Rodolfo Buhrer/Reuters/VEJA)
Indústria demitiu milhares ano passado e ano começa desafiador
O desemprego voltou a subir no Brasil no início do ano e chegou a 5,3% em janeiro, maior patamar desde setembro de 2013 (5,4%). Em dezembro, a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), havia ficado em sua mínima histórica, de 4,3%. O indicador veio acima do que esperavam economistas ouvidos pela agência Reuters, cuja mediana das expectativas apontava para taxa de desemprego em 5% em janeiro.
Vale ressaltar que o IBGE tem outra pesquisa de emprego, trimestral – a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que reflete um pouco melhor a situação do país, por ter uma metodologia mais abrangente. A taxa média de desemprego no quarto trimestre de 2014 ficou em 6,5%, de acordo com a Pnad. Com isso, a média anual ficou em 6,8%, bem maior do que o calculado pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que terminou o ano passado com média de 4,8%.
Cenário ruim – Desde o ano passado estão sendo divulgadas notícias de demissões. Só as montadoras demitiram 12,4 mil trabalhadores em 2014. No setor de autopeças foram 19 mil cortes. Os bancos também já dispensaram 5 mil postos de trabalho no ano passado, segundo pesquisa divulgada em meados de janeiro pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), em parceria com o Dieese.
Este ano, refletindo as denúncias da Operação Lava Jato, a Petrobras suspendeu relações contratais com empreiteras grandes do país. Isso está levando não apenas as próprias empreiteiras a demitirem como também está refletindo na cadeia produtiva como um todo.
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) deve divulgar em breve os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referente a janeiro. O ano passado não foi bom para o mercado de trabalho. Foram criadas apenas 396.993 vagas de emprego, queda de 65% em relação a 2013, quando o saldo líquido foi de 1.138.562 postos de trabalho, e o menor saldo líquido desde 2002.
Além disso, os principais pilares que seguravam a economia brasileira se deterioraram fortemente em 2014: os investimentos, o consumo e as exportações. O único remanescente era o emprego, do qual os governos petistas sempre se gabaram para justificar suas políticas econômicas heterodoxas. Mas, tudo indica, o cenário mudou. Ocorre que a taxa de desemprego vinha sendo sustentada não só pela criação de vagas, mas também pela grande quantidade de brasileiros em idade ativa que não procurava trabalho.
Com o aperto nas regras do seguro-desemprego anunciado no apagar das luzes de 2014, muitos devem voltar à procura. Contudo, dados coletados pela Fundação Getulio Vargas a pedido do site de VEJA para reportagem especial sobre o setor mostram que esses brasileiros não encontrarão boas notícias. O indicador de emprego futuro de janeiro de 2015, que apura a confiança da população em relação ao trabalho, atingiu seu pior nível desde o início de 2009. Em um ano, acumula queda de 24%.