Uma pesquisa com 2 mil mães americanas, desenvolvida em parceria com o grupo de pesquisas Talker Research para o projeto It’s a Family Thing (IAFT), revelou que quase metade das mães da geração millennial (nascida entre 1981 e 1996) se descreveram como mentalmente exaustas, e 19% disseram sentir ressentimento. Esse número é aproximadamente três vezes maior do que o relatado pelas mães da geração baby boomer.
Os resultados sugerem que, embora a maternidade tenha mudado ao longo das gerações, o fardo de gerir a vida familiar ainda recai desproporcionalmente sobre as mães. Pesquisadores sugerem que o planejamento, a necessidade constante de lembrar e coordenar as tarefas domésticas e familiares podem prejudicar a carreira e os relacionamentos das mulheres.
Como os millennials agora representam a maior parcela de pais com filhos em casa, o crescente ressentimento pode ter efeitos em cascata nos locais de trabalho e impactar negativamente a situação econômica das mulheres a longo prazo, informou Newsweek.
O que você precisa saber
Embora os millennials apresentem altos índices de esgotamento e ressentimento, tanto as mães da Geração X quanto as millennials afirmaram que o tempo pessoal é sua necessidade número um. No entanto, as mães millennials também são mais propensas a desejar mais ajuda da família, segundo o estudo.
As mães da geração Y se destacaram por se sentirem sobrecarregadas e pouco reconhecidas. Quase metade das entrevistadas disse ansiar por descanso e tempo para recarregar as energias, e 48% se descreveram como “obcecadas por spas”.
No entanto, 40% de todas as mães entrevistadas disseram que, quando a casa funciona bem, ninguém recebe crédito, o que sugere que o trabalho nos bastidores da gestão da vida familiar, muitas vezes, passa despercebido.
“Esse tipo de trabalho muitas vezes passa despercebido, mas é importante”, disse Ana Catalano Weeks, cientista política do Departamento de Política, Línguas e Estudos Internacionais da Universidade de Bath, à Powers Health sobre um estudo de um tema semelhante. “Pode levar ao estresse, à exaustão e até mesmo afetar a carreira das mulheres. Em muitos casos, o ressentimento pode aumentar, criando tensão entre os casais.”
Esse trabalho invisível é especialmente desgastante para mães de crianças pequenas. De acordo com a pesquisa, essas mães perdem o equivalente a 20 dias úteis completos por ano simplesmente lembrando os familiares de tarefas ou responsabilidades que já lhes foram atribuídas.
Jolie Silva, doutora em psicologia e diretora de operações da New York Behavioral Health, disse anteriormente à Newsweek que a pressão para “ter tudo” está afetando as mães da geração millennial atualmente.
“As mães da geração Y foram criadas em um ambiente de empoderamento feminino — para subir na hierarquia corporativa, empreender, obter alta escolaridade e ganhar seu próprio dinheiro. A maioria dessas mulheres também queria ser mãe e talvez não tenha sido apresentada à realidade do ‘trabalho mais difícil'”, disse Silva à Newsweek.
Hoje em dia, muitas mulheres com foco na carreira, na faixa dos 20 anos, não compreendem totalmente o peso mental e as exigências de tempo que a maternidade do primeiro filho acarreta.
“E a realidade de ser uma mãe trabalhadora só se torna evidente quando elas já estão no meio da situação. E aí? Elas precisam do dinheiro; precisam criar os filhos; muitas vezes são atormentadas pela culpa materna e divididas em muitas direções”, disse Silva.
A pesquisa foi encomendada pela IAFT, um aplicativo familiar com inteligência artificial fundado por Priya Rajendran, ex-engenheira do PayPal. O aplicativo foi projetado para distribuir as tarefas domésticas entre os membros da família, para que as mães não fiquem sobrecarregadas gerenciando tanto a casa quanto o sistema criado para organizá-la.
O que acontece a seguir?
Embora a pesquisa se concentre no ressentimento materno, suas implicações vão além dos lares individuais.
“O impacto emocional desse papel multifacetado não pode ser subestimado. As mães frequentemente carregam o peso de antecipar as necessidades de suas famílias, criando um senso generalizado de obrigação que pode se tornar extremamente exaustivo”, disse a psicóloga Ieva Kubiliute, radicada no Reino Unido, à Newsweek.
Com Crescer
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