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Uma nova forma de ver a diabetes

calendar_month 21 de setembro de 2013
5 min de leitura
Giuliano de Luca
Marilene Hippler, a dona Mari: “Difícil foi entender o que é a diabetes. Hoje sou doutorada”

“Diabético não é doente, pois diabetes não é doença”. A afirmação é do endocrinologista Manuel Lindo, de Marechal Cândido Rondon. De acordo com ele, a incapacidade ou insuficiência de produzir insulina é o que diferencia diabéticos de outras pessoas.

Diabéticos vivem normalmente, mas sem controle dos níveis de açúcar, ou glicose, no sangue, a disfunção pode causar inúmeras outras doenças e levar à morte. A medicina evoluiu rapidamente nos últimos anos, tornando diabéticos “autônomos” em seus tratamentos diários, capazes de se automedicar gratuitamente, se autoexaminar, a qualquer hora, quando for preciso. Mas nem sempre foi assim.

Quando a rondonense de nascimento e santa-helenense de coração Marilene Hippler descobriu a doença, há 33 anos, mal sabia do que se tratava. Nem imaginava das canetas e aparelhos que leva hoje em sua bolsa para aplicar a medicação e promover exames de resultados imediatos.

Desde criança sentia os sintomas, mas somente com seus vinte e poucos anos é que ela foi diagnosticada. Por falta de informação, sofreu muito, teve limitações pelo corpo, era depressiva e perdeu um de seus dois filhos quando ele, que adquiriu diabetes no útero, faleceu aos 12 anos.

Dona Mari, como é conhecida em sua papelaria de Santa Helena, luta hoje para informar as pessoas em encontros do município sobre a diabetes e evitar que elas passem pelas dificuldades que ela passou até aprender sobre a disfunção. “Quando eu descobri que tinha diabetes, mal sabíamos do que se tratava. Tinha até preconceito. As pessoas falavam que a insulina era droga e que eu iria ficar viciada”, conta a jovem no alto de seus 56 anos. “Hoje sou doutorada em diabetes”, brinca Mari, artista que deixa suas marcas até mesmo nas paredes de sua garagem.

Ela tem a diabetes tipo 1, a mais severa, de acordo com o endocrinologista do Centro de Endocrinologia e Obesidade (CEO) em Marechal Rondon, Manuel Lindo. Ele explica que existem basicamente dois tipos bastante distintos de diabetes. “A tipo 1 é aquela que o organismo não produz nenhuma quantidade de insulina, responsável por manter estáveis o nível de glicose, pois tem a falência das células que a produzem. Já o tipo 2 é aquela que a pessoa tem produção de insulina, mas em quantidade insuficiente”, resume.

Essa pode se manifestar em cinco ou dez anos, de complicado diagnóstico. A tipo 1 é de rápido diagnóstico e se manifesta rapidamente.

Até dona Mari conseguir entender a diabetes ela já havia penado por conta da disfunção. Pela correção equivocada, seus níveis de açúcar no sangue, hora despencavam, hora eram elevadíssimos. Essa falta de controle é que foi a responsável por um único machucado produzido pelo calçado levasse dez anos para curar. “Quiseram até amputar meu pé, mas não deixei. Um dia, um médico acertou e em dez dias eu fiquei bem”, diz Mari.

Ela perdeu o marido, segundo ela o maior dos cavalheiros, há três anos. “João era meu braço direito. Ele eliminou completamente o cuidar da vida dele porque eu não posso comer nada com açúcar. Ele sempre me protegeu”, lembra.

Alimentação

Mas engana-se quem pensa que somente a glicose é a vilã da história. A nutricionista Monica Pohlenz, também do CEO de Rondon, explica que os carboidratos, presentes em massas e pães, por exemplo, são excelentes fontes de produção de açúcar. A alimentação é fundamental para a qualidade de vida do diabético. “Recomendo que, caso ingerir carboidratos, o diabético opte então por apenas uma porção, como arroz, e não arroz e polenta, ou arroz e macarrão, por exemplo”. “É preferível trocar as farinhas refinadas pela farinha integral”, amplia Manuel.

A alimentação na hora do almoço de dona Mari é basicamente formada por salada. “Muita salada verde, que contém fibras, e um pequeno pedaço de carne”, diz. A nutricionista Monica amplia ainda dizendo a importância para o diabético ingerir cereais integrais, como linhaça e aveia, frutas – moderadamente, cereais crus e arroz ou massas integrais. O ideal é que a alimentação seja distribuída em cinco refeições; café da manhã, almoço e janta, com duas outras, no meio da manhã e no meio da tarde. Nessas, uma fruta pode ser ideal. “Quanto mais rigorosa a dieta, mais fácil é conseguir controlar a glicose e viver com saúde”, destaca a nutricionista.

Algumas guloseimas que não figuram no cardápio dos diabéticos são açúcar, doces em geral, mel, melado e refrigerantes, este talvez o pior de todos os alimentos para diabéticos.

Exercícios físicos

A qualidade de vida de um diabético depende única e exclusivamente de seus hábitos e suas ações. Por isso, Manuel e Monica convergem em uma situação. Aliado a uma alimentação saudável e equilibrada, é preciso praticar exercícios físicos. “Alimentação adequada e atividade física são importantes para controlar a diabetes”, diz Monica. “Pelo menos 20 ou 30 minutos de atividade por dia ou 150 minutos distribuídos na semana são suficientes para abandonar o sedentarismo”, amplia o endócrino.

Mari

Mari leva uma vida normal. Difícil foi até entender sobre a diabetes, doença que apresenta sintomas muito característicos, como emagrecimento rápido e exagerado, sede, vontade de urinar e visão embaçada. As suas consequências ela carrega na pele, nos pés, nos olhos, que já passaram por cirurgia, e também nos rins. Mas dona Mari, atenta, diz em seus discursos nos encontros de diabéticos: “É preciso aprender a viver com nossas limitações”.

 
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