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Prejuízos com acidentes e multas geraram prejuízo de R$ 8 milhões

calendar_month 7 de janeiro de 2010
11 min de leitura

A vit oacute;ria dos rondonenses em 2009, diminuindo os acidentes em mais de 20%, de acordo com dados da Pol iacute;cia Militar divulgados ontem (07) pelo O Presente, representou uma economia de no m iacute;nimo R$ 1.522.490,00. A afirma ccedil; atilde;o est aacute; baseada numa pesquisa do Instituto de Pesquisa Econ ocirc;mica Aplicada (Ipea) e Associa ccedil; atilde;o Nacional de Transportes P uacute;blicos (ANTP) de 2003, denominado Custos dos Acidentes nas Aglomera ccedil; otilde;es Urbanas. De acordo com o estudo, em 2003 no Brasil um acidente sem v iacute;tima custava, em m eacute;dia, R$ 3.262, com v iacute;tima R$ 17.460 e com morte R$ 144.478. O estudo considera, dentre outros custos, o atendimento m eacute;dico-hospitalar e reabilita ccedil; atilde;o, atendimento de policiais e agentes de tr acirc;nsito e danos aos ve iacute;culos. nbsp;
Outros n uacute;meros surpreendentes aparecem na explora ccedil; atilde;o dos n uacute;meros. Apenas em 2009 teriam sido poupadas, por envolvidos em acidentes e pelo governo, R$ 6.465.248. O dinheiro eacute; o suficiente para o funcionamento de um hospital em Marechal C acirc;ndido Rondon por um ano, como ser aacute; enfocado mais adiante, mas acaba perdido em atendimentos hospitalares, indeniza ccedil; otilde;es, perdas materiais, etc.
Um dado da realidade de Marechal Rondon eacute; o valor de multas emitidas pela pol iacute;cia em 2009. Foram R$ 931.452,76 que ter atilde;o que sair do bolso dos motoristas. Uma das solu ccedil; otilde;es para que todo esse dinheiro n atilde;o sofra mais acidentes est aacute; no presente, na educa ccedil; atilde;o das crian ccedil;as, apontam alguns entrevistados.

Consci ecirc;ncia no tr acirc;nsito possibilitaria mais 20% de policiais nas ruas
Um acidente pode gerar bastante servi ccedil;o. S atilde;o motoristas de ambul acirc;ncias, socorristas, m eacute;dicos, enfermeiras, policiais e v aacute;rios outros profissionais que acabam mobilizados. O capit atilde;o Jos eacute; Osmar Novach, comandante da 2 ordf; Cia da Pol iacute;cia Militar de Marechal C acirc;ndido Rondon, informa que, somente no m ecirc;s passado, das 458 ocorr ecirc;ncias atendidas, 64 era de acidentes. ldquo;Uma equipe fica mobilizada em torno de uma hora por causa de um acidente. Al eacute;m do registro no local, outros servi ccedil;os s atilde;o prestados em fun ccedil; atilde;o do acidente. Se n atilde;o fossem eles, estimo que poderia haver mais cerca de 20% de policiamento ostensivo nas ruas rdquo;, comenta.
Para esse ano, a inten ccedil; atilde;o do comandante da PM eacute; intensificar as campanhas de tr acirc;nsito, com apoio de outros oacute;rg atilde;os, inclusive o Conselho de Sa uacute;de e empresas. ldquo;Sentimos reflexos com as campanhas com as crian ccedil;as. Elas est atilde;o cobrando dos pais. As crian ccedil;as s atilde;o a uacute;nica alternativa que est aacute; dando certo a longo prazo. Elas est atilde;o se tornando fiscais do tr acirc;nsito rdquo;, destaca. ldquo;Para o condutor mal-acostumado a solu ccedil; atilde;o eacute; a multa, n atilde;o adianta orienta ccedil; atilde;o rdquo;, lamenta.
Novach diz que para que os acidentes continuem diminuindo eacute; necess aacute;rio um trabalho mais amplo, em todo o Oeste, o que est aacute; longe da al ccedil;ada da pol iacute;cia no momento. ldquo;Se conseguirmos parcerias p uacute;blicas e privadas, vamos conseguir, com certeza, diminuir os acidentes. Estamos ainda acima dos iacute;ndices de acidentes do Estado rdquo;, informa.
nbsp;
Embriaguez
De acordo com o soldado Claudinei Garcia, do Setor de Tr acirc;nsito da Pol iacute;cia Militar de Marechal Rondon, a maioria dos acidentes eacute; por falta de aten ccedil; atilde;o. Ele comenta que a maioria das infra ccedil; otilde;es grav iacute;ssimas 5x s atilde;o por embriaguez ao volante. ldquo;Em 2009, por exemplo, das 72 grav iacute;ssimas 5x, 65 eram por embriaguez rdquo;, conta.
O policial acredita que o estudo do Ipea condiz com a realidade.

