O aumento na criminalidade na regi atilde;o tem provocado mudan ccedil;as de comportamento na popula ccedil; atilde;o. Se h aacute; alguns anos era poss iacute;vel dormir de janela aberta, agora, al eacute;m dela ser muito bem fechada, recebe o refor ccedil;o de muros altos, cercas el eacute;tricas, alarmes, c acirc;meras de seguran ccedil;a… E, ainda, um ser que at eacute; ent atilde;o poderia ser tido como ldquo;melhor amigo do homem rdquo;, agora tem papel importante na prote ccedil; atilde;o do seu amigo. Aumenta cada dia o n uacute;mero de fam iacute;lias que investe em um c atilde;o para ser, al eacute;m de bicho de estima ccedil; atilde;o, mais uma seguran ccedil;a. E a iniciativa n atilde;o deixa de estar certa. Em sua passagem por Marechal C acirc;ndido Rondon, o coronel da Pol iacute;cia Militar do Paran aacute;, Roberson Luiz Bondaruk, citou em sua palestra (Preven ccedil; atilde;o do Crime Atrav eacute;s do Desenho Urbano) o c atilde;o de guarda como um investimento importante para inibir a aproxima ccedil; atilde;o de marginais.
O adestrador e volunt aacute;rio da ONG Arca de No eacute;, Ricardo Oguino, cita que a simples presen ccedil;a de um c atilde;o, que acue, lata, fa ccedil;a barulho j aacute; serve como dificultador a algum estranho que queira entrar no ambiente do animal. ldquo;Mas o bom c atilde;o de guarda vai espantar e, quando necess aacute;rio, agir na prote ccedil; atilde;o da fam iacute;lia com quem convive. Al eacute;m disso, os portes dos tradicionais c atilde;es de guarda j aacute; imp otilde;em respeito a quem quer que seja rdquo;, diz, citando como ra ccedil;as mais destinadas agrave; atua ccedil; atilde;o espec iacute;fica de guarda o rottweiller, pastor alem atilde;o, pastor belga, dobermann, o fila e at eacute; o pitt bull.
Tamanho e ra ccedil;a
Oguino cita que muitos c atilde;es n atilde;o t ecirc;m linhagem para ser c atilde;o de guarda, mas acabam sendo adaptados para tal, como eacute; o caso do pr oacute;prio pitt bull, o dogue alem atilde;o, boxer, entre outros. ldquo;Isso acontece porque todo c atilde;o pode aprender se for ensinado ou ter seu temperamento alterado devido a cruzamentos, ambiente em que vive, educa ccedil; atilde;o rdquo;, pontua. Conforme o adestrador, h aacute; muitos c atilde;es vira-latas que se tornam oacute;timos c atilde;es de guarda, enquanto muitos animais de ra ccedil;a espec iacute;fica tornam-se desobedientes, temperamentais e em alguns casos muito desatentos e d oacute;ceis para atuarem como vigias ou na prote ccedil; atilde;o. ldquo;Tudo porque ao longo da vida n atilde;o recebem os est iacute;mulos e educa ccedil; atilde;o ideais rdquo;, acrescenta.
Tamb eacute;m se engana, exp otilde;e Oguino, quem pensa que c atilde;es de guarda s atilde;o somente aqueles de grande porte. Ele menciona que algumas ra ccedil;as de pequeno porte t ecirc;m o instinto e gen eacute;tica para atuar como tal, caso do pintcher e o basset, que t ecirc;m um forte instinto de prote ccedil; atilde;o a seu lar e agrave;s pessoas. A diferen ccedil;a, explica, eacute; que os c atilde;es menores acabam tendo maneiras diferentes de agir.
Detalhes
Se tamanho e ra ccedil;a n atilde;o s atilde;o garantias de um bom c atilde;o de guarda, Oguino explica quais os detalhes que devem ser observados. O primeiro eacute; ter bem clara a responsabilidade que eacute; ter um bicho de estima ccedil; atilde;o, levando em conta os investimentos com ambiente, espa ccedil;o, higiene, sa uacute;de, alimenta ccedil; atilde;o e inclusive implica ccedil; otilde;es da lei. ldquo;O dono deve lembrar que vai responder pelas a ccedil; otilde;es do seu animal, se acaso ele n atilde;o for bem educado e agredir uma pessoa.
Tamb eacute;m deve lembrar que a expectativa de vida de um c atilde;o, em m eacute;dia, eacute; de dez a 12 anos – tempo que o dono deve zelar por suas necessidades b aacute;sicas para viver bem, al eacute;m do carinho e a aten ccedil; atilde;o rdquo;, explica.
O pr oacute;ximo passo eacute; definir o que deseja do c atilde;o, para ent atilde;o pensar numa ra ccedil;a que se adeque. Ainda eacute; preciso, orienta Oguino, depois que decidir a ra ccedil;a, verificar a linhagem do animal, sua ascend ecirc;ncia, procurar conhecer os pais e seus temperamentos. ldquo; Eacute; preciso evitar especialmente consanguinidade ou cruzas desconhecidas, quando se quer um c atilde;o de guarda. Temperamentos, na maioria das vezes, s atilde;o heran ccedil;as gen eacute;ticas rdquo;, exp otilde;e.
Basicamente, depois de escolhido o c atilde;o, o adestrador resume que o dono deve se preocupar em dar um bom espa ccedil;o ao animal, levando em conta a higiene, ra ccedil; atilde;o adequada, vacinas e acompanhamento veterin aacute;rio.
