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Sem reajuste, Hospital Bom Jesus enfrenta situação crítica

J aacute; n atilde;o eacute; novidade que muitos hospitais que atendem pelo Sistema Uacute;nico de Sa uacute;de (SUS), h aacute; alguns anos, est atilde;o passando por momentos de dificuldade financeira em raz atilde;o de que a tabela de atendimento n atilde;o eacute; reajustada, enquanto que os produtos, como medicamentos e materiais, s atilde;o inflacionados. Isso tem tornado a situa ccedil; atilde;o da sa uacute;de p uacute;blica do Brasil cada vez mais delicada. O Hospital Bom Jesus de Toledo eacute; um destes casos em que passa por uma situa ccedil; atilde;o cr iacute;tica.
A unidade hospitalar, enquanto refer ecirc;ncia nos servi ccedil;os m eacute;dicos, atende pelo SUS os 18 munic iacute;pios de abrang ecirc;ncia da 20 ordf; Regional de Sa uacute;de, o que soma mais de 350 mil habitantes. O problema eacute; que a demanda est aacute; crescendo a cada ano, em contrapartida a tabela do sistema s oacute; foi corrigida em mil procedimentos, o que vem prejudicando a sa uacute;de financeira da institui ccedil; atilde;o. ldquo;Se n atilde;o pudermos contar com a ajuda dos secret aacute;rios de Sa uacute;de destes munic iacute;pios para que o sistema realmente funcione da forma adequada, cada vez mais vai ficar dif iacute;cil prestar um atendimento de qualidade. Todas as vezes que nos reunimos com os secret aacute;rios sempre solicito que tenhamos a melhor parceria entre todos os munic iacute;pios, para que de fato o sistema consiga fluir adequadamente rdquo;, declara a superintendente do Bom Jesus, m eacute;dica Michelle Okano.
De acordo com a profissional, em se tratando de vidas sempre existe pressa para salvar o paciente. Por eacute;m, a press atilde;o do trabalho m eacute;dico eacute; muito grande. ldquo;Muitas vezes somos surpreendidos com paciente sendo deixado na porta do hospital para atendimento e n atilde;o temos vaga para atend ecirc;-lo. Uma coloca ccedil; atilde;o que sempre fa ccedil;o aos secret aacute;rios eacute; para que eles consultem antes o hospital para saber se disponibilizamos vaga para atender aos pacientes, porque sen atilde;o, o prejudicado sempre ao final da linha eacute; o pr oacute;prio paciente. Eacute; uma perda de tempo encaminh aacute;-lo ao hospital onde n atilde;o ter aacute; disponibilidade de vaga. O primeiro passo eacute; o contato para saber se h aacute; vaga dispon iacute;vel e at eacute; para que a gente consiga fazer o controle de AIH rsquo;s (autoriza ccedil; atilde;o de internamento hospitalar) rdquo;, solicita.

Cotas de AIH rsquo;s
Conforme Michelle Okano, o Hospital Bom Jesus recebe mensalmente uma determinada quantidade de AIH rsquo;s do Estado para que a institui ccedil; atilde;o preste atendimento m eacute;dico. Por eacute;m, informa, todos os meses a unidade hospitalar ultrapassa a quantidade de cotas. ldquo;H aacute; muito tempo isso vem se repetindo. Hoje temos uma demanda grande de AIH rsquo;s represadas, coisas que n atilde;o conseguimos faturar, al eacute;m dos processos administrativos que n atilde;o conseguimos receber. S atilde;o pend ecirc;ncias com o Estado e de atendimentos que j aacute; realizamos de procedimentos que n atilde;o temos o credenciamento, principalmente os de alta complexidade em neurocirurgia e na parte de hemodin acirc;mica rdquo;, explica, acrescentando: ldquo;A situa ccedil; atilde;o atual eacute; que o Hospital Bom Jesus est aacute; disponibilizando um servi ccedil;o terceirizado que seria do Angiocor, pois temos a hemodin acirc;mica montada. Oferecemos todo um servi ccedil;o voltado ao conv ecirc;nio e particulares para o atendimento do SUS e temos essa dificuldade no credenciamento. Com isso, os secret aacute;rios municipais s atilde;o obrigados a encaminhar os pacientes para as refer ecirc;ncias fora de Toledo, sendo que temos aqui um servi ccedil;o dispon iacute;vel, capaz de atender e d aacute; um maior resultado em termos de tempo. Temos toda condi ccedil; atilde;o de realizar uma angioplastia no Bom Jesus, por eacute;m n atilde;o podemos realizar pelo SUS por falta de credenciamento. S atilde;o coisas dif iacute;ceis de entender. Quem imp ocirc;s que tem direito a um cateterismo ou uma angioplastia por m ecirc;s? E as demais pessoas com essa necessidade v atilde;o precisar aguardar por quanto tempo na fila? Ser aacute; que a doen ccedil;a espera? Essa seria a maior dificuldade hoje rdquo;, desabafa a superintendente.

