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Programa promove implantação de 540 km de cerca sem nenhuma ação judicial

Educa ccedil; atilde;o ambiental rdquo; n atilde;o eacute; apenas um termo que est aacute; na moda. Eacute; uma necessidade. A partir deste entendimento eacute; que Itaipu Binacional, em parceria com os munic iacute;pios da Bacia Hidrogr aacute;fica do Paran aacute; 3, conseguiu alcan ccedil;ar a implanta ccedil; atilde;o de 540 quil ocirc;metros de cerca para mata ciliar sem nenhuma a ccedil; atilde;o administrativa ou a ccedil; atilde;o judicial contra moradores da regi atilde;o. A observa ccedil; atilde;o eacute; do gerente-executivo do Programa Cultivando Aacute;gua Boa, Odacir Fiorentin, segundo o qual, a reeduca ccedil; atilde;o social foi o caminho encontrado para a conquista pac iacute;fica de resultados efetivos. ldquo;Quando se busca aplicar a legisla ccedil; atilde;o pela imposi ccedil; atilde;o, pela obrigatoriedade de cumprimento, concebendo prazos, muitas vezes o resultado eacute; uma rea ccedil; atilde;o contr aacute;ria por parte das pessoas que teriam que cumpri-la. Por outro lado, percebemos que existe toda uma quest atilde;o cultural e hist oacute;rica envolvida nas pr aacute;ticas produtivas e modo de viver, desde quando o governo incentivava o desmatamento com a libera ccedil; atilde;o de financiamento. Por isso existe resist ecirc;ncia para a mudan ccedil;a, mas a educa ccedil; atilde;o promove a transforma ccedil; atilde;o rdquo;, declara.
Por meio do projeto, Itaipu trabalha fortemente a educa ccedil; atilde;o ambiental com v aacute;rias frentes, tais como as oficinas de futuro, a sensibiliza ccedil; atilde;o para o Pacto das Aacute;guas, programa de Forma ccedil; atilde;o de Educadores Ambientais (FEA), Pesquisa A ccedil; atilde;o Participante (PAP), curso da Funda ccedil; atilde;o Roberto Marinho, com a forma ccedil; atilde;o de gestores de bacias hidrogr aacute;ficas e outras a ccedil; otilde;es. ldquo;Tenho certeza absoluta de que s oacute; vencemos essas dificuldades que existiam por causa desse trabalho educacional em todos os setores, que envolve ainda a agricultura org acirc;nica, coleta solid aacute;ria, projeto de plantas medicinais, enfim, o nosso carro-chefe de atua ccedil; atilde;o eacute; a educa ccedil; atilde;o rdquo;, refor ccedil;a.
Do ponto de vista de Fiorentin, n atilde;o se leva o produtor da pr aacute;tica da agricultura convencional para a org acirc;nica por decreto ou lei. ldquo;A mudan ccedil;a ocorre a partir de uma nova consci ecirc;ncia, a partir da mudan ccedil;a de conceitos rdquo;, salienta.
Para alcan ccedil;ar resultados efetivos por meio da educa ccedil; atilde;o, ele lembra que eacute; necess aacute;rio tempo. ldquo; Eacute; um processo eacute; gradativo, demorado, mas estamos avan ccedil;ando. Nosso sonho eacute; maior rdquo;, revela.

Resultados
De acordo com Fiorentin, os resultados com a implanta ccedil; atilde;o das cercas j aacute; podem ser observados na recomposi ccedil; atilde;o de matas ciliares. ldquo;Quando se fecha a cerca, na maioria das vezes, n atilde;o eacute; necess aacute;rio fazer o replantio, pois a mata se restabelece em quest atilde;o de um ano. Um estudo apontou a presen ccedil;a de 47 esp eacute;cies nativas em uma microbacia. Algumas pessoas que moram nas proximidades relatam o reaparecimento de p aacute;ssaros e animais silvestres a partir do restabelecimento deste ciclo rdquo;, assegura.

