| Divulgação |
|---|
![]() |
| Controle populacional de morcegos é feito por meio da utilização de uma pasta |
Pelo menos dez casos de animais mordidos por morcegos foram registrados nos últimos dias pela unidade de Marechal Cândido Rondon da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
De acordo com o chefe da Seab local, Nilson de Freitas Gouveia, os casos foram identificados em propriedades localizadas na divisa entre Mercedes e Marechal Rondon. Estivemos em três propriedades, onde constatamos que cerca de dez animais foram mordidos por morcegos, detalha.
O médico veterinário alerta que os animais hematófagos (morcegos que se alimentam de sangue) são transmissores de raiva para herbívoros, doença que pode acometer bovinos e equínos e levá-los à morte. Foram realizados exames laboratoriais, mas não foi identificada a presença do vírus da raiva, ameniza.
Raiva
O profissional lembra que o risco da doença existe, tendo em vista que já foram registrados vários casos de raiva no Paraná, dentre eles em Foz e São Miguel do Iguaçu.
Por esse motivo, Gouveia ressalta a importância de realizar a notificação junto à Seab. Todo caso de animal mordido ou da presença de população de morcegos em áreas rurais devem ser notificados para que possamos fazer a vistoria e, se necessário, também o controle, informa.
A orientação é de que os produtores rurais busquem localizar possíveis abrigos dos morcegos, para que o trabalho de controle populacional possa ser efetivado. O controle é feito por meio da aplicação de uma pasta em alguns animais, que evita a proliferação excessiva deles, explica.
Ele lembra que a raiva é uma zoonose, sendo que pode ser transmitida também para os seres humanos. Os produtores que tiverem problemas com morcegos hematófagos em suas propriedades ainda devem ter cuidado na manipulação dos animais mordidos, pois existe a possibilidade de contaminação, se por ventura houver a presença do vírus, salienta.
Sintomas
Gouveia explica que os animais mordidos ficam em observação para identificar se apresentam sintomas da doença. Animais com sintomatologia nervosa e intensa salivação precisam ser investigados clinicamente pela Seab, pois através da necropsia do animal e exames laboratoriais podemos nos certificar se a propriedade está ou não com um caso de raiva, para que possa ser feito ainda o controle do foco da doença, reforça.
O veterinário lembra que a raiva geralmente é fatal, levando cerca de dez dias para o animal vir a óbito. Por isso a importância de se fazer a notificação o mais breve possível, afirma.
Ele conta que um cavalo morreu nos últimos dias, porém, uma necropsia afastou a suspeita de que a causa da morte fosse raiva. Provavelmente o equino deve ter sido acometido por tétano, mas ele estava sendo mordido por morcego e poderia ter morrido por raiva, supõe.
Abrigos
Em Marechal Rondon, existem três abrigos de morcegos notificados pela Seab e que periodicamente precisam ser visitados pela equipe para o controle populacional. Os abrigos estão localizados em uma gruta em São Roque, em uma casa abandonada na Linha São Sebastião e no distrito de Margarida. Realizamos esse trabalho há cada seis meses nos três pontos, para evitar uma superpopulação de morcegos, já que isso favorece a transmissão da doença, expõe.
Como se tratam de animais silvestres, os morcegos somente podem ser controlados por órgãos oficiais do governo, como a Seab, não sendo permitido que produtores rurais ou outras pessoas os matem, o que pode ser considerado crime ambiental, informa o profissional.
Brucelose e tuberculose
Por outro lado, a Seab alerta para a necessidade dos produtores realizarem a imunização do rebanho contra brucelose. Temos constatado que as metas mensais de animais vacinados não estão sendo atingidas na região. Caso não sejam aumentados os índices, será necessário que passemos a notificar os donos dos animais que não estão cumprindo com essa obrigação, frisa.
Gouveia menciona que a meta de vacinação mensal é de 165 rebanhos de propriedades e 525 bezerras. No entanto, temos conseguido receber a comprovação de cerca de 60 a 70 por mês, o que é considerado um número baixo, afirma.
Os produtores terão até novembro para fazer a imunização. Fêmeas de três a oito meses devem ser vacinadas, orienta.
A presença de brucelose na região amplia a necessidade de fazer a prevenção. Já tivemos casos da doença em Mercedes e alguns animais acometidos tiveram que ser sacrificados, relata.
Também existem casos de tuberculose na região, sendo necessária a vacinação animal. A orientação é de que os produtores realizem exames periodicamente e que somente adquiram animais com exames negativos para a doença, aponta.
