| Carina Ribeiro/OP |
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| Alunos do Colégio Estadual de Nova Santa Rosa já contam com internet sem fio no espaço escolar: possibilidade de ampliar ainda mais o acesso |
Solicitar um serviço público ou agendar uma consulta médica sentado na praça, em casa ou em algum estabelecimento público. O que hoje é impossível na maioria dos municípios da região, poderá se tornar corriqueiro em um futuro não tão distante por meio da internet. Autoridades de Nova Santa Rosa já estão se propondo realizar um planejamento visando torná-la uma cidade digital. O conceito vem sendo difundido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e também pela Federação da Indústria do Estado do Paraná (Fiep), por meio de eventos como o 3º Congresso da Rede de Participação Política promovido há alguns dias. Ele prevê o uso de tecnologia de banda larga sem-fio para disponibilizar internet em todo o município, além de outras iniciativas mais abrangentes.
O vereador nova-santa-rosense Dorival Schnekemberg já teve requerimento aprovado pela Câmara de Vereadores, no qual solicita ao Poder Executivo a elaboração de um estudo técnico e administrativo visando à implantação de um projeto de cidade digital.
De acordo com o prefeito Norberto Pinz, trata-se de um projeto audacioso, porém representa uma tendência mundial e que alcançará também o município. No entanto, ainda não há um estudo específico para isso. Seria necessário primeiro levantar custos e viabilidade. Além disso, é um processo gradativo que requer várias parcerias envolvendo o Governo do Estado, o governo federal por intermédio do Ministério e contrapartida da população, pondera.
Conforme o vereador, o projeto de formação de uma cidade digital visa oferecer internet gratuita sem fio em toda ou na maior parte do território do município, incluindo a área rural. Muitas pessoas que hoje não possuem acesso ou possuem acesso limitado seriam beneficiadas com este serviço, já que teriam ampliado o seu acesso à informação na rede mundial de computadores, declara.
Atualmente já existe internet sem fio no Telecentro, no Colégio Estadual Marechal Gaspar Dutra, na prefeitura e na Câmara de Vereadores.
No entanto, Schnekemberg lembra que não bastaria disponibilizar o sinal se não houver as máquinas. Seria necessário criar um programa para facilitar a aquisição de computadores. No caso dos estudantes, a intenção é que cada um tivesse seu notebook individual, explica.
Ainda seria avaliada a possibilidade de tornar a assistência técnica de informática um serviço público.
Serviços on-line
Mais do que internet, o projeto ainda abrange a disponibilização de informações na rede e prestação de serviços por via digital. O objetivo é que o cidadão pudesse preencher protocolos de prestação de serviços públicos on-line, da mesma forma que agendaria consultas médicas pela internet, verificaria a disponibilidade de medicamentos disponíveis na rede pública de saúde, entre outros, explana o vereador.
Para ele, seria uma forma de oferecer mais transparência no meio público, além de democratizar o acesso à informação.
Segmentos
Outro benefício previsto com a Cidade Digital seria o monitoramento de rodovias por câmeras, permitindo o acompanhamento das imagens pela internet em tempo real pelas autoridades competentes. Seria possível conferir o fluxo de veículos e identificar eventuais fugas, garantindo mais uma ferramenta para as autoridades policiais, afirma o vereador.
No âmbito da educação, a intenção é aumentar o acesso de pais e responsáveis às notas dos filhos, proporcionar maior interatividade entre professores e alunos, escolas com lousas digitais, possibilidade de reforço virtual, com o aluno interagindo com o professor em casa, cursos profissionalizantes acessíveis a toda população.
Riquezas
Quanto à produção de riquezas no município, Schnekemberg acredita que o projeto ofereceria melhores condições de competitividade às empresas, que iriam usufruir de vários serviços on-line, consultas, informações de mercado, bem como ampliar seu espaço de divulgação de marca, produtos e serviços. Tudo isso impactaria na geração de empregos e renda para o município, pontua.
Empresas e setor produtivo agropecuário ainda poderiam conhecer clientes e fornecedores, pesquisar preços, conhecer o mercado, o clima, entre outros. Existe ainda a possibilidade de implantação de programas para acompanhamentos de aviários, chiqueiros, controle leiteiro, acesso às integradoras, entre outras.
Viabilidade
Quanto à viabilidade do projeto, Schnekemberg acredita que existem algumas ferramentas que poderiam facilitar a implantação do mesmo. Privilegiar empresas locais na prestação do serviço de internet seria um fator relevante, acredita.
Para ele, uma das exigências para viabilizar o projeto seria de que o computador que utilizasse a internet gratuita do município fosse adquirido no comércio local de Nova Santa Rosa. É uma forma de garantir um benefício às empresas do ramo, além de gerar renda no município, defende.
Vincular o fornecimento do serviço ao cumprimento de deveres dos cidadãos com o erário público também é uma alternativa cogitada pelo vereador. Poderíamos melhorar o desempenho do recolhimento fiscal, sugere.
Ele acredita que os custos para manter o serviço de um provedor não ficariam muito distantes dos valores pagos atualmente.
A municipalidade está prestes a promover licitação de prestação do serviço via fibra ótica nos prédios públicos onde já existe internet.
Experiências
Conforme o edil, aproximadamente 20 municípios do Estado já estão com o sistema implantado ou em fase de implantação, dentre eles: Pitangueiras, Boa esperança, Candoi, Engenheiro Beltrão, Tibagi, Nova Aurora, Cascavel e Projeto Uberaba – Primeiro Bairro Digital de Curitiba. As experiências têm sido diferenciadas e em alguns casos encontram resistência quanto a provedores que já exploram a atividade de forma comercial, oposição política, recursos para investimentos e manutenção do sistema. São vários os desafios a serem enfrentados, mas precisamos dar o pontapé inicial para tornarmos a cidade digital uma realidade, defende Schnekemberg.
Ele aponta que a ampliação do acesso à rede é um processo natural, tal qual ocorreu com o uso do celular. No início era raro, hoje praticamente todo mundo tem. Assim será com a internet, prevê.