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Flexibilidade
Al eacute;m da quest atilde;o educacional, outros aspectos considerados relevantes pelo gerente-executivo s atilde;o a flexibilidade, a parceria e a continuidade do Programa, que est aacute; em andamento desde 2003. ldquo;Foi muito importante, no momento da implanta ccedil; atilde;o do programa junto agrave; comunidade, a possibilidade de aperfei ccedil;oamento da metodologia. Essa busca de propostas foi necess aacute;ria para agregar a comunidade. Por isso o programa n atilde;o eacute; de Itaipu, eacute; da sociedade. E o programa eacute; refer ecirc;ncia mundial porque o seu diferencial em rela ccedil; atilde;o a outros eacute; a participa ccedil; atilde;o da comunidade rdquo;, enfatiza Fiorentin.
A partir do Programa, Itaipu tem 2.146 parceiros diretos, al eacute;m dos indiretos, distribu iacute;dos nos 29 munic iacute;pios da Bacia do Paran aacute; 3 (BP3). ldquo;Isso eacute; que garante os resultados que estamos alcan ccedil;ando. E a educa ccedil; atilde;o continuada tende a ampliar essa participa ccedil; atilde;o. A iacute; n oacute;s teremos novas mudan ccedil;as de cultura e novas atitudes na sociedade rdquo;, espera.

Propriedades
Ao mesmo tempo em que os produtores adotam novas pr aacute;ticas na quest atilde;o ambiental ao participarem do Programa, tamb eacute;m conhecem novas formas de produ ccedil; atilde;o e alternativas de diversifica ccedil; atilde;o de atividades.
Conforme Fiorentin, muitos optaram pela diversifica ccedil; atilde;o ao inv eacute;s de se manterem somente com os rendimentos de soja, milho e trigo. ldquo;Alguns aderiram ao cultivo de caf eacute; sombreado, maracuj aacute;, abacaxi, plantas medicinais e cria ccedil; atilde;o de abelhas e passaram a ter uma receita maior rdquo;, garante.
Al eacute;m disso, houve crescimento no n uacute;mero de propriedades de produ ccedil; atilde;o org acirc;nica. ldquo;Hoje temos quase mil produtores org acirc;nicos na BP3 convertidos ou em convers atilde;o, j aacute; que eacute; necess aacute;rio todo um processo de descontamina ccedil; atilde;o do solo, depois de d eacute;cadas de atividade convencional rdquo;, exp otilde;e.
Por outro lado, atualmente, Itaipu tamb eacute;m tem uma preocupa ccedil; atilde;o muito grande com o plantio direto, segundo declara Fiorentin. ldquo;Muitos produtores acharam que ele era a solu ccedil; atilde;o de tudo, rebaixaram a curva de n iacute;vel, mas hoje existe uma eros atilde;o superficial escondida pela palha rdquo;, constata. Por esta raz atilde;o, j aacute; se prop otilde;e uma reavalia ccedil; atilde;o do sistema ou de medidas amenizadoras.