Preju iacute;zos s atilde;o bem maiores do que os apontados pelo estudo, diz advogada
Quem sofreu um acidente sabe que a dor maior pode vir depois que ele aconteceu. Eacute; o momento das lembran ccedil;as das perdas materiais e das pessoas que podem ter ficado pelo caminho. Chega o momento de correr atr aacute;s do preju iacute;zo. Nesse momento, mesma que queira, a pessoa n atilde;o vai conseguir receber tudo o que perdeu. Eacute; uma liga ccedil; atilde;o, uma corrida de carro, um rem eacute;dio sem receita, v aacute;rias outras despesas que ficam dif iacute;cil comprovar, mas que foram geradas por aquele minuto de distra ccedil; atilde;o de um motorista.
Depois de ter quase tudo em m atilde;os, tendo em vista que tudo eacute; praticamente imposs iacute;vel, chega de correr atr aacute;s, eacute; momento de esperar, e a espera pode ser grande, ainda mais se n atilde;o houver acordo com o causador do acidente.
A advogada Bianca Pizzatto de Carvalho diz que um processo para repara ccedil; atilde;o de danos materiais e morais causados por acidente demora, em m eacute;dia, de dois a oito anos.
Para se ter uma ideia da demora para a senten ccedil;a de um processo, entrou em vigor em 2009 a Meta 2. Trata-se de uma determina ccedil; atilde;o da Justi ccedil;a para ldquo;Identificar e julgar todos os processos judiciais distribu iacute;dos (em 1 ordm;, 2 ordm; grau ou Tribunais Superiores) at eacute; 31/12/2005 rdquo;. O problema eacute; que com a falta de servidores na Justi ccedil;a, a determina ccedil; atilde;o s oacute; pode ser cumprida, em boa parte dos casos, com preju iacute;zo do andamento normal, que j aacute; eacute; lento, dos processos autuados recentemente. Somente na Vara C iacute;vel de Marechal C acirc;ndido Rondon, por exemplo, em 2009 foram protocoladas 1.071 a ccedil; otilde;es, das quais 90 foram para ressarcimentos por danos causados em acidentes.

Estimativa
Para a advogada, os valores do Ipea de 2003, considerando a realidade do Paran aacute;, est atilde;o longe da realidade das a ccedil; otilde;es das Comarcas da regi atilde;o. ldquo;Considerando acidentes com v iacute;timas fatais ou n atilde;o, os valores de 2003 est atilde;o bem abaixo do custo que se tem um acidente de tr acirc;nsito, levando em conta danos ao ve iacute;culo, les otilde;es e danos agrave;s v iacute;timas e custas com os processos quando n atilde;o h aacute; acordo rdquo;, comenta.
Os preju iacute;zos s atilde;o calculados de acordo com extens atilde;o do dano, diz Bianca. ldquo;Considerando uma les atilde;o corporal, com fratura, tem a necessidade de procedimento cir uacute;rgico, as sess otilde;es de fisioterapia, medica ccedil; atilde;o, acompanhamento m eacute;dico. Isso acaba gerando um custo m eacute;dio de R$ 15 mil a R$ 20 mil. Tem o tempo que a pessoa fica parada, em fun ccedil; atilde;o do procedimento cir uacute;rgico, da fisioterapia. Ela ter aacute; que ser ressarcida, seja pelo INSS, se for segurada, ou pelo autor do acidente. Considerando que a pessoa fique sem trabalhar um ano, considerando o sal aacute;rio-m iacute;nimo, a pessoa tem mais R$ 6 mil por lucros cessantes. Se dessa les atilde;o houver uma deformidade permanente, pode ser pedida uma indeniza ccedil; atilde;o por danos materiais que seria revertida atrav eacute;s de uma pens atilde;o, pois a v iacute;tima n atilde;o consegue produzir o que produzia antes do acidente. Ainda levando em conta honor aacute;rios e custas do processo, esse acidente geraria em torno de R$ 50 mil rdquo;, estima.

