A produção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, considerada a maior geradora de energia limpa do mundo, evitou a queima de mais de 407 mil barris de petróleo por dia em 2025. A comparação segue dados de referência do Ministério de Minas e Energia (MME) e representa o que seria necessário em combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão) para gerar a mesma quantidade de eletricidade.
O número corresponde a produção da usina no lado brasileiro, em Foz do Iguaçu, Oeste do Paraná, e na cidade de Hernandarias, no lado paraguaio.
Além de não utilizar combustíveis fósseis, a produção da usina em 2025 também evitou a emissão de grandes volumes de gases de efeito estufa. Caso essa energia fosse gerada por outras fontes, seriam emitidas cerca de 36 milhões de toneladas de CO₂ em usinas a gás, 53 milhões em usinas a óleo e até 65 milhões em usinas a carvão.
Julia Rossi, coordenadora do GreenFaith Brasil e pesquisadora da Cooperação Social na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), explica que a exploração de combustíveis fósseis causa danos nocivos aos seres vivos devido à contaminação da água, do solo e do ar.
“Além disso, aumenta a concentração de dióxido de carbono, o que eleva a temperatura do planeta. Muitos pensam que a exploração de combustíveis fósseis é fundamental para o desenvolvimento, mas estudos recentes indicam que a poluição causada por esses combustíveis gera um impacto econômico superior a R$ 90 bilhões por ano no Brasil”, afirma.
Segundo o superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional, Rogério Meneghetti, em um cenário de instabilidade no mercado internacional de petróleo, marcado por conflitos geopolíticos e oscilações nos preços, manter uma matriz energética limpa e diversificada é estratégico.
“Sem Itaipu, essa energia firme teria que vir de outras fontes, provavelmente fósseis. Isso aumentaria a poluição e também a volatilidade dos preços, já que combustíveis como petróleo e gás são influenciados por fatores externos, como o dólar e conflitos internacionais”, disse.
Ainda de acordo com ele, a matriz elétrica brasileira é majoritariamente renovável — cerca de 88% — o que garante maior estabilidade nos preços da energia em comparação com países que dependem mais de combustíveis fósseis ou energia nuclear.
Energia da Itaipu abasteceria o mundo por 25 horas

Segundo a Itaipu, em 2025 a hidrelétrica respondeu por cerca de 8% de toda a energia produzida no Brasil. O restante da produção nacional vem, principalmente, de outras usinas hidrelétricas, que representam 55% do total de energia produzida pelo país, e estações eólicas (15%), segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
“Se a gente considerar a energia produzida em 2025, foram mais de 72 milhões de megawatts-hora gerados com fonte 100% renovável. Essa energia seria suficiente para abastecer todo o Brasil por 38 dias, o Paraguai por dois anos e meio e o mundo por cerca de 25 horas”, diz.
De acordo com Meneghetti, no sistema brasileiro a Itaipu funciona como uma espécie de “bateria”, ajudando a equilibrar a oferta de energia ao longo do dia, especialmente com o crescimento da geração solar e eólica.
“A gente chega a dobrar a produção em poucas horas para compensar a queda da energia solar no fim do dia. Isso ajuda a sustentar o sistema elétrico”, explicou.
Apesar de benefícios, criação de hidrelétrica gerou impactos ao meio ambiente
Apesar de ser uma fonte de energia renovável e com baixa emissão de gases de efeito estufa, a geração hidrelétrica também traz impactos socioambientais, como explica a pesquisadora Julia Rossi.
“O alagamento de áreas para a implementação de hidrelétricas além de assorear rios, devastar florestas e ter como consequência a perda da biodiversidade também desloca comunidades tradicionais de seus territórios ancestrais”, ressaltou a pesquisadora Julia Rossi.
A Itaipu Binacional reconheceu, em outubro de 2025, o impacto que causou a indígena e não indígenas durante a construção da hidrelétrica entre 1973 a 1982.
Segundo relatório produzido pela Procuradoria Geral da República (PGR), cerca de 40 mil pessoas precisaram ser transferidas de suas casas. Foram inundados 135 mil hectares de terras — muitas consideradas sagradas pelo povo Avá-Guarani, que vivia na região.
A usina reconheceu, ainda, que a construção causou a invisibilização de narrativas oficiais no imaginário social, o que gerou um “apagamento violento” da existência indígena.
Com g1
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