Preocupa ccedil; atilde;o
Outro problema enfocado pela Binacional eacute; uma maior consci ecirc;ncia sobre o uso da aacute;gua. ldquo;Itaipu vai investir R$ 170 mil para que seja feito um levantamento pela Unioeste, que vai desenvolver o Plano de Bacias Hidrogr aacute;ficas do Paran aacute; 3, com o objetivo de estudar todos os recursos h iacute;dricos da bacia e alcan ccedil;ar at eacute; mesmo a discuss atilde;o a respeito da cobran ccedil;a pelo uso da aacute;gua. Para isso ser atilde;o promovidas v aacute;rias audi ecirc;ncias p uacute;blicas envolvendo a sociedade como um todo. Estamos auxiliando tamb eacute;m a constru ccedil; atilde;o do Plano Municipal de Recursos H iacute;dricos. Sobre o potencial h iacute;drico dos munic iacute;pios eacute; que ser aacute; poss iacute;vel determinar como o munic iacute;pio vai crescer rdquo;, frisa Fiorentin.
Ele lembra que o munic iacute;pio de Mercedes tinha problema de abastecimento de aacute;gua na cidade quando o Programa Cultivando Aacute;gua Boa foi iniciado. ldquo;Promovendo a prote ccedil; atilde;o de nascentes e recupera ccedil; atilde;o dos rios, o munic iacute;pio hoje tem uma perspectiva de 20 anos de abastecimento com a mesma nascente que colocava em risco o abastecimento p uacute;blico da cidade rdquo;, afirma.
No entanto, segundo ele, Entre Rios do Oeste novamente vem enfrentando falta de aacute;gua, mesmo num per iacute;odo chuvoso. ldquo;Isto ocorre porque o consumo aumenta cada vez mais, al eacute;m do uso de aacute;gua tratada para animais. O consumo eacute; maior do que a condi ccedil; atilde;o de recarga do aqu iacute;fero, das aacute;guas superficiais e houve um colapso. Por isso eacute; preciso pensar outras estrat eacute;gias rdquo;, sugere.
Do ponto de vista do profissional, o munic iacute;pio, assim como os demais da regi atilde;o, precisam de um Plano de Recursos H iacute;dricos bem elaborado partindo do desenvolvimento que t ecirc;m em todas as aacute;reas, ind uacute;stria, com eacute;rcio, aumento da cidade, segmentos produtivos de animais, etc. ldquo;Caso contr aacute;rio n atilde;o adianta ter obras f iacute;sica, pois quem d aacute; vida a uma cidade eacute; a aacute;gua rdquo;, pontua.
O gerente acrescenta que atualmente, por falta de consci ecirc;ncia, h aacute; pessoas pegando aacute;gua clorada, fluoretada, tratada, que tem um custo dolarizado, para o consumo animal. ldquo; Eacute; preciso que haja um processo educacional na aacute;rea rural para que a aacute;gua pot aacute;vel seja utilizada para consumo humano, enquanto a de cisternas seja reaproveitada para lavar maquin aacute;rio, ve iacute;culo e para consumo de su iacute;nos, bovinos e aves rdquo;, alerta.

Pagando o erro
Se o consumidor hoje precisa pagar pela aacute;gua, na vis atilde;o de Fiorentin, isso ocorre em fun ccedil; atilde;o dos erros que o homem vem cometendo. ldquo;A aacute;gua sempre foi pura na natureza, mas com a degrada ccedil; atilde;o provocada pelo ser humano ela se tornou impr oacute;pria para o consumo, por isso h aacute; necessidade de industrializa ccedil; atilde;o dela para torn aacute;-la pot aacute;vel. Quanto mais falta de consci ecirc;ncia da sociedade, maior a quantidade de produtos usados na aacute;gua. O que se paga pela aacute;gua eacute; o custo operacional da autarquia ou sistema de saneamento para tornar a aacute;gua pot aacute;vel em virtude da a ccedil; atilde;o do homem rdquo;, alerta.
Para embasar sua fala, ele lembra dos colonizadores da regi atilde;o, que antigamente podiam beber aacute;gua direto do rio ou de po ccedil;os. ldquo;Hoje, em alguns casos se tem 20 vezes mais su iacute;nos do que a popula ccedil; atilde;o do munic iacute;pio; e 90% n atilde;o t ecirc;m tratamento nenhum dos res iacute;duos, que s atilde;o jogados no rio ou no subsolo. Das 29 cidades que comp otilde;em a Bacia Hidrogr aacute;fica do Paran aacute; 3, um total de 21 munic iacute;pios n atilde;o t ecirc;m sequer um metro de rede coletora de esgoto, vai tudo para o subsolo. Ent atilde;o imagina-se o grau de contamina ccedil; atilde;o produzido pela bovinocultura, avicultura, suinocultura, agroind uacute;stria, com eacute;rcio e da popula ccedil; atilde;o de uma forma geral rdquo;, ressalta.
Os itens apontados por Fiorentin, entende, s atilde;o propostas que devem ser discutidas pelas comunidades regionais. ldquo; Eacute; uma discuss atilde;o altamente criteriosa e que est aacute; sendo proposta com alto conhecimento t eacute;cnico e cient iacute;fico rdquo;, conclui.

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