Fidelidade
Duas coisas contam muito para o desempenho do c atilde;o na defesa do seu quintal, diz Oguino. A primeira eacute; a educa ccedil; atilde;o (adestramento) e a segunda eacute; a fidelidade. ldquo;As duas se consegue quando h aacute; respeito e carinho na lida com o bicho, eacute; o que observamos principalmente com animais adotados. Eles passaram por situa ccedil; atilde;o de abandono e quando encontram um lar de verdade demonstram uma gratid atilde;o extrema rdquo;, comenta. Quanto agrave; educa ccedil; atilde;o, o adestrador relata que o bom c atilde;o de guarda precisa obedecer pelo menos a m iacute;nimos controles do seu dono. ldquo;N atilde;o adianta ter um c atilde;o imponente que cede ao primeiro petisco que lhe jogam rdquo;, exemplifica.
O bom adestramento, avalia, eacute; o que o pr oacute;prio dono faz, com orienta ccedil; atilde;o, para ser da maneira correta. Ele cita que eacute; um erro muito grande manter o c atilde;o somente amarrado, ou muitas vezes apenas incit aacute;-lo a morder, e tamb eacute;m n atilde;o promover o relacionamento do bicho com as pessoas da fam iacute;lia. ldquo;As ra ccedil;as de c atilde;es de guarda herdam instinto para proteger seu territ oacute;rio e seu dono, por isso, n atilde;o eacute; preciso deix aacute;-lo bravo com o isolamento. C atilde;es que passam por isso ficam estressados e desenvolvem problemas de comportamento, podendo ocorrer casos de agress otilde;es, n atilde;o somente a estranhos, mas tamb eacute;m a membros da fam iacute;lia rdquo;, alerta Oguino, que orienta, ainda, que os cachorros precisam ser levados para passear e incentivados a terem contato com a fam iacute;lia, mas n atilde;o devem ficar recebendo ldquo;dengos rdquo; a todo tempo de estranho – ldquo;assim v atilde;o aprendendo a identificar situa ccedil; otilde;es do cotidiano e situa ccedil; otilde;es de risco rdquo;, acrescenta.
Enfim, refor ccedil;a Oguino, educar ainda eacute; a melhor op ccedil; atilde;o para quem deseja ter um c atilde;o, especialmente os de guarda e grande porte, em casa. ldquo;O dono deve utilizar comandos b aacute;sicos para obedecer, para respeitar o espa ccedil;o que deve ficar e agir adequadamente rdquo;, complementa.
Belas feras
O rondonense Ivo Simon conviveu com a cachorra Lacie, da ra ccedil;a pastor alem atilde;o, por mais de dez anos. Adestrada, ela era c atilde;o de guarda no empreendimento da fam iacute;lia e ainda uma oacute;tima companheira, segundo palavras de Simon. Com a morte de Lacie, ele foi agrave; procura de outro c atilde;o, tamb eacute;m de grande porte. Desta vez optou por uma rottweiller, a ldquo;pequena rdquo; Luna. ldquo;Escolhemos pelo perfil de c atilde;o de guarda que a ra ccedil;a tem rdquo;, diz.
Aos sete meses, Luna est aacute; em fase de adestramento. Com muito para crescer ainda, ela j aacute; eacute; atenta a qualquer movimento estranho e domina o p aacute;tio da empresa. Mas s oacute; o p aacute;tio, porque ela aprendeu que n atilde;o pode sair sem autoriza ccedil; atilde;o da fam iacute;lia. ldquo;Ela eacute; carinhosa e dedicada e j aacute; demonstra grande senso de prote ccedil; atilde;o rdquo;, derrete-se o dono. Ele destaca que assim como Lacie, Luna tamb eacute;m est aacute; recebendo adestramento. Ele avalia que o investimento vale a pena porque fica muito mais f aacute;cil cuidar e controlar o cachorro. ldquo;E conforme os anos, a gente passa a conhecer at eacute; o latido do cachorro, enquanto ele reconhece todo comando rdquo;, pontua.
Dona do quintal
A vira-lata Laika, de cinco anos, divide o quintal de casa com a pastor alem atilde;o Laila, de 1,2 anos. ldquo;Mas quem manda no peda ccedil;o, ainda, eacute; a Laika rdquo;, revela Eduardo Schulz, que convenceu os pais Marcos e Eliane de que ter um c atilde;o de ra ccedil;a para a guarda eacute; importante nos dias atuais. Eliane conta que Laika eacute; considerada ldquo;brava rdquo;, sempre est aacute; alerta aos movimentos da casa e n atilde;o permite a entrada de estranhos no quintal sem que seus donos autorizem. A pastor alem atilde;o, comenta, apesar de ainda ser muito brincalhona, tamb eacute;m j aacute; faz a guarda do espa ccedil;o de maneira exemplar. ldquo;A presen ccedil;a delas nos d aacute; mais seguran ccedil;a. Eu, por exemplo, n atilde;o tenho medo de ficar em casa sozinha agrave; noite. Ali aacute;s, com elas nunca nos sentimos sozinhos, eacute; uma companhia rdquo;, avalia Eliane.
As cachorras t ecirc;m um forte instinto de prote ccedil; atilde;o agrave; fam iacute;lia e ficam agitadas com a aproxima ccedil; atilde;o de estranhos e at eacute; irritadas com brincadeiras de amigos forjando agress atilde;o a qualquer membro da casa. ldquo;E aos poucos cresce um amor muito grande e n atilde;o d aacute; pra pensar na vida sem a presen ccedil;a delas rdquo;, conclui.
Para a fam iacute;lia Schulz e muitas outras tem valido o ditado que ldquo;o cachorro pode at eacute; n atilde;o ser o melhor amigo do homem, mas com certeza n atilde;o h aacute; algu eacute;m como ele, que daria a vida por seus amigos rdquo;.
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