Vítimas sendo mantidas reféns e caminhonetes de alto valor sendo roubadas. O filme é o mesmo, mas os personagens são diferentes. O constante cenário de insegurança no munícipio preocupa rondonenses, que, apreensivos, esperam não se tornar as próximas vítimas.
O primeiro episódio dos mais recentes roubos ocorridos no município aconteceu na madrugada do último dia 09, em uma residência localizada no Bairro São Lucas. Na ocasião, de acordo com a Polícia Militar, dois elementos de cor morena, com cerca de 20 anos, armados com um revólver, teriam entrado na residência pela janela da cozinha e rendido duas pessoas que estavam na casa.
Os elementos teriam entrado em luta corporal com uma das vítimas e apontado a arma em sua direção, no entanto, nas duas tentativas, a arma de fogo falhou e os tiros não foram efetuados. Em contrapartida, a vítima relatou que diversos estojos não deflagrados caíram do tambor da arma durante a luta.
Após as agressões, as vítimas foram amarradas com um fio de ferro de passar e retalhos de pano, enquanto os bandidos roubavam diversos objetos do interior da residência.
Ao final da ação, os assaltantes fugiram levando um televisor, um notebook, um forno elétrico, dois aparelhos de audição, avaliados em R$ 6 mil cada, R$ 360 em espécie, US$ 100, três celulares, além de uma caminhonete Ranger, cor branca, 2014, placas AYA-3147, de Marechal Rondon.
As vítimas, após se livrar das amarras, pediram por socorro e acionaram a polícia.
Já o segundo episódio, no qual uma das vítimas foi mantida refém, foi registrado na noite da última quinta-feira (14), durante um assalto a uma residência localizada na Rua São João del Rey, no Bairro Vila Gaúcha.
As vítimas relataram que, por volta das 20 horas, três indivíduos armados entraram pelos fundos da casa e renderam todos que ali estavam. Os três elementos, conforme as vítimas, eram morenos e magros e estavam armados com uma pistola. Eles vasculharam a casa à procura de dinheiro e joias e levaram o que encontraram junto com duas caminhonetes. Durante a ação, que durou cerca de 15 minutos, uma pessoa foi mantida refém.
As vítimas contaram que foram ameaçadas caso entrassem em contato com alguém e que se assim fizessem o refém seria morto.
Além das duas caminhonetes, sendo uma S-10 branca e uma Hilux, os bandidos levaram um notebook, dois celulares, dois colares, um anel e US$ 600.
O refém foi amarrado em um matagal próximo a Maracaju dos Gaúchos, em Guaíra, mas conseguiu se soltar, ir até um posto de combustível e entrar em contato com a família, que avisou a polícia.
Investigações
O delegado de Polícia Civil de Marechal Rondon, Diego Valim, afirma que as investigações estão em curso e revela que um dos suspeitos seria um rondonense. O segundo envolvido, por sua vez, seria morador da região. “Os investigadores estão na rua, colhendo informações para poder identificar os suspeitos o mais rápido possível e assim pedir a prisão dos mesmos”, salienta.
O modus operandi nas duas situações é igual e, segundo o delegado, apesar do primeiro roubo ter sido praticado por dois elementos, enquanto o terceiro teve a participação de três, a polícia não descarta a possibilidade de serem os mesmos bandidos, apenas acompanhados de um terceiro indivíduo. “Estamos trabalhando com uma linha de investigação e, a princípio, o terceiro elemento também seria da região, no entanto ainda estamos buscando confirmar a sua identidade”, menciona.
O destino final para as caminhonetes roubadas, de acordo com o delegado, é o país vizinho, Paraguai, onde são trocadas por dinheiro e drogas. “Os criminosos têm essa facilidade devido ao município estar localizado na região de fronteira. Até por isso eles levam alguma vítima junto, para dar tempo de passarem a caminhonete para o Paraguai, antes da polícia ser acionada”, menciona Valim.
As vítimas, conforme o delegado, ainda não foram ouvidas formalmente. “Estamos aguardando o levantamento de mais informações sobre os indivíduos para que possamos trazer fotos e assim quando virem até a delegacia elas já possam fazer o reconhecimento”, informa.
Ainda de acordo com Valim, nos locais onde os roubos foram praticados, a princípio, não haviam câmeras de segurança, o que dificulta ainda mais as investigações.
Sem ligação
Outros roubos menores também andam assustando os rondonenses, mas o delegado afirma que estes não estão relacionados com os assaltos à mão armada. “Carros menores normalmente são utilizados para levar os produtos do roubo praticado, normalmente praticados por indivíduos da própria região, que trocam essas mercadorias por drogas em pontos de tráfico”, diz.
Ciclo
Na visão de Valim, os roubos praticados no município compõem um ciclo de ações criminosas. “Quando este começa a polícia tenta dar uma resposta o mais rápido possível, assim como ocorreu na vez passada, quando todos os integrantes das duas quadrilhas foram identificados, sendo que de uma delas todos foram presos e da outra apenas dois estão foragidos”, declara.
Por conta da resposta rápida da polícia, o delegado avalia que os roubos tiveram queda. “Mas eles voltaram a acontecer e estamos novamente buscando dar essa resposta à população, para que os crimes sejam solucionados e ela (população) volte a ter a mesma tranquilidade”, expõe.