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Quando a violência é não amar

calendar_month 21 de setembro de 2013
3 min de leitura
Giuliano de Luca
Conselheiros tutelares rondonenses alertam para falta de afeto no seio da família

Joana é uma menina que passou a ter problemas na escola, dificuldades em fazer ou manter amizades, ficou triste e medrosa. A história é fictícia, mas casos com este enredo estão espalhados em meio à sociedade.

Vítimas de uma das piores violências que acometem a população: a violência familiar e doméstica. A violência contra crianças e adolescentes dentro de casa pode acontecer de várias formas, como maus-tratos, agressões físicas ou abuso sexual. Mas há outro tipo de violência que passa despercebida aos olhos desatentos, mas que é mais comum e frequente nos relatórios dos conselhos tutelares: a falta de afeto.

Em Marechal Cândido Rondon, a maioria dos casos atendidos pelos conselheiros é relacionada à violência emocional. A falta de um simples beijo ou um abraço de pai pode trazer consequências devastadoras na vida das crianças. Quem alerta para a questão são os conselheiros Vanderlei Britzke, Glecy Rauber Antunes e Beatriz Petri.

De acordo com eles, casos de violência que envolva a integridade física dos menores estão diminuindo nos últimos meses no município, mas histórias de crianças mal-amadas, que acabam descontando na sociedade essa falta de carinho, se multiplicam dia após dia.

“Temos casos frequentes de crianças e adolescentes que têm desvio de comportamento por consequência da falta de afeto em casa”, explica Beatriz. Ela menciona que o carinho é fundamental para a formação integral das crianças e deve estar constantemente presente no lar, mas não é o que os conselheiros têm percebido no dia a dia. “Quando vamos investigar o porquê uma criança teve determinado comportamento, acabamos sempre percebendo que a falta da estrutura familiar é o problema”, pontua Glecy.

O rompimento familiar, ou perda do vínculo familiar, de acordo com os conselheiros, é causado por inúmeras situações, como uso de álcool ou drogas, transtornos, depressão e falta de cumplicidade entre membros da família, especialmente entre pais e mães. “Por isso, trabalhamos sempre com o objetivo de fortalecer o vínculo familiar”, esclarece Vanderlei.

“Tivemos um caso de que um pai disse que não beijava sua filha porque outras pessoas poderiam pensar que ele estava a molestando”, exemplifica Glecy. “O carinho, o abraço, o beijo de pai e mãe devem estar presentes desde a infância”, sugere Vanderlei.

Os casos são mais comuns em famílias com maior vulnerabilidade social, geralmente de baixa renda e pouca escolarização. “A falta de amor, ou de demonstração desse amor, é também uma forma de violência contra a criança”, argumenta Beatriz. “Crianças que têm pouco ou nenhum afeto são arredias. Chegam ir para trás quando chegamos perto para dar um abraço. Ficam na defensiva”, relata. “Nesse tipo de caso, agimos com muita cautela, porque não dá para errar”, frisa Vanderlei.

Ainda segundo Beatriz, os reflexos dessa falta de amor são lançados na sociedade. “A criança vai expressar seus sentimentos no meio em que ela vive, seja com vizinhos ou na escola, da mesma forma que expressam sentimentos a ela. Se ela não recebe carinho, ela não vai dar carinho”, diz.

 
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