| Carina Ribeiro/OP |
|---|
![]() |
| Novos loteamentos empurram gado e a vida rural cada vez mais para longe da cidade |
Quando tinha apenas 16 anos, Oldemar Soares olhava as plantações de café que existiam próximo à Vila Gaúcha e não imaginava a vertiginosa expansão urbana que teria a querida Marechal Cândido Rondon, onde ele aprendeu a ocupação de auxiliar de pavimentação. Era 1975. Era ele que asfaltava ruas, onde só existia chão.
Em 38 anos de estrada, adquiriu experiência, filhos, neto, casa própria e uma hérnia na coluna. Sim, porque na maioria dos anos o trabalho foi braçal. Na época, precisávamos de dez a 12 pessoas para fazer asfalto nas ruas do centro da cidade. Usávamos pá, garfo e carrinho de mão. Hoje locamos máquinas e fazemos tudo em três ou quatro pessoas, compara.
Depois que identificou o desvio na coluna, o médico recomendou que ele se afastasse das atividades. Tentou, mas não conseguiu ficar sem trabalhar. A gente não é acostumado a ficar em casa, pondera.
Perdeu as contas de quantas vias e loteamentos já ajudou a asfaltar. Muitas ruas da cidade têm a nossa mão, garante.
Agora, Soares atua como encarregado na implantação de infraestrutura em loteamentos novos que estão surgindo em Marechal Rondon. Ele enche a boca para detalhar como entrega as obras. Nós executamos toda a infraestrutura do loteamento, que tem galerias, asfalto, faixa de pedestre, calçada com acessibilidade e gramado, conta.
A área urbana cresce, e as exigências também. A qualidade na execução dos serviços foi sendo aprimorada ao longo da caminhada do trabalhador, que buscou qualificação, fez cursos de pavimentação e conhece as exigências legais para liberação de um novo loteamento.
Se antigamente as equipes de trabalho faziam asfalto meio no olho, atualmente precisam seguir orientação de engenheiros e profissionais responsáveis pelas obras. Antes colocava mais ou menos pedra conforme achávamos que ficaria melhor. Hoje a gente tem que trabalhar com planilha, a altura do asfalto é medida e o material usado tem que ser conforme previsto, não pode dar furo no orçamento!, comenta Soares.