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D iacute;vida
Segundo a m eacute;dica, a d iacute;vida do Hospital Bom Jesus chega hoje a aproximadamente R$ 390 mil, somando processos administrativos e com as AIH rsquo;s represadas. Tudo isso, conforme a profissional, dificulta a situa ccedil; atilde;o do hospital. ldquo;Fomos surpreendidos no ano passado com a not iacute;cia de que hospitais do SUS n atilde;o podem mais atender DPVAT (seguro de danos pessoais causados por ve iacute;culos automotores de vias terrestres, mais conhecido como lsquo;seguro obrigat oacute;rio rsquo;), ou seja, eacute; uma receita a menos. Passamos tamb eacute;m um ano sem receber o termo de conv ecirc;nio com o Estado, que retornou no nosso sistema em dezembro uacute;ltimo, que era no valor de R$ 60 mil e vinha a complementar o atendimento pelo SUS. Ent atilde;o estamos perdendo receita enquanto n atilde;o h aacute; uma contrapartida rdquo;, destaca.

Estado cr iacute;tico
Questionada como est aacute; o estado do hospital, a superintendente ressalta que a situa ccedil; atilde;o eacute; cr iacute;tica, at eacute; porque se estivesse bem n atilde;o haveria profissionais insatisfeitos com o sistema, revela. ldquo;Cada vez mais os profissionais est atilde;o ficando insatisfeitos pela baixa remunera ccedil; atilde;o dos procedimentos do SUS e a dificuldade do hospital em fazer o pagamento aos m eacute;dicos. Essa eacute; uma realidade porque agrave;s vezes precisamos priorizar entre pagar impostos, fornecedores e funcion aacute;rios para que o hospital continue vi aacute;vel. Sem o pagamento dos fornecedores n atilde;o temos os produtos dispon iacute;veis, sem os produtos os m eacute;dicos n atilde;o podem prestar atendimento. Eacute; um ciclo vicioso, que quando vemos estamos perdendo profissionais excelentes que est atilde;o desmotivados a continuar atendendo pelo sistema por coisas que n atilde;o temos como resolver. O atendimento foi prestado, mesmo sem ter o credenciamento foi autorizado pelo Estado, eu j aacute; paguei os fornecedores pelo material utilizado, os m eacute;dicos querem receber pelos procedimentos, mas n atilde;o temos a verba para fazer o repasse. Ent atilde;o isso tem tornado muito dif iacute;cil realmente administrar este hospital rdquo;, salienta.

Alta complexidade
A dire ccedil; atilde;o do Hospital Bom Jesus j aacute; teve duas solicita ccedil; otilde;es de credenciamento negadas para poder atender casos de alta complexidade em neurocirurgia e hemodin acirc;mica, em tr ecirc;s anos. ldquo;A informa ccedil; atilde;o que a Secretaria de Estado de Sa uacute;de nos passa eacute; que dever iacute;amos encaminhar os pacientes para os servi ccedil;os de refer ecirc;ncia, no caso em Cascavel. A nossa realidade eacute; que quando o paciente adentra o nosso servi ccedil;o, mesmo tendo equipamentos de ponta e equipe especializada, enquanto n atilde;o surge uma vaga no servi ccedil;o de refer ecirc;ncia temos que ficar com ele para estabiliz aacute;-lo. O que nos incomoda e incomoda principalmente aos profissionais que est atilde;o capacitados para dar atendimento eacute; que s atilde;o casos urgentes, n atilde;o conseguimos encaminhar o paciente para nenhuma cidade e n atilde;o podemos realizar o procedimento no Bom Jesus, porque os profissionais n atilde;o v atilde;o ser remunerados por isso. A burocracia nos impede de prestar o atendimento. E o que eacute; mais importante? N oacute;s priorizamos pela vida, e por isso que temos essa pend ecirc;ncia grande com o Estado. E n atilde;o foi nada sem libera ccedil; atilde;o, ap oacute;s ter autorizado o procedimento agora temos a dificuldade no recebimento. Essa eacute; uma coisa que nos entristece muito, pois dizer um n atilde;o ao paciente n atilde;o eacute; o que desejamos. Queremos de fato atender e prestar o servi ccedil;o, mas que possamos remunerar os profissionais que prestar atilde;o o atendimento rdquo;, detalha Michelle Okano.

Repactua ccedil; atilde;o das AIH rsquo;s
A m eacute;dica respons aacute;vel pelo Hospital Bom Jesus ressalta que se os munic iacute;pios de abrang ecirc;ncia da 20 ordf; Regional de Sa uacute;de n atilde;o est atilde;o utilizando por completo as AIH rsquo;s nos hospitais de refer ecirc;ncia em cada cidade, seria interessante que os secret aacute;rios municipais de Sa uacute;de revisassem o n uacute;mero de cotas dispon iacute;veis por m ecirc;s. ldquo;Se n atilde;o est atilde;o sendo utilizadas por completo, as AIH rsquo;s poderiam ser repactuadas com a nossa secret aacute;ria de Sa uacute;de de Toledo, Denise Liell Schmitt, que faz a distribui ccedil; atilde;o de AIH rsquo;s para os hospitais de refer ecirc;ncia. Queremos lembrar tamb eacute;m que o Hospital Bom Jesus n atilde;o eacute; o uacute;nico em Toledo que atende pelo SUS, o HCO tamb eacute;m presta atendimento, mas como atendemos a maior demanda muitas vezes a parte negativa fica por conta do Bom Jesus rdquo;, conclui.

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