Luciany Franco/OP
Fernando Mazureck teve paralisia cerebral que ocasionou uma tetraparesia flácida. Ele fez um curso e conquistou o primeiro emprego aos 26 anos
Tetraparesia flácida em função de uma paralisia cerebral era mais do que um diagnóstico na vida de Fernando Fonseca Mazureck, 26 anos. O problema parecia a sentença para uma vida reclusa, tanto é que, devido a isso, o rapaz já tratava de uma depressão. E olha que Fundaele tentou encontrar emprego, estudar, seguir a vida. Mas a doença o excluía do mercado de trabalho e o fez abandonar os estudos no 3º ano do Ensino Médio. A falta de perspectivas o desanimou. Mal sabia ele que o futuro ainda lhe reservava surpresas, e boas. Foi por insistência da mãe Aparecida, que não se conformava em ver o ostracismo do filho, que ele iniciou um curso de auxiliar administrativo no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), através do Programa Senac de Gratuidade (PSG). O vizinho e técnico de Relações com o Mercado do Senac, Ivandro Vieira, incentivou com as caronas diárias. Fernando foi deixando a timidez de lado e percebeu que podia atrair atenção por sua competência, e não apenas imagem física. O que aprendeu colaborou paraconseguir um emprego na biblioteca do Colégio Luterano Rui Barbosa.
Mas os bons ventos não pararam de soprar na vida de Fernando. Ele se deu conta da importância dos estudos e voltou para o colégio para terminar o Ensino Médio. A mãe, que é cozinheira e completa a renda produzindo confeitos, está ganhando um ajudante. Assim que concluiu o curso de Auxiliar administrativo, Fernando iniciou o de Confeiteiro no Senac, também via PSG. E ele já faz propaganda do negócio. Vamos fazer bolos e doces pra vender para os amigos e vizinhos, avisa. Já parece uma reviravolta e tanto na vida do rondonense – trabalha de manhã, faz curso à tarde e estuda à noite -, mas os planos futuros não param. Fernando é o primeiro da lista para fazer o curso de Operador de Computador, também oferecido pelo Senac. Vai ajudar no meu trabalho. Fiquei minha vida toda parado e não posso perder mais tempo, justifica ele, que tem encontrado nos cursos uma nova perspectiva de vida. É meu remédio contra a depressão, brinca ele, que um dia, imaginem, tinha perdido as esperanças de entrar para o mercado de trabalho. Agora eu vou trabalhar até me aposentar, comemora.
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