Moral
Al eacute;m dos preju iacute;zos causados diretamente pelo acidente, ainda tem os indiretos, que eacute; o dano moral. ldquo;A pessoa sofreu um acidente, n atilde;o tem culpa e se ela realmente sofreu com cirurgia, fisioterapia, que agrave;s vezes eacute; muito doloroso, ela vai fazer jus a uma indeniza ccedil; atilde;o. Essa indeniza ccedil; atilde;o vai variar de acordo com a culpa do acidente, a extens atilde;o desse sofrimento. Mas, pode ser considerado em torno de R$ 10 mil de indeniza ccedil; atilde;o por danos morais. Ent atilde;o, um acidente n atilde;o t atilde;o complexo, que gerou les atilde;o a uma v iacute;tima, gera um preju iacute;zo, envolvendo recursos do Estado e particulares do causador do acidente; se formos para a esfera judicial, que envolve dano material, moral, lucros cessantes, em torno R$ 70 mil a R$ 100 mil rdquo;, calcula a profissional.

Dinheiro daria para manter um hospital por um ano
Seis milh otilde;es de reais hoje, em Marechal C acirc;ndido Rondon, “daria para tocar um hospital inteiro por um ano”, diz o m eacute;dico Dietrich Seyboth, diretor do Hospital Rondon. ldquo;Quinhentos mil reais por m ecirc;s daria para tocar um hospital inteiro. Daria pra fazer o atendimento hospitalar e assist ecirc;ncia m eacute;dica de toda a popula ccedil; atilde;o do munic iacute;pio rdquo;, afirma.
Em rela ccedil; atilde;o ao estudo do Ipea, o m eacute;dico menciona que a despesa que tem um paciente varia muito, mas um acidentado ldquo;com variados iacute;ndices de gravidades nas les otilde;es gasta em torno de R$ 10 mil rdquo;. Ele cita um caso recente em que uma paciente ficou 18 horas internada, passou por alguns procedimentos cir uacute;rgicos e teve uma despesa de cerca de R$ 12 mil. Embora a despesa seja grande, os acidentes n atilde;o s atilde;o um bom neg oacute;cio para os hospitais.
Dietrich comenta que existe at eacute; receio em atender acidentados, porque a inadimpl ecirc;ncia eacute; grande. ldquo;N atilde;o tem como negar o atendimento, a situa ccedil; atilde;o do paciente eacute; grave, voc ecirc; faz tudo que precisa e quando o paciente est aacute; bom, ou morre, n atilde;o tem de quem receber rdquo;, conta.

Avan ccedil;os
A realidade no tr acirc;nsito rondonense j aacute; teve avan ccedil;os, considera o m eacute;dico, ao ver os n uacute;meros de pessoas flagradas embriagadas em 2009. ldquo;No fim de 2008 era comum o paciente chegar desacordado no hospital, voc ecirc; n atilde;o sabia se era do acidente ou da bebida rdquo;, lembra.
Ao opinar sobre o tr acirc;nsito no munic iacute;pio, Dietrich diz que eacute; fiscalizado e sinalizado, mas falta conscientiza ccedil; atilde;o. ldquo;Falta andar mais devagar, punir quem anda muito ligeiro, mais respeito. Estamos indo muito bem, mas se isso melhorar, cai mais ainda (o iacute;ndice de acidentes) rdquo;, acredita.
O profissional concorda com o capit atilde;o Novach, quando esse diz que a esperan ccedil;a de um tr acirc;nsito mais seguro est aacute; nas crian ccedil;as. ldquo;A crian ccedil;a eacute; um elemento de convencimento muito intenso para o pai. At eacute; porque elas, agrave;s vezes, s atilde;o v iacute;timas tr aacute;gicas de um acidente rdquo;, destaca. ldquo;Estimular a crian ccedil;a e punir o adulto. O adulto n atilde;o tem que mais conscientizar. A crian ccedil;a tem que conscientizar porque ela n atilde;o sabe e deve aprender certo rdquo;, resume.

