Manter boas condições de saúde ao descobrir uma gestação não é mais apenas dever da mulher para consigo e com o bebê. Com o pré-natal do parceiro, instituído há pouco tempo pelo Ministério da Saúde, o papel dos homens na constituição da família, especialmente na prevenção a doenças e promoção à saúde quando um novo membro da família está a caminho, tem tido cada vez mais importância.
Para as mulheres, ter o acompanhamento médico durante a gestação para manter a integridade das condições de saúde dela e da criança é uma ação comum, quando são realizados, desde a descoberta da gravidez, diversos exames que objetivam identificar e tratar doenças que podem trazer prejuízos à saúde da mulher ou da criança.
“Quando uma mulher suspeita que está gestante, ela tem como porta de entrada no Sistema Único de Saúde (SUS) a Unidade Básica de Saúde, onde é solicitado o exame de Beta HCG. Hoje em Marechal Cândido Rondon já possuímos os testes rápidos de gravidez, feitos com amostras de urina, que são seguros e confirmatórios. Entretanto, quando há a suspeita, também é solicitado o teste laboratorial”, expõe a coordenadora da Atenção Primária e Básica em Saúde de Marechal Cândido Rondon, Raquel Rech.
A partir da confirmação da gravidez, a gestante inicia o pré-natal em sua Unidade de Saúde de referência, já que no município rondonense há a descentralização do pré-natal nas Estratégias Saúde da Família, localizadas nos distritos de Porto Mendes e Margarida, bem como dos bairros Marechal, São Lucas, Vila Gaúcha, Líder, Augusto, Primavera e Alvorada, na Unidade de Saúde do bairro Botafogo, além da Clínica da Mulher e da Criança. “Primeiro há o cadastramento da gestante com todas as informações dela e um histórico clínico para a equipe saber sobre as condições de saúde, se tem filhos ou algum problema de saúde. Neste cadastramento, ela é adicionada ao Sisprenatal, sistema em que serão vinculadas todas as consultas e exames feitos por ela até o fim da gestação”, explica.
Raquel destaca que as gestantes são sempre estratificadas por risco: habitual (baixo risco), intermediário e alto risco. Aquelas estratificadas como risco baixo e intermediário fazem o acompanhamento do pré-natal com consultas mensais nas Unidades de Saúde, enquanto que as de alto risco são acompanhadas em Toledo. “Dependendo do caso de cada gestante, devido ao fluxo que seguimos com base na linha guia do Rede Mãe Paranaense, algumas gestantes vão fazer o pré-natal diretamente no Hospital Bom Jesus, mas também na sua Unidade Básica de referência em Marechal Rondon, enquanto que outras podem ser acompanhadas com a unidade e com o Modelo de Atenção às Condições Crônicas (MAC) junto ao Consórcio Intermunicipal de Saúde Costa Oeste do Paraná (Ciscopar), que é o caso de gestantes diabéticas, hipertensas, com problemas de tireoide, entre outras questões crônicas em que a mulher tem o acompanhamento feito por especialistas e na sua unidade de referência”, especifica Raquel.
Lista de exames
Na primeira consulta, pontua ela, também já são solicitados os exames preconizados para o primeiro trimestre de gestação, como hemograma, urina, glicemia, testes rápidos de sífilis, HIV, hepatite B e C, tipagem sanguínea, ultrassom, Teste da Mãezinha – que detecta diversos tipos de talacemias -, entre outros. “O recomendado pelo Ministério da Saúde é que se faça a captação, ou seja, que a gestante inicie o pré-natal até as 12 semanas. Após isso a preocupação acontece porque ela já perdeu grande parte do primeiro trimestre e não fez exames que diagnosticam doenças importantes que podem ser tratadas. Caso contrário, há riscos de essas doenças acometerem o feto de alguma forma. Dependendo de cada estágio da gestação, a probabilidade de a doença ser passada para o bebê é maior”, alerta.
Dentre os primeiros encaminhamentos do pré-natal também está a verificação da vacinação, além do tratamento odontológico, tendo em vista que algumas doenças bucais podem levar ao parto prematuro. “Nos preocupamos o quanto antes em identificar a gestante e iniciar o pré-natal para fazer o diagnóstico da doença ou intercorrência e tratamento disso para evitar que o bebê nasça com alguma doença, anomalia ou que ocorra até um parto prematuro”, ressalta Raquel.
Cuidado masculino
Mesmo ainda pouco difundido, o pré-natal do parceiro já está estabelecido pelo Ministério da Saúde há alguns anos e é praticado na saúde pública de Marechal Rondon. “Além da necessidade de ofertar o atendimento à saúde ao homem, não é porque a mulher está gestante que ela não vai manter relações sexuais. Ela pode e deve, salvo contraindicações médicas, mas quando o parceiro não faz o acompanhamento médico pode ocorrer a transmissão de doenças que podem acometer o feto”, salienta a coordenadora da Atenção Primária e Básica.
Ela expõe que, acima de tudo, deve ser observado que a criança é fruto da união de pai com mãe, de forma que a união de problemas dos dois, quando não detectados, também pode refletir na criança. “O pré-natal do homem vem com um propósito de que não se deve olhar apenas para a gestante e para a criança, porque essa criança também tem um pai e esse cuidado também precisa ser ofertado a ele”, sintetiza.
Diferente do pré-natal oferecido à gestante, o protocolo seguido para o público masculino não é tão intenso quanto para as mulheres, porém, há uma lista de exames e consultas que devem ser feitas pelo homem quando sua parceira confirma a gravidez. “São feitos exames de colesterol, diabetes, hemograma, os testes rápidos de HIV, sífilis, hepatite B e C, avaliada as questões de vacinação, pois se o pai tem alguma doença infectocontagiosa, depois que a criança nascer, ele pode colocar o filho em risco, além de ele ser encaminhado para o atendimento do odontologista”, detalha Raquel.
O pré-natal do parceiro também objetiva contextualizar a importância do envolvimento consciente e ativo dos homens nas ações voltadas ao planejamento reprodutivo e familiar que pode ser positivo não apenas para as crianças e mulheres, mas especialmente para os homens, por aproximá-los da arena do afeto e do cuidado. “Buscamos cada vez mais trazer o parceiro para participar do pré-natal, pois é o casal que está grávido. Nas consultas mensais, sempre são passadas orientações que, após o nascimento do bebê, são válidas tanto para o homem quanto para a mulher. Ele será o apoio dela nos momentos do dia a dia com a criança”, diz.
O Presente