa iacute;s, porque ainda h aacute; demanda. ldquo;A busca eacute; por agregar valor ao produto. O que agregamos valor no ano passado, agora, ao final da crise, j aacute; percebemos os resultados. Se n oacute;s, como ind uacute;stria, acreditarmos mais, j aacute; eacute; um passo para ter o melhor resultado rdquo;, arremata.
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