Rondonense fala sobre sofrimento que acidente causou em sua fam iacute;lia
Mais triste que o preju iacute;zo eacute; aquilo que o dinheiro n atilde;o pode trazer de volta: a vida. A rondonense Sandra Nair Kuhn se emociona toda vez que fala sobre os pais, Celivia e Enio Jos eacute; Kuhn. O casal se envolveu num acidente de tr acirc;nsito na rodovia entre Marechal C acirc;ndido Rondon e Quatro Pontes, quando retornava daquele munic iacute;pio, na noite do dia 23 de fevereiro de 2004. Enio morreu no local, aos 57 anos, e Celivia, hoje com 55 anos, sofreu ferimentos graves, ficou internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por quatro dias e cerca de 18 dias em enfermaria. Celivia, conta Sandra, chegou ao hospital com cerca de 5% de chances de vida, mas conseguiu sobreviver. O casal era saud aacute;vel, trabalhava, mas hoje Celivia, que teve uma perna amputada no acidente, membro que foi reconstitu iacute;do e funciona agora parcialmente, hoje depende da fam iacute;lia e amigos para atividades simples.
Na ocasi atilde;o do acidente ela ainda teve outras fraturas. Sandra lembra que o pai havia sa iacute;do do trabalho e tinha ido buscar de moto a m atilde;e, que estava a passeio em Quatro Pontes. N atilde;o houve acordo com o respons aacute;vel pelo outro ve iacute;culo envolvido no acidente, um caminh atilde;o, para ressarcimento de dano moral e material e a fam iacute;lia teve que entrar com um processo na Justi ccedil;a. nbsp;
De acordo com Sandra, o caminhoneiro estava fazendo uma ultrapassagem indevida quando colidiu com a moto ocupada por seus pais. Somente em 2009 a fam iacute;lia conseguiu, na Justi ccedil;a, receber a indeniza ccedil; atilde;o. ldquo;Se formos falar em cobrir o que gastamos com a m atilde;e, n atilde;o cobre rdquo;, diz Sandra, sobre a indeniza ccedil; atilde;o.

Dias tristes
Ao mencionar sobre o sofrimento que a fam iacute;lia passou, Sandra lembra dos dias em que sua m atilde;e estava internada na UTI. ldquo;S oacute; pod iacute;amos ver ela duas vezes por dia. Peg aacute;vamos o metropolitano para ir todo dia para Toledo rdquo;, conta. ldquo;Tr ecirc;s meses ela ficou sendo carregada com maca. Depois disso tivemos que adquirir um carro para levar ela tr ecirc;s vezes por semana no hospital. Gastava na eacute;poca at eacute; R$ 300 de gasolina rdquo;, diz.
Diante de toda essa dificuldade, provocada pela irresponsabilidade no tr acirc;nsito, Sandra desabafa. ldquo;Todo motorista deveria ser ciente que n atilde;o se deve ultrapassar na faixa cont iacute;nua, se ela (faixa) est aacute; ali eacute; porque n atilde;o tem vis atilde;o o suficiente (para ultrapassar) rdquo;, comenta. ldquo;Todos deveriam andar certinho e quando o policial ver isso (infra ccedil; atilde;o), multar sem perd atilde;o. Se as leis foram feitas, elas t ecirc;m que ser cumpridas, principalmente no tr acirc;nsito, onde acontecem as trag eacute;dias. Quantas fam iacute;lias ficam desamparadas? rdquo;, questiona.

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