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| O papel dos professores, aliado à educação dos pais, é de fundamental importância para garantir um bom desenvolvimento das crianças e adolescentes (Foto: Maria Cristina Kunzler) |
O Jornal O Presente publicou, no decorrer desta semana, entrevistas com autoridades, lideran ccedil;as e profissionais rondonenses a respeito do envolvimento de adolescentes com as drogas. Na reportagem de ontem (09), a gerente do departamento de apoio t eacute;cnico do Hospital Filad eacute;lfia, assistente social Sandra Cristina Lunkes Stenzel, e a gerente da equipe de enfermagem, enfermeira Leila Nayra Rodrigues Dias, revelaram que mais de 95% dos adolescentes que s atilde;o internados na unidade hospitalar abandonaram os estudos.
Conforme as pr oacute;prias profissionais, este indicativo n atilde;o significa necessariamente que todo aluno que apresenta uma queda no rendimento escolar e posterior abandono da escola eacute; dependente qu iacute;mico, mas a maioria dos usu aacute;rios passou por isso. Portanto, esta mudan ccedil;a de comportamento pode ser um sinal de que o adolescente est aacute; envolvido com subst acirc;ncias psicoativas e precisa ser observado com mais aten ccedil; atilde;o pelos pais.
Uma das grandes dificuldades enfrentadas eacute; que a lei dos t oacute;xicos, de 2006, prev ecirc; a inser ccedil; atilde;o ou reinser ccedil; atilde;o social do menor envolvido com drogas, e a iacute; entra tamb eacute;m a quest atilde;o educacional. Por eacute;m, se de um lado os dependentes qu iacute;micos t ecirc;m o direito de retornar agrave; sala de aula, de outro a maior parte dos professores n atilde;o tem qualquer tipo de capacita ccedil; atilde;o espec iacute;fica para conseguir lidar com esta situa ccedil; atilde;o.
Segundo a diretoria auxiliar do Col eacute;gio Estadual Eron Domingues, Clarete Spohr, sem conhecimento espec iacute;fico, alguns professores preferem ignorar o problema. Al eacute;m disso, ocorre muita dificuldade com o aluno fora de idade-s eacute;rie. ldquo;Para solucionar o problema do aluno fora de idade-s eacute;rie, o governo implantou o programa Corre ccedil; atilde;o de Fluxo. Por eacute;m, isso ocorreu h aacute; alguns anos e agora estamos com o problema novamente, especialmente porque temos estudantes que param de estudar por causa das drogas e depois resolvem voltar para o col eacute;gio, mas n atilde;o conseguem prosseguir com os estudos. O adolescente fica nesse vai-e-vem por alguns anos. N atilde;o eacute; dif iacute;cil encontrar estudantes de 15 a 16 anos em sala de aula com alunos de dez anos rdquo;, revela.
Sem preparo
Sem o preparo, outros professores preferem at eacute; que os pais esperem o filho completar a maioridade para que seja matriculado no Centro de Educa ccedil; atilde;o B aacute;sica para Jovens e Adultos (Ceebja). ldquo;Penso que eacute; preciso preparar os professores para que eles possam trabalhar em sala de aula com esta situa ccedil; atilde;o. Se tiver preparado, saber aacute; como agir de forma muito melhor. No entanto, eles n atilde;o t ecirc;m esta capacita ccedil; atilde;o e ficamos sem saber o que fazer rdquo;, lamenta a diretora.
Clarete diz ainda que o aluno fora da idade-s eacute;rie fica desmotivado em estudar, por n atilde;o se sentir bem em sala de aula com estudantes de menor idade e at eacute; por algumas vezes n atilde;o conseguir acompanhar a disciplina. ldquo;A gente d aacute; for ccedil;a para que o aluno estude, mas eacute; s oacute; um ou outro que vai at eacute; o fim, a maioria desiste rdquo;, declara.
