| Giuliano de Luca |
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| Marilene Hippler, a dona Mari: Difícil foi entender o que é a diabetes. Hoje sou doutorada |
Diabético não é doente, pois diabetes não é doença. A afirmação é do endocrinologista Manuel Lindo, de Marechal Cândido Rondon. De acordo com ele, a incapacidade ou insuficiência de produzir insulina é o que diferencia diabéticos de outras pessoas.
Diabéticos vivem normalmente, mas sem controle dos níveis de açúcar, ou glicose, no sangue, a disfunção pode causar inúmeras outras doenças e levar à morte. A medicina evoluiu rapidamente nos últimos anos, tornando diabéticos autônomos em seus tratamentos diários, capazes de se automedicar gratuitamente, se autoexaminar, a qualquer hora, quando for preciso. Mas nem sempre foi assim.
Quando a rondonense de nascimento e santa-helenense de coração Marilene Hippler descobriu a doença, há 33 anos, mal sabia do que se tratava. Nem imaginava das canetas e aparelhos que leva hoje em sua bolsa para aplicar a medicação e promover exames de resultados imediatos.
Desde criança sentia os sintomas, mas somente com seus vinte e poucos anos é que ela foi diagnosticada. Por falta de informação, sofreu muito, teve limitações pelo corpo, era depressiva e perdeu um de seus dois filhos quando ele, que adquiriu diabetes no útero, faleceu aos 12 anos.
Dona Mari, como é conhecida em sua papelaria de Santa Helena, luta hoje para informar as pessoas em encontros do município sobre a diabetes e evitar que elas passem pelas dificuldades que ela passou até aprender sobre a disfunção. Quando eu descobri que tinha diabetes, mal sabíamos do que se tratava. Tinha até preconceito. As pessoas falavam que a insulina era droga e que eu iria ficar viciada, conta a jovem no alto de seus 56 anos. Hoje sou doutorada em diabetes, brinca Mari, artista que deixa suas marcas até mesmo nas paredes de sua garagem.
Ela tem a diabetes tipo 1, a mais severa, de acordo com o endocrinologista do Centro de Endocrinologia e Obesidade (CEO) em Marechal Rondon, Manuel Lindo. Ele explica que existem basicamente dois tipos bastante distintos de diabetes. A tipo 1 é aquela que o organismo não produz nenhuma quantidade de insulina, responsável por manter estáveis o nível de glicose, pois tem a falência das células que a produzem. Já o tipo 2 é aquela que a pessoa tem produção de insulina, mas em quantidade insuficiente, resume.
Essa pode se manifestar em cinco ou dez anos, de complicado diagnóstico. A tipo 1 é de rápido diagnóstico e se manifesta rapidamente.
Até dona Mari conseguir entender a diabetes ela já havia penado por conta da disfunção. Pela correção equivocada, seus níveis de açúcar no sangue, hora despencavam, hora eram elevadíssimos. Essa falta de controle é que foi a responsável por um único machucado produzido pelo calçado levasse dez anos para curar. Quiseram até amputar meu pé, mas não deixei. Um dia, um médico acertou e em dez dias eu fiquei bem, diz Mari.
Ela perdeu o marido, segundo ela o maior dos cavalheiros, há três anos. João era meu braço direito. Ele eliminou completamente o cuidar da vida dele porque eu não posso comer nada com açúcar. Ele sempre me protegeu, lembra.
Alimentação
Mas engana-se quem pensa que somente a glicose é a vilã da história. A nutricionista Monica Pohlenz, também do CEO de Rondon, explica que os carboidratos, presentes em massas e pães, por exemplo, são excelentes fontes de produção de açúcar. A alimentação é fundamental para a qualidade de vida do diabético. Recomendo que, caso ingerir carboidratos, o diabético opte então por apenas uma porção, como arroz, e não arroz e polenta, ou arroz e macarrão, por exemplo. É preferível trocar as farinhas refinadas pela farinha integral, amplia Manuel.
A alimentação na hora do almoço de dona Mari é basicamente formada por salada. Muita salada verde, que contém fibras, e um pequeno pedaço de carne, diz. A nutricionista Monica amplia ainda dizendo a importância para o diabético ingerir cereais integrais, como linhaça e aveia, frutas – moderadamente, cereais crus e arroz ou massas integrais. O ideal é que a alimentação seja distribuída em cinco refeições; café da manhã, almoço e janta, com duas outras, no meio da manhã e no meio da tarde. Nessas, uma fruta pode ser ideal. Quanto mais rigorosa a dieta, mais fácil é conseguir controlar a glicose e viver com saúde, destaca a nutricionista.
Algumas guloseimas que não figuram no cardápio dos diabéticos são açúcar, doces em geral, mel, melado e refrigerantes, este talvez o pior de todos os alimentos para diabéticos.
Exercícios físicos
A qualidade de vida de um diabético depende única e exclusivamente de seus hábitos e suas ações. Por isso, Manuel e Monica convergem em uma situação. Aliado a uma alimentação saudável e equilibrada, é preciso praticar exercícios físicos. Alimentação adequada e atividade física são importantes para controlar a diabetes, diz Monica. Pelo menos 20 ou 30 minutos de atividade por dia ou 150 minutos distribuídos na semana são suficientes para abandonar o sedentarismo, amplia o endócrino.
Mari
Mari leva uma vida normal. Difícil foi até entender sobre a diabetes, doença que apresenta sintomas muito característicos, como emagrecimento rápido e exagerado, sede, vontade de urinar e visão embaçada. As suas consequências ela carrega na pele, nos pés, nos olhos, que já passaram por cirurgia, e também nos rins. Mas dona Mari, atenta, diz em seus discursos nos encontros de diabéticos: É preciso aprender a viver com nossas limitações.