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Rondon já tem quase 100 naturais de Bangladesh

calendar_month 1 de outubro de 2013
3 min de leitura
Carina Ribeiro/OP
Longe dos confrontos políticos registrados em Bangladesh, em Marechal Rondon, os trabalhadores podem andar pelas ruas sem serem perseguidos

Servir uma Coca-Cola pode ser linguagem universal para iniciar uma relação amistosa entre desconhecidos. Ao menos esta foi a impressão transmitida por Alamgir Dewan Akash. Natural de Bangladesh, o jovem de 27 anos está morando provisoriamente em Marechal Cândido Rondon, onde se esforça para estabelecer comunicações em língua portuguesa e representar os demais bengalis que estão na cidade.

Akash recebeu ontem (30), com largo sorriso, a reportagem de O Presente, para contar sobre a experiência no Brasil. Segundo ele, atualmente estão em Marechal Cândido Rondon 95 homens provenientes de Bangladesh, sendo que outros também já estão a caminho.

Indagado sobre o principal motivo que os trouxe ao país sul-americano, Akash aponta os confrontos políticos registrados no país asiático. Em Marechal Rondon, o trabalhador percebeu o valor de poder andar pelas ruas sem ser perseguido, pois em sua cidade-natal já chegou a ser preso por integrar o partido de oposição ao governo.

De acordo com Akash, confrontos entre opositores islamitas, polícia, ativistas pró-governamentais são bastantes frequentes em Bangladesh. Atualmente, o país é governado pela primeira-ministra Sheikh Hasina, líder da Liga Awami. Enquanto isso, Akash faz parte do partido islamita Jamate-e-Islam.

Outro grupo político é o Bangladesh Nationalis Party (BND), também oposicionista. “Em meu país há muito problema por causa da política, por isso, no futuro, quero trazer a minha família para o Brasil”, pontua. Apesar de estar sob regime democrático parlamentar, o país vive permanentemente em ciclos de “guerra” política, em que, na maioria das vezes, ficam de lados os direitos humanos, relata Akash.

A estimativa dele é que existem no Brasil em torno de sete mil bengalis.

Oportunidade

Na tentativa de sair de sua terra, o jovem inicialmente ficou dois meses em Dubai, depois tentou entrar na Bolívia, até que um amigo sugeriu o Brasil. A partir de um conhecido que tem em Brasília, Akash ficou sabendo que encontraria oportunidade de trabalhar na Cooperativa Agroindustrial Copagril. Hoje, a maioria dos conterrâneos dele trabalha na Unidade Industrial de Aves, onde também é realizado o abate de aves por meio do sistema Halal.

Conforme Akash, no início a comunicação foi um pouco difícil, pois a língua oficial de seu país é o bengali e mesmo sabendo falar inglês, chinês, indiano e outros idiomas, o imigrante não encontrou em Marechal Rondon muitas pessoas capazes de entendê-lo em inglês.

Por conta disso, foi obrigado a aprender português, processo que ainda está em andamento e tem favorecido também os seus colegas. “Eles têm gostado muito do Brasil e querem permanecer trabalhando aqui”, assegura Akash, que já está há praticamente um ano no país, enquanto os demais conterrâneos vieram depois.

 
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