Desmotiva ccedil; atilde;o
A diretora auxiliar do Col eacute;gio Estadual Ant ocirc;nio Maximiliano Ceretta, Eliane Liecheski, diz que a institui ccedil; atilde;o recebe muitos alunos fora da idade-s eacute;rie para estudar no educand aacute;rio, tanto estudantes que ainda est atilde;o em tratamento contra as drogas como ex-dependentes qu iacute;micos. H aacute; tamb eacute;m uma parcela, ainda que desconhecida, de alunos que consomem drogas. ldquo;N atilde;o eacute; f aacute;cil lidar com este p uacute;blico, mas nos esfor ccedil;amos para isso rdquo;, comenta.
De acordo com a rondonense, esta tarefa tem sido dif iacute;cil tanto para os professores como para os pr oacute;prios estudantes, que precisam se adaptar a uma nova realidade. ldquo;No entanto, temos um quadro de professores bastante capacitado que vem tentando fazer com que o estudante interaja e seja inserido agrave; comunidade escolar. Nem sempre os resultados s atilde;o satisfat oacute;rios, mas aos poucos estamos conseguindo fazer essa inser ccedil; atilde;o. Muitos dos alunos acabam se adequando agrave; realidade da escola e come ccedil;am a voltar a ter interesse pelo ambiente escolar rdquo;, declara.
O problema do aluno que volta a estudar ap oacute;s um per iacute;odo longe dos bancos escolares eacute; a desmotiva ccedil; atilde;o. Muitas vezes o adolescente precisa estar em sala de aula com estudantes mais novos e, como consequ ecirc;ncia, grande parte volta a abandonar os estudos. ldquo;Tentamos buscar estes alunos para que retornem para o col eacute;gio, em alguns casos obtemos ecirc;xito, mas na maior parte n atilde;o, justamente por conta das grandes dificuldades. N atilde;o eacute; dif iacute;cil encontrarmos alunos com falta de interesse pelo estudo, geralmente s atilde;o adolescentes que j aacute; v ecirc;m com problema na estrutura familiar. E a escola n atilde;o consegue resolver tamb eacute;m os problemas familiares, que acabam trazendo consequ ecirc;ncias para o ambiente escolar rdquo;, revela.
Base familiar
Segundo a diretora auxiliar, a base est aacute; na fam iacute;lia. O problema eacute; que tem sido vis iacute;vel, de acordo com Eliane, o n uacute;mero de pais que tem deixado a educa ccedil; atilde;o dos filhos sob responsabilidade unicamente dos professores. ldquo;A maioria dos alunos que tem problemas de aprendizado e de desmotiva ccedil; atilde;o s atilde;o aqueles que n atilde;o t ecirc;m estrutura familiar adequada. Os pais n atilde;o colaboram, n atilde;o incentivam a estudar, muitas vezes o aluno n atilde;o tem nem uma fam iacute;lia completa, ou mora com os av oacute;s, com tios, ou moram com os pais, mas estes tamb eacute;m t ecirc;m problema com o tr aacute;fico. Ent atilde;o fica muito dif iacute;cil lidar com estes alunos, at eacute; porque o papel da escola n atilde;o eacute; a educa ccedil; atilde;o em si, e sim o aprendizado rdquo;, aponta.
Na avalia ccedil; atilde;o da rondonense, o que eacute; preciso para mudar uma triste realidade s atilde;o as fam iacute;lias se comprometerem mais com a educa ccedil; atilde;o das crian ccedil;as e dos adolescentes e observarem o seu pr oacute;prio papel neste sentido. ldquo;Com isso, acredito que aos poucos a realidade possa ser mudada, pois a escola sozinha n atilde;o vai conseguir fazer isso. Claro que lutamos para inserir os alunos, mas eacute; preciso um trabalho em conjunto. O Governo do Estado vem buscando isso com algumas iniciativas, como, por exemplo, a campanha dos pais acompanharem a avalia ccedil; atilde;o de seus filhos. Eacute; um meio que o pai pode estar mais inserido e mais presente na escola tamb eacute;m rdquo;, encerra.
