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Transporte coletivo será suspenso em três semanas

calendar_month 28 de setembro de 2011
5 min de leitura
Carina Ribeiro/OP
Moradores dos bairros e demais usuários do serviço esperam que uma solução breve seja encontrada para evitar que fiquem sem transporte coletivo

 

O serviço de transporte coletivo urbano de passageiros em Marechal Cândido Rondon, prestado pela Expresso Princesa dos Campos, será suspenso a partir do próximo dia 17. A informação é do gerente comercial da empresa em Cascavel, Júlio Antonio Bozza. Segundo ele, o ônibus faz o itinerário entre os bairros São Francisco, Jardim Primavera e a área central da cidade. O veículo soma em torno de 7,7 mil passageiros por mês, sendo que em torno de 40% são idosos com passe livre garantido por lei. “São cerca de 5,5 mil pagantes por mês, mas esse número é considerado baixo”, detalha.

Dentre os motivos para a suspensão da prestação do serviço, o gerente declara que este tipo de transporte não condiz com o perfil da empresa. “Não é da característica da Princesa dos Campos fazer o transporte urbano, mas sim interestadual e intermunicipal. Por isso para nós ficou difícil gestionar essa linha, já que fica custosa”, justifica.

Ele lembra que até o início do ano se tratava de uma linha mista, fazendo tanto o trajeto urbano como intermunicipal, seguindo até Quatro Pontes. No entanto, há alguns meses passou a circular exclusivamente entre os bairros. “Como nós já temos uma linha que circula de Rondon a Toledo e esta já cobre Quatro Pontes, passamos a fazer um teste com a linha urbana”, afirma o gerente.

A linha foi assumida pela Princesa dos Campos na ocasião da aquisição dos trajetos intermunicipais. “A estrutura do transporte urbano é diferente, a forma de trabalhar e a tarifa também”, expõe.

Bozza admite que o serviço prestado é deficitário. “Como o serviço estava sendo feito de forma precária para não deixar a população sem transporte, nós fomos fazendo, mas chega uma hora que é preciso deixar o serviço mais regularizado”, aponta.
Atualmente são ofertados em torno de 14 horários de transporte urbano em Marechal Rondon. “Vamos cumprir o prazo de 45 dias que nos foi solicitado pelo Poder Público para não deixar a população sem o serviço”, finaliza.

Providências

 
Como se trata de serviço público essencial, o Poder Público municipal já adotou providências com o objetivo de tentar evitar que a população que faz uso do transporte coletivo seja prejudicada. De acordo com o procurador-geral do município, Christian Guenther, o projeto de lei já foi enviado para a Câmara de Vereadores visando autorizar o município a conceder a exploração deste serviço público por outra empresa do ramo. Para isso, será realizada uma licitação na modalidade concorrência pública. “A previsão é de tramite na Câmara por cerca de duas semanas e posteriormente abriremos o edital de licitação, sendo que as empresas interessadas poderão se cadastrar”, explica.
Ele reforça que o município está empenhando todos os esforços necessários a fim de regularizar a situação e disponibilizar o serviço de transporte. “Nossa previsão é de que todos os procedimentos para a regularização levem em torno de 60 dias”, estima.

Viabilidade

O trajeto a ser percorrido, os pontos de parada e valores de tarifas ainda estão em processo de definição e posteriormente deverão constar do edital de licitação.
Uma das preocupações da municipalidade, conforme adianta Guenther, se refere à viabilidade da prestação de serviço, tendo em vista que duas empresas rondonenses já manifestaram desinteresse ao anunciar que deixariam de colocar seus ônibus no trajeto urbano. “A ideia é criar uma forma de tornar viável a exploração do serviço”, assegura.

Passageiros esperam não ficar sem transporte

Moradores de bairros do município de Marechal Cândido Rondon que usufruem do serviço de transporte coletivo urbano esperam não ficar sem ônibus para se deslocarem até a cidade. Seja para trabalhar, para fazer consultas médicas ou mesmo para passear, eles também têm expectativa de que não haja aumento do valor das tarifas cobradas atualmente.

A rondonense Iledir Silveira Gonçalves considera alto o valor de R$ 2,20 pago pelo bilhete para ser levada do centro (ponto de ônibus ao lado do Supermercado Ruzza) até próximo à sede da Copagril. “Eu acho caro para andar só dentro da cidade, porque pago esse valor na ida e na volta, então dá R$ 4,40 por dia”, declara, lembrando que o valor é próximo da tarifa cobrada para o deslocamento de Marechal Rondon até Pato Bragado.

Caso venha a ficar sem o transporte coletivo, Iledir afirma que ficará na dependência de carona da filha, mas que nem sempre será possível contar com carona na hora em que precisa. “Eu não tenho carro e não sei andar de bicicleta. Além disso, tenho medo de trânsito, por isso prefiro ir de ônibus”, conta.

O transporte coletivo também é um serviço muito importante para Noeli Otília Tem Caten, que reside no Bairro Botafogo e não tem condição de andar de bicicleta. Por isso ela pega ônibus cerca de três vezes por semana. Ela conta que está fazendo tratamento de saúde e precisa se deslocar até o centro frequentemente para realizar consultas médicas. “Agora vou começar a fazer fisioterapia e vou precisar mais ainda do transporte”, garante Noeli.

 
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