Considerado o ministro mais dinâmico do governo Bolsonaro, Tarcisio Gomes de Freitas (Infraestrutura) foi colocado a par das obras de duplicação da rodovia 163, entre Marechal Cândido Rondon e Toledo e entre Cascavel e Capitão Leônidas Marques. E autorizou a liberação de R$ 190 milhões para a continuidade.
Uma parte dos recursos, cerca de R$ 20 milhões, virá para indenizar agricultores que terão suas áreas ocupadas pelo novo traçado, notadamente no município de Lindoeste. O aporte não deixa de ser um alívio para os empresários Assis Gurgacz e Paulo Tripoloni.
Ambos, em célebre reunião realizada no Hotel Copas Verdes, antes do início das obras, em gesto inusitado, se propuseram a dar aval aos temerários recursos da União. Havia um impasse paralisante naquele momento. Os agricultores não queriam liberar suas áreas enquanto não fossem indenizados.
Foi quando Assis e Tripoloni, o dono da construtora licitada para a duplicação, garantiram a indenização às expensas de seus próprios bolsos, “caso a União não pagasse os agricultores em um período de cinco anos”, como enfatizou Gurgacz.
Garantias
Em tratativas com o ministro, Assis Gurgacz sugeriu suprir a antiga pista da 163 – hoje em uso – com a mesma técnica adotada na “perna” duplicada. Ou seja, a pavimentação com uso de concreto. A mudança onera a obra em cerca de R$ 80 milhões, cálculo da Tripoloni.
“Pavimentação com asfalto tem garantia de apenas cinco anos. O concreto eleva a garantia para perto de 30 anos”, argumenta Gurgacz, sempre rápido nas contas de cabeça.
Segundo ele, R$ 25 milhões anuais são designados para reparos na 163. “Em pouco mais de três anos, recupera-se o investimento aplicando o pavimento em concreto”, diz.
Concessões
A rodovia 163 está entre as mais cotadas para ingressar no programa de concessões de rodovias do ministro Tarcisio, ele próprio, um entusiasta de repassar a infraestrutura rodoviária para a iniciativa privada.
O governador Ratinho Junior está em entendimentos para ampliar a política de concessões, incluindo mais de mil quilômetros de rodovias estaduais aos trechos já concedidos do Anel de Integração.
A referência de tarifa, trabalhada pelo Palácio Iguaçu, é equivalente a 50% dos preços praticados hoje. Na licitação da BR-277, em 2021, o governador quer incluir o anel rodoviário de Cascavel, parcialmente edificado, no chamado Contorno Oeste.
Mão na massa
O ministro da Infraestrutura ganhou visibilidade nacional, quando, no segundo mês à frente do Ministério, percorreu mil quilômetros de estrada de chão esburacada na boleia de um caminhão para conhecer as condições da rodovia 163, da Serra do Cachimbo até Santarém, no Pará.
Semanas depois os telejornais já mostravam o início da pavimentação da via. A partir dali, Tarcisio virou uma espécie de queridinho do presidente Bolsonaro. E a lição que ele deixou aos demais ministros e ao próprio presidente foi muito básica: menos discurso ideológico, mais ação.
Em tempo: Assis Gurgacz sofreu dois acidentes de carro em toda sua história de condutor na cidade de Cascavel. E ambos – sem gravidade – foram no mesmo local, entre março do ano passado e igual período deste ano, na Rua JK, esquina com Cuiabá.
Assis é conhecido pelo pé direito pesado. Ele foi motorista dos primeiros ônibus da frota da Eucatur. Em certa ocasião, no Mato Grosso, uma passageira aproveitou uma parada do ônibus para se queixar ao motorista:
– Vou comunicar ao seu patrão que você corre demais, disse a mulher. O motorista apenas baixou a cabeça e silenciou.
Mal sabia a passageira que estava conversando com o próprio. Era Assis Gurgacz ao volante, suprindo a falta inesperada de um motorista da linha.
Com O